Entenda como pequenos blocos de borracha reforçada com aço situados entre vigas e pilares garantem a mobilidade de pontes sob variação de temperatura e tráfego pesado. Pontes e viadutos não são estruturas completamente rígidas; elas expandem, contraem e flexionam constantemente durante a passagem diária de caminhões pesados.
Por que as vigas de um viaduto precisam se mover sem quebrar a estrutura?
Você já ouviu um estalo ao passar de carro sobre as pequenas frestas metálicas no piso de um viaduto? Esse deslocamento ocorre porque o tabuleiro de concreto expande com o calor do sol e contrai com o frio da noite.
Se as vigas fossem concretadas diretamente sobre os pilares sem uma junta flexível, a dilatação forçaria o topo das colunas até criar trincas graves. O uso de elastômero fretado resolve esse conflito ao absorver rotações e movimentos horizontais na ordem de milímetros.

Quais são as dimensões e especificações técnicas dos aparelhos de apoio?
A definição geométrica do bloco de borracha sintética varia segundo o vão da ponte, a carga móvel dos veículos e a amplitude térmica da região.
Espessura do bloco de elastômero: varia a partir de 50 mm de espessura em viadutos urbanos padrão, alcançando dimensões maiores em grandes pontes.
- Chapas metálicas de fretamento: lâminas internas de aço estrutural com 2 mm a 4 mm de espessura intercaladas para evitar a deformação lateral excessiva do neoprene.
- Capacidade de pressão vertical: suporta tensões operacionais superiores a 15 MPa sem sofrer plastificação permanente.
- Deslocamento horizontal relativo: permite movimentação lateral de até 30 mm causada por frenagem de caminhões e dilatação.
- Durabilidade do elastômero: borracha de neoprene reforçada projetada para resistir ao ataque de ozônio e óleos por 30 a 50 anos.
Como o bloco de borracha funciona quando um caminhão pesado atravessa o viaduto?
Quando um caminhão de 45 toneladas entra sobre o vão do viaduto, a viga de concreto verga ligeiramente para baixo em sua parte central, inclinando suas pontas.
O aparelho de apoio sofre uma deformação por cisalhamento, permitindo que a viga gire frações de grau sem transferir momentos fletores indesejados ao pilar. Assim, a energia do impacto é dissipada em forma de deformação elástica do material.
O que a engenharia de pontes ensina sobre a estrutura dos neoprenes fretados?
O conceito de fretagem consiste em vulcanizar chapas de aço no interior do bloco de borracha, criando um composto de alta rigidez vertical e baixa rigidez horizontal.
O vídeo a seguir detalha por que esse arranjo impede o esmagamento da borracha sem perder a capacidade de acompanhar os movimentos da ponte.
Abaixo, um vídeo do canal Dominando Estruturas que aprofunda o tema:
Qual norma técnica brasileira regulamenta os aparelhos de apoio de elastômero?
A especificação e os métodos de ensaio para esses componentes no Brasil são regidos pela norma ABNT NBR 19783, além das premissas estruturais da ABNT NBR 7187.
A norma exige ensaios laboratoriais de compressão pura e distorção por cisalhamento em amostragem do lote. Por isso, os projetistas garantem que a borracha não sofra delaminação do aço sob condições extremas de uso.

Quando um especialista em pontes deve realizar a inspeção do sistema de apoio?
A presença de fissuras no topo do pilar, ressecamento pronunciado da borracha ou oxidação acelerada das chapas de aço exige avaliação imediata por um engenheiro estrutural ou engenheiro de pontes.
A substituição preventiva de um bloco desgastado demanda o macaqueamento hidráulico temporário do tabuleiro. Não é um serviço que aceita soluções improvisadas sem um plano de engenharia validado.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para inspeções e projetos de recuperação em obras de arte especiais, recomenda-se a consultoria de um engenheiro estrutural / especialista em pontes, reduzindo riscos de recalque, fissuração ou colapso localizado.

