A 290 km de Campo Grande, escondida na Serra da Bodoquena, uma cidade de pouco mais de 22 mil habitantes guarda rios tão transparentes que parecem piscinas naturais. Bonito já foi eleita mais de catorze vezes o melhor destino de ecoturismo do Brasil e coleciona prêmios que nenhum outro município brasileiro do mesmo porte conseguiu reunir.
Que recordes e prêmios colocaram Bonito no mapa mundial?
O reconhecimento mais expressivo veio de Londres. Em 2013, Bonito venceu a categoria de Melhor Destino de Turismo Responsável no World Responsible Tourism Awards, premiação realizada durante a World Travel Market (WTM), uma das maiores feiras de turismo do planeta. O modelo de gestão por Voucher Único, que limita o número diário de visitantes em cada atrativo, foi o diferencial apontado pelos jurados.
Desde então, a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS) destaca que o município recebeu também o selo internacional Safe Travels, concedido pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC). Em 2023, Bonito tornou-se o primeiro destino brasileiro a obter a certificação Carbono Neutro, resultado de políticas ambientais rigorosas e do envolvimento da comunidade local.

Cones de 19 metros e fósseis de tigre-dente-de-sabre
O Abismo Anhumas esconde o maior cone calcário submerso já registrado na literatura espeleológica mundial, com 19 metros de altura. A caverna foi descoberta por acaso na década de 1970, após um incêndio na mata revelar uma pequena fenda no solo. O acesso é feito por rapel elétrico de 72 metros até um lago cristalino de 80 metros de profundidade, com visibilidade de até 60 metros.
Já a Gruta do Lago Azul, descoberta em 1924 por um indígena Terena, foi tombada em 1978 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Em 1992, uma expedição franco-brasileira encontrou no fundo do lago fósseis de preguiças-gigantes, tatus e tigres-dente-de-sabre, animais que habitaram a região há mais de 12 mil anos. Entre setembro e fevereiro, a luz solar entra pela abertura circular de 40 metros e tinge a água de azul intenso.

O que fazer nessa capital do ecoturismo?
A Secretaria de Turismo de Bonito contabiliza ao menos 46 opções de passeios. Para aproveitar os principais, o ideal é reservar de quatro a cinco dias:
- Rio Sucuri: flutuação de cerca de 1.800 metros em águas cristalinas, entre cardumes de piraputangas e jardins subaquáticos.
- Rio da Prata: trilha pela mata seguida de flutuação com visibilidade que ultrapassa 40 metros.
- Gruta do Lago Azul: descida por 300 degraus até o lago subterrâneo tombado pelo IPHAN. Agendamento obrigatório.
- Abismo Anhumas: rapel de 72 metros, passeio de bote e flutuação sobre cones de calcário submersos. Limite de 20 pessoas por dia.
- Cachoeira Boca da Onça: a maior queda d’água do Mato Grosso do Sul, com 156 metros de altura, incluindo o maior rapel de plataforma suspensa do país (90 metros).
- Buraco das Araras: dolina a céu aberto em Jardim (55 km), onde até 60 casais de araras-canindé nidificam em paredões de 100 metros.
Quem planeja uma viagem inesquecível para Bonito, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 53 mil visualizações, onde os apresentadores mostram os 20 melhores atrativos do Mato Grosso do Sul, incluindo preços e dicas:
Quando visitar Bonito e o que esperar do clima?
A temperatura dos rios oscila entre 20°C e 24°C o ano inteiro, mas o cenário muda conforme a estação. O inverno seco garante a melhor transparência para flutuações, enquanto o verão chuvoso enche cachoeiras:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Bonito?
O Aeroporto Regional de Bonito (BYO) recebe voos diretos de São Paulo operados por Gol (Congonhas), Azul (Viracopos) e Latam (Guarulhos), com frequências que variam de duas a três vezes por semana. O terminal fica a 13 km do centro. Para quem prefere a estrada, são cerca de 290 km desde Campo Grande pela BR-060 e MS-382, aproximadamente quatro horas de carro em rodovias asfaltadas.
Um mergulho que muda a forma de ver o Brasil
Bonito entrega algo raro: a sensação de flutuar sobre um mundo subaquático em pleno cerrado brasileiro. As águas filtradas pelo calcário da Serra da Bodoquena criaram um laboratório natural de transparência que nenhum litoral do país consegue replicar.
Você precisa calçar um tênis, vestir neoprene e mergulhar de máscara nos rios de Bonito para entender por que essa cidade pequena do Mato Grosso do Sul virou referência mundial em turismo responsável.





