A Serra do Mar desce coberta de mata até encontrar um mar verde-esmeralda pontilhado de ilhas. Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, reúne 365 ilhas e mais de 2 mil praias numa baía protegida do vento, onde navegar é quase tão natural quanto respirar. A cidade nasceu no Dia de Reis, em 6 de janeiro de 1502, e carrega no nome a coincidência entre a data religiosa e a geografia que encantou os portugueses.
Uma ilha para cada dia do ano na Costa Verde
O número não é força de expressão. O litoral angrense concentra 365 ilhas espalhadas por uma baía de águas calmas, segundo o site oficial Visite Angra dos Reis. A proteção natural contra ondas de mar aberto fez da região um dos melhores pontos para navegação de lazer no país. Entre essas ilhas, a maior delas mudou o mapa do turismo brasileiro.
A Ilha Grande, com 192 km² e 106 praias, foi reconhecida em julho de 2019 pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade, ao lado de Paraty. O título de sítio misto, cultural e natural, foi o primeiro do Brasil nessa categoria. A área protegida abrange quase 149 mil hectares e forma o segundo maior remanescente de Mata Atlântica do bioma.

Do porto de piratas ao Patrimônio Mundial
A expedição de Gonçalo Coelho batizou a enseada em 1502 como homenagem aos Três Reis Magos. Antes dos portugueses, os Tupinambás já ocupavam a região e abriram as trilhas que os turistas percorrem até hoje na Ilha Grande. A baía serviu de refúgio para piratas holandeses, franceses e ingleses até o século XVIII, e depois virou rota de contrabando de escravos.
Entre os séculos XIX e XX, Angra viveu o ciclo do café, a decadência do porto e a chegada da ferrovia. O IPHAN tombou parte do acervo colonial, que inclui o Convento do Carmo, a Igreja de Santa Luzia e as ruínas do Convento de São Bernardino de Sena. Na Ilha Grande, o antigo presídio Cândido Mendes, implodido em 1994, deu lugar ao Museu do Cárcere e a um centro de pesquisas da UERJ.
O que fazer entre ilhas e montanhas?
O roteiro em Angra é predominantemente marítimo. As melhores experiências exigem sair do continente, seja de escuna, lancha ou caiaque. Estas são as paradas que justificam a viagem:
- Praia de Lopes Mendes: eleita uma das praias mais bonitas do Brasil, fica no lado sul da Ilha Grande. Areia branca e fina com mar de ondas moderadas. Acesso por trilha de 20 minutos a partir da Praia do Pouso.
- Lagoa Azul: piscina natural entre ilhas, com águas cristalinas e rasas. Ponto clássico de mergulho com snorkel, acessível nos passeios de escuna.
- Ilhas Botinas: duas ilhas gêmeas com fundo de areia clara visível da superfície. Outro ponto de mergulho no continente, sem precisar ir até Ilha Grande.
- Vila do Abraão: principal vilarejo da Ilha Grande, com pousadas, restaurantes e trilhas que partem para todas as direções. Carros não entram na ilha.
- Centro Histórico de Angra: igrejas coloniais, o Convento do Carmo e a Casa de Cultura Poeta Brasil dos Reis concentrados em poucas quadras à beira do cais.
Quem deseja planejar um roteiro perfeito, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Minhas Rotas e Viagens, que conta com mais de 668 mil visualizações, onde Daniela mostra o que fazer em Angra dos Reis em um final de semana, incluindo passeios de lancha e a famosa Cachoeira do Crepúsculo:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O calor acompanha Angra o ano inteiro, mas a chuva define a experiência. O inverno seco é considerado por muitos a melhor época para visitar a região. Confira o resumo por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade das 365 ilhas?
Angra dos Reis fica a 155 km do Rio de Janeiro pela rodovia Rio-Santos (BR-101/RJ-155), cerca de 2h30 de carro por um trajeto cênico entre a serra e o mar. De São Paulo, a distância é de 370 km pela Via Dutra até Volta Redonda e depois pela RJ-155. Ônibus da Costa Verde fazem a ligação diária com a capital fluminense. Para chegar à Ilha Grande, embarcações partem do Cais de Santa Luzia em Angra ou da vizinha Conceição de Jacareí, em Mangaratiba, com travessias de 1h a 1h30.

Navegue por Angra ao menos uma vez
Poucos lugares no litoral brasileiro oferecem tantas camadas numa mesma viagem: igrejas do século XVII, trilhas abertas por indígenas, praias que mudam de cor conforme a luz e um título da UNESCO que reconhece tudo isso junto. Angra dos Reis entrega a Costa Verde na sua melhor versão.
Você precisa subir num barco em Angra, escolher uma das 365 ilhas e entender por que os portugueses, ao chegarem aqui num dia de janeiro, acharam que tinham encontrado um presente dos Reis Magos.






