O ar frio da manhã e o cheiro de chocolate artesanal recebem quem sobe os últimos 30 km de serra até Monte Verde, distrito de Camanducaia, no sul de Minas Gerais. A 1.554 m de altitude, a vila nasceu do sonho de um imigrante da Letônia e hoje figura entre os destinos mais bem avaliados do planeta.
Um sobrenome letão que virou nome de cidade
Verner Grinberg chegou ao Brasil em 1913 com a família. Duas décadas depois, ao ouvir falar de um lugar chamado Campos do Jaguari, subiu a serra no lombo de um burro e encontrou paisagens que lembravam sua terra natal. Em 1938, comprou as primeiras terras e começou a erguer o que seria a vila.
O nome veio por sugestão de sua esposa, Emília: “Grinberg” em alemão se traduz como “Grün Berg”, ou seja, Monte Verde. A eletricidade só chegou ao distrito em 1969. Antes disso, um motor a vapor alimentava a serraria durante o dia e gerava luz à noite, até as dez horas, quando Verner fazia a lâmpada piscar três vezes avisando que o gerador iria parar.

O que visitar na vila mais acolhedora do Brasil?
A Booking.com elegeu Monte Verde como o 6º destino mais acolhedor do mundo em 2022, após o 9º lugar em 2020. A vila reúne trilhas, mirantes e experiências gastronômicas a poucos passos da avenida principal.
- Pedra Redonda: trilha de 926 m até um mirante a 1.990 m de altitude, na divisa entre Minas e São Paulo. A vista de 360 graus no pôr do sol é o cartão-postal da região.
- Trilha do Pinheiro Velho: caminhada curta (600 m ida e volta) até uma araucária centenária de aproximadamente 500 anos e 1,70 m de diâmetro, a maior da região.
- Pico do Selado: ponto mais alto da área, a 2.080 m. A subida leva cerca de 2 horas a partir do Platô e exige acompanhamento de guia.
- Parque Oschin: 50 mil m² de área verde no centro, com lhamas, playground de madeira, gruta e cascata.
- Cervejaria Fritz: tour de 35 minutos com o mestre cervejeiro alemão Jorg Schwabe, que explica o processo artesanal e serve chopp direto do tonel.

Que sabores experimentar na serra?
A gastronomia de Monte Verde combina tradição mineira com influências europeias. O frio constante faz do fondue quase um prato obrigatório, mas a vila reserva outras surpresas.
- Fondue: presente em dezenas de restaurantes ao longo da Avenida Monte Verde, com versões de queijo, carne e chocolate.
- Truta: criada em tanques de água gelada da serra. O Paulo das Trutas permite visitar o trutário antes de comer.
- Apfelstrudel: a torta de maçã com massa folhada da Casa do Strudel sai do forno em horários anunciados na porta.
- Chocolate artesanal: a Gressoney, fundada em 1978, é a fábrica mais antiga do distrito. Seu carro-chefe é a Prímula, doce semelhante ao pão de mel.
Quem planeja viajar para Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar, que conta com mais de 293 mil visualizações, onde Fabi Cassol mostra um roteiro completo de inverno por Monte Verde:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Monte Verde registra temperaturas negativas no inverno e verões amenos. A mínima histórica chegou a -13°C em 1999. Mesmo no verão, as máximas raramente passam dos 25°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à vila na Serra da Mantiqueira?
Monte Verde fica a 163 km de São Paulo pela Fernão Dias (BR-381). O trajeto leva cerca de 2h30 até Camanducaia, seguido de mais 30 km de estrada sinuosa serra acima. De Belo Horizonte, a distância é de 484 km. Ônibus partem das rodoviárias das principais cidades da região, mas o carro próprio facilita o acesso às trilhas e atrações fora do centro.
Um pedaço da Letônia guardado entre araucárias
Monte Verde tem o raro mérito de unir história improvável, natureza de altitude e uma hospitalidade reconhecida no mundo inteiro. É o tipo de lugar que transforma um fim de semana em memória de anos.
Você precisa subir a serra e sentir o frio de Monte Verde, a vila que um imigrante sonhador construiu no topo da Mantiqueira.






