A veterinária Jheny Godinho, do projeto Resgate por Amor, viralizou ao contar por que recusou uma adoção. O caso reforça que proteger animais resgatados exige avaliação cuidadosa, responsabilidade e compromisso real com o bem-estar deles.
Imagine encontrar um cachorro machucado na rua, olhar nos olhos dele e prometer uma nova chance de vida. É assim que começa, quase todos os dias, a rotina da médica veterinária Jheny Godinho, que atua no Mato Grosso do Sul e se tornou referência ao falar sobre adoção responsável de cães e gatos resgatados. À frente do projeto Resgate por Amor, ela lida diariamente com animais que já passaram por abandono, maus-tratos e negligência, buscando não apenas tratamento físico, mas também a recuperação emocional desses animais, para que possam voltar a confiar e viver em paz.
Como o processo de adoção evita novas situações de abandono
Animais resgatados já passaram por vulnerabilidades extremas, e por isso cada devolução pesa como um novo golpe emocional. Quando um cão é adotado e depois devolvido por motivos banais — como mudança de rotina, energia típica da espécie ou falta de paciência na adaptação — o impacto pode ser devastador, reforçando medos e dificultando futuras socializações.
Para evitar isso, projetos sérios como o Resgate por Amor adotam critérios firmes antes de liberar um cão ou gato. O objetivo não é “complicar” o processo, mas proteger aquela vida. Nessas entrevistas, a equipe conversa abertamente sobre rotina, expectativas, limites da família e perfil do animal, buscando um encaixe honesto, e não apenas um gesto de boa vontade momentânea.

Quais critérios ajudam a garantir uma adoção realmente responsável
Para transformar a adoção em um compromisso de longo prazo, o projeto de Jheny Godinho avalia alguns pontos práticos que influenciam diretamente o bem-estar do animal. Esses critérios ajudam o tutor a refletir sobre a própria realidade, evitando decisões por impulso que depois acabam em frustração ou devolução.
- Condições físicas do local onde o animal irá viver;
- Tempo disponível da família para interação e cuidados diários;
- Capacidade financeira para arcar com alimentação, vacinas e tratamentos veterinários;
- Compreensão sobre o comportamento típico da espécie e da raça (ou ausência dela);
- Expectativas reais em relação ao convívio com o animal.
O que aconteceu durante a tentativa de adoção
Em novembro de 2025, um casal procurou o abrigo alegando que queria adotar cães para uma fazenda. À primeira vista, parecia uma boa ideia: espaço, sol e liberdade para os animais.
Porém, durante a entrevista, Jheny percebeu que algo estava errado. O casal contou que seus próprios cães já haviam sido atacados por animais selvagens e que não queria levá-los à fazenda novamente. Quando explicaram que buscavam cães SRD do abrigo “porque seriam apenas SRD”, Jheny entendeu que não havia interesse real pelo bem-estar dos animais e negou a adoção imediatamente. Em seu perfil do TikTok, @dra.maosdeamor, Jheny conta tudo o que aconteceu no dia:
@dra.maosdeamor Pessoal, só para deixar claro! Nós não barramos adoções para fazenda. Animais podem ser muito felizes na fazenda, e sim, sabemos que imprevistos acontecem! Mas na entrevista tudo precisa ser conversado. Alguns animais, principalmente os adultos, só podem ser doados para fazenda onde a área ao redor da casa seja telada ou para chácaras totalmente fechadas. O problema nunca é a fazenda. O problema é a falta de noção, de cuidado e de responsabilidade.
♬ som original – dra.maosdeamor
Como garantir segurança e respeito na adoção em áreas rurais
Na abordagem defendida pelo Resgate por Amor, o problema nunca é “a fazenda” em si, mas a mentalidade de quem adota. Um cão no campo não pode ser tratado como ferramenta ou “reposição” barata; ele é um indivíduo, com medos, lembranças e necessidades. Por isso, a adoção em áreas rurais exige planejamento e compromisso real com proteção e companhia diária.
Para que essa convivência seja saudável, a equipe orienta sobre espaços cercados ao redor da casa, supervisão em áreas de risco, abrigo adequado e contato constante com a família. Quando o tutor demonstra que vê aquele animal como parte da casa — e não como algo descartável — a fazenda pode se tornar um cenário de liberdade responsável, e não de abandono disfarçado.
Como negar uma adoção também pode ser um ato de amor
O caso relatado por Jheny ilustra a importância de ter profissionais preparados para recusar adoções que tragam riscos físicos ou emocionais aos animais. Ao compartilhar esse episódio nas redes sociais, ela abriu espaço para que mais pessoas pensem sobre o peso da frase “apenas um vira-lata” e como ela esconde uma visão antiga, que desumaniza e minimiza essas vidas.
Histórias como essa mostram que proteger um animal vai além de resgatá-lo da rua: envolve escolher com cuidado onde ele vai viver e com quem vai conviver. À medida que essas discussões ganham força, cresce também a consciência de que cada cão e gato resgatado merece não só um lar, mas um lar onde seja visto como parte da família, e não como algo que pode ser trocado a qualquer momento.o.






