1001 LUGARES PRA SE VIVER: Kremlin de Moscou

Pela Federação Russa, há cerca de 20 kremlins - sinônimo de cidadela fortificada. O Kremlin de Moscou é parte inseparável dos grandes eventos da história russa a partir do século 13

por Bertha Maakaroun 15/05/2018 07:12
Bertha Maakaroun
Complexo murado no Centro de Moscou é o coração do poder político e religioso (foto: Bertha Maakaroun )

Ao pé da imponente muralha vermelha, corre inquieto o Rio Moscou, ziguezagueando pela Terra de Rus, até se lançar no Oka, afluente do Volga. Alonga-se por um perímetro de 2,5 quilômetros, esgueirando-se por entre 20 espetaculares torres defensivas, que se elevam até 80 metros. Uma delas, a Torre de Spasskaya, símbolo de Moscou e do magnífico relógio de 25 toneladas, anuncia em badaladas a implacável caminhada do tempo: hinos e marchas do correr das horas e na virada dos anos sacodem a capital russa.

 

Sobre os paredões do Kremlin que sobem a até 19 metros no desenho de um triângulo estilizado, desabrocham e saltam domos dourados ortodoxos, verdadeiras coroas que também são capacetes de guerra – emoldurando o topo das brancas catedrais do Arcanjo São Miguel, da Anunciação e da Assunção, destacadas em meio ao verde dos parques e dos telhados do Palácio do Arsenal.

 

Pela Federação Russa, há cerca de 20 kremlins – sinônimo de cidadela fortificada. Apesar disso, qualquer referência ao “Kremlin” remete instantaneamente à ideia do magnífico e icônico complexo murado no Centro de Moscou. É o coração do poder político e religioso, um dia residência oficial de príncipes, de czares, e do primeiro governo de operários e camponeses do mundo, além de sede administrativa do governo.

É em meio ao vaivém de Moscou, que o Kremlin salta como uma pintura exuberante. Compõe, ao lado da Praça Vermelha, com a alucinação de cúpulas coloridas da Catedral de São Basílio, um dos complexos arquitetônicos mais lindos do planeta. Nas palavras de Vladimir Mayakovsky, o mundo, tal qual o conhecemos, se inicia no Kremlin.

 

Foi em referência à Grande Revolução Socialista de 1917, que, em 1935, as águias de duas cabeças, símbolo do Império Russo em vigília sobre as torres do Kremlin, foram substituídas por estrelas de cinco pontas. Em diferentes dimensões, cinco delas, pesando uma tonelada cada, a maior com 3,7 metros sobre a Torre Spasskaya, foram desenhadas para brilhar intensamente. Em duas ocasiões históricas deixaram de fazê-lo, uma delas no contexto da Segunda Guerra Mundial, entre 1941 e 1945, em decorrência dos intensos bombardeios despejados pelas forças nazistas sobre Moscou.

 

Essa fortaleza medieval – em princípio constituída por uma paliçada de madeira quando, foi pela primeira vez citada nas crônicas em 1147. Reconstruída em decorrência de incêndios, a sua muralha externa, foi remodelada entre 1485 e 1495 por arquitetos italianos. Em sua lateral externa acolhe o mausoléu de Lênin, assim como as tumbas de nomes que escreveram a história russa, como o do jornalista americano John Reed, o escritor Maxim Gorky e o astronauta Yuri Gagarin.

 

Do outro lado da muralha, no interior da fortaleza descansam na Catedral do Arcanjo São Miguel todos os príncipes e czares de 1320 a 1690, à exceção de Boris Godunov, enterrado em Serguied Possad. Entre eles, Ivan o Terrível, o primeiro que se fez césar, coroado, assim como aqueles que o precederam, na Catedral da Assunção.

 

O Kremlin de Moscou é parte inseparável dos grandes eventos da história russa a partir do século 13. Acompanhou as dores da libertação da terra de Rus do domínio tártaro-mongol; o exército invasor polaco-lituano ser sitiado à inanição; a derrota de Napoleão Bonaporte e o que restou de seus humilhados exércitos em seu retorno a Paris; para não deixar de mencionar o marechal Zhukov, que escorraçou Hitler de um território banhado em sangue e atropelado por corpos.

Nesta magnífica fortaleza de muros vermelhos, nasceu e morreu a Dinastia Romanov; instalou-se a primeira capital socialista do mundo governada por Lênin. Daqui brotaram os planos para enfrentar a polarização global da Guerra Fria; mandar o primeiro homem ao espaço; e por fim, o novo início da República Federada com o fim da União Soviética. O Kremlin, com os seus museus, palácios, sinos e canhões é o enredo do povo russo. Nele, o sonho de Mayakovsky fez-se razão.

 

Leia mais no Blog 1001lugarespraseviver.com  

['__class__', '__cmp__', '__contains__', '__delattr__', '__delitem__', '__dict__', '__doc__', '__eq__', '__format__', '__ge__', '__getattribute__', '__getitem__', '__gt__', '__hash__', '__init__', '__iter__', '__le__', '__len__', '__lt__', '__module__', '__ne__', '__new__', '__reduce__', '__reduce_ex__', '__repr__', '__setattr__', '__setitem__', '__sizeof__', '__str__', '__subclasshook__', '__weakref__', 'clear', 'copy', 'fromkeys', 'get', 'has_key', 'items', 'iteritems', 'iterkeys', 'itervalues', 'keys', 'pop', 'popitem', 'request', 'setdefault', 'update', 'values', 'viewitems', 'viewkeys', 'viewvalues']