A 60 km do Recife, uma antiga vila de pescadores esconde aquários a céu aberto sobre recifes de coral. Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, reúne águas a 27 °C o ano inteiro, jangadas coloridas e um passado que explica por que o nome da praia carrega a palavra “galinhas”.
A origem sombria do nome de Porto de Galinhas
Antes de atrair turistas, a praia era conhecida como Porto Rico, pela abundância de pau-brasil na região. O nome mudou após a proibição do tráfico negreiro, em meados do século XIX. Pessoas escravizadas chegavam nos porões de embarcações, escondidas sob engradados de galinhas-d’angola. A frase em código que anunciava o desembarque era direta: “tem galinha nova no porto”. A expressão ficou, e o lugar nunca mais se chamou de outro jeito, conforme registra a Prefeitura de Ipojuca.
Hoje, esculturas coloridas de galinhas criadas pelo artista Carcará espalham-se pelo calçadão da vila. O símbolo que nasceu de uma história trágica virou marca registrada do destino mais premiado de Pernambuco.

Por que as piscinas naturais existem ali?
Os recifes de coral que formam as piscinas ficam a cerca de 200 metros da faixa de areia. Quando a maré baixa, a água recua e revela poças rasas de fundo transparente, onde peixes coloridos circulam entre corais vivos. O acesso é feito por jangadas conduzidas por profissionais credenciados. A permanência depende da tábua de marés: com a maré alta, as piscinas simplesmente desaparecem.
Toda a faixa costeira integra a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APA Costa dos Corais), criada por decreto federal em 1997 e gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com mais de 400 mil hectares entre Pernambuco e Alagoas, é a maior unidade de conservação federal marinha costeira do Brasil. Pisar nos corais é proibido. Retirar qualquer fragmento do fundo também.

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O que fazer além das piscinas naturais?
O litoral de Ipojuca oferece 18 km de praias com perfis diferentes. A lista abaixo reúne experiências para quem tem de um dia a uma semana na região.
- Praia de Muro Alto: paredão de recifes forma uma piscina natural extensa, quase sem ondas. Ideal para famílias com crianças e para stand up paddle.
- Pontal de Maracaípe: encontro do rio com o mar entre manguezais. Passeio de jangada para observar cavalos-marinhos no habitat natural e um dos pores do sol mais fotografados do Nordeste.
- Praia de Maracaípe: ondas fortes, areia ampla e clima rústico. Referência para surfistas de todo o país.
- Passeio de buggy ponta a ponta: percorre de Muro Alto a Maracaípe, com paradas para banho, fotos nos coqueirais e vista panorâmica de todo o litoral.
- Calçadão da Vila: fechado para veículos, concentra lojas de artesanato, esculturas de galinhas e feirinha com produtos regionais.
Quem sonha em conhecer Porto de Galinhas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Status Viajante, que conta com mais de 690 mil visualizações, onde são apresentadas dicas de um roteiro de 5 dias por Pernambuco:
Cavalos-marinhos e um projeto que virou referência
O manguezal do Pontal de Maracaípe é berçário de cavalos-marinhos da espécie Hippocampus reidi, ameaçada de extinção. Desde 2001, o Projeto Hippocampus, sediado em Porto de Galinhas, pesquisa e monitora essas populações. Nos cavalos-marinhos, é o macho que engravida, com gestação de apenas 12 dias e nascimento de 700 a 900 filhotes por vez. Apenas 1% chega à vida adulta.
O projeto enfrentou dificuldades financeiras nos últimos anos e a sede de visitação chegou a fechar temporariamente. Ainda assim, o trabalho de monitoramento no Pontal continua. Os passeios de jangada pelo manguezal permitem observar os cavalos-marinhos agarrados às raízes, em um silêncio que contrasta com a agitação da vila.
Quando a maré colabora e o sol garante a transparência?
O clima tropical mantém temperaturas estáveis o ano inteiro. A diferença está na chuva: o período mais seco, de setembro a março, oferece águas mais cristalinas e dias mais longos. Entre abril e agosto, as chuvas aumentam e podem atrapalhar os passeios de jangada.
Temperaturas aproximadas. Consulte a tábua de marés e a previsão atualizada no Climatempo antes de programar o passeio às piscinas.
Um mergulho que não sai da memória
Porto de Galinhas conquistou dez prêmios consecutivos de melhor praia do Brasil pela revista Viagem e Turismo porque entrega algo difícil de encontrar no litoral brasileiro: corais vivos a poucos metros da areia, água morna o ano inteiro e uma vila que ainda pulsa como comunidade pesqueira.
Você precisa ver de perto a cor da água sobre os recifes na maré baixa, sentir os peixinhos roçando a perna e entender por que esse pedaço do litoral pernambucano segue encantando quem chega pela primeira vez.





