Quem fabrica a marca de cosméticos que não tem fábrica?

Coordenação industrial liga a marca a fornecedores, embalagens e indústrias. Renato Silva, da Tessora, explica como funciona no Brand Labs

Muita gente compra um creme ou um xampu sem imaginar que a marca estampada no frasco não tem fábrica própria. Na cadeia de cosméticos, é comum que a produção fique com indústrias parceiras, enquanto a dona da marca cuida do produto, da venda e da distribuição. Quem organiza esse meio de campo é a coordenação industrial.

No Brand Labs, programa criado pelo empresário Renato Silva na Tessora (www.tessora.com.br), essa coordenação é parte central do trabalho. Silva atua por meio das indústrias executoras que fazem parte do ecossistema do programa e conecta fornecedores, materiais, embalagens, regularização e cronogramas de produção ao que a marca precisa vender.

Antes da fábrica, o planejamento

A produção não começa do zero. Primeiro vem a Jornada da Marca, orientada pelo método Equity First, que define público, nicho, posicionamento, proposta de valor e de onde virá a receita. Só depois entram identidade visual, fórmulas, produtos e embalagens.

Segundo Silva, tudo precisa conversar. A embalagem tem que caber no custo, o preço tem que pagar as despesas e os canais de venda, e a linha de produtos precisa agradar ao público sem deixar a marca sem dinheiro para repor estoque.

Quanto custa

O desenvolvimento parte de R$ 170 mil. Para fabricar, são necessários pelo menos mais R$ 100 mil, conforme os produtos escolhidos. As duas etapas somam a partir de R$ 270 mil. Divulgação, equipe, capital de giro e expansão ficam de fora e precisam ser planejados à parte.

O modelo foi montado com base em seis anos de experiência de Silva no setor, passando por desenvolvimento, fornecedores, regularização, produção e distribuição.

Depois que o produto fica pronto

A Tessora também pode cuidar da operação comercial da marca, recebendo royalties de 16% a 28% sobre o faturamento bruto, conforme o contrato. Esse valor é remuneração e não lucro, e a marca continua sendo do cliente.

Para acompanhar tudo, o programa usa a Orbora (www.orbora.com.br), uma plataforma por assinatura com CRM ligado ao WhatsApp, qualificação de clientes feita por inteligência artificial e controle de vendas, finanças e produção. Assim, dados de vendas e estoque ajudam a decidir quando repor produtos.

Nos cenários de planejamento, as marcas podem buscar de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões nos primeiros 24 meses e de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões por ano no quinto ano, sempre dependendo da demanda, dos canais e dos investimentos.

Resumindo

Terceirizar a fabricação de cosméticos significa produzir em indústrias parceiras, com alguém coordenando fornecedores, embalagens, regularização e prazos. No Brand Labs, esse papel fica com a coordenação industrial da Tessora, ligada desde o início ao plano comercial da marca.