A maior engenharia de proteção costeira da Europa consolida o solo marinho para permitir a entrada dos maiores navios de carga do mundo. O Novo Quebra-Mar de Gênova na Itália enfrenta o desafio de proteger o porto comercial histórico contra tempestades extremas em mar aberto a 50 metros de profundidade.
Como uma barreira gigante consegue parar o impacto do mar a 50 metros de profundidade?
Quando uma onda atinge uma estrutura rígida perto da praia, toda a força da água descarrega direto na parede. Para evitar esse colapso em águas profundas, a engenharia não apoia blocos de concreto direto na areia do fundo do mar; cria primeiro um colchão de pedra submerso que desacelera a correnteza e dissipa a força das ondas.
Essa base funciona como um grande amortecedor hidráulico construído com 7 milhões de toneladas de rocha. A pirâmide rochosa reduz em cerca de 80% a energia do mar antes que a água toque nos caixões de concreto, permitindo que a barreira resista a ondas de mais de 6 metros sem sofrer deslocamentos.

Quais são as dimensões e especificações técnicas da obra de Gênova?
A obra executada pelo consórcio PerGenova Breakwater, sob liderança da Webuild, utiliza volumes gigantescos de material e máquinas de alta precisão para reconfigurar a infraestrutura do Porto de Gênova.
Comprimento total da barreira costeira: atinge 6.200 metros de extensão paralela à costa, sendo 4.800 metros construídos na primeira fase do projeto.
- Profundidade máxima de assentamento: alcança 50 metros abaixo do nível do mar, o maior recorde europeu para obras marítimas de proteção.
- Colunas de consolidação geotécnica: contempla a cravação de 70.000 colunas de brita com 7 a 12 metros de comprimento no leito de argila mole.
- Blocos celulares de concreto armado: pré-fabricados com até 33 metros de altura, 67 metros de comprimento e 35 metros de largura, pesando até 10.000 toneladas cada.
- Volume de rochas de preenchimento: consome cerca de 7 milhões de toneladas de pedra transportadas por barcaças especializadas para formar a fundação e o lastro interno.
Como os engenheiros afundam e posicionam prédios de concreto no oceano?
Posicionar um bloco de concreto do tamanho de um prédio de dez andares no meio do mar exige um processo rigoroso de flutuação e alinhamento. Reboqueiros puxam o caixão oco desde a plataforma de fabricação até a posição exata acima do colchão de pedra submerso.
Em seguida, válvulas internas são abertas para inundar as câmaras com água do mar, fazendo a estrutura afundar de forma controlada. Câmeras acústicas subaquáticas e receptores de GPS orientam a descida milimétrica até o encaixe perfeito sobre as colunas de brita.
Como é trabalhar no fundo do mar na construção do quebra-mar?
A preparação do leito marinho a 50 metros de profundidade envolve equipes de mergulhadores operando em sistemas hiperbólicos e robôs subaquáticos para ajustar o nivelamento das pedras.
A série documental Number 10, lançada pela Webuild, mostra a rotina dos profissionais e a tecnologia empregada para monitorar o comportamento do solo e a estabilidade da estrutura.
Abaixo, um vídeo do canal oficial Webuild que aprofunda o tema:
Quais normas internacionais garantem a segurança da barreira marítima?
O projeto segue critérios rigorosos estipulados pela norma Eurocode 7 para o dimensionamento geotécnico de fundações marinhas e pela norma Eurocode 2 para o cálculo de estruturas de concreto armado submetidas a ambientes agressivos.
O concreto impermeável utilizado possui aditivos de alta resistência ao ataque de sulfatos e cloretos, atendendo também aos requisitos de segurança sísmica da norma italiana NTC 2018.

Quando é necessário contratar um engenheiro geotécnico ou especialista marítimo?
Projetos de contenção costeira, marinas e dragagem de canais exigem a contratação direta de um engenheiro geotécnico e de um engenheiro civil marítimo.
Não é um trabalho que você realiza sem análises detalhadas de sondagem porque o adensamento da argila mole e as forças das correntes podem provocar o desmoronamento da estrutura.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro geotécnico e engenheiro civil especializado em obras hidráulicas e marítimas, especialmente em contextos de risco de erosão costeira, instabilidade de solo e impacto ambiental.

