Cacau Protásio traz a BH sua Branca de Neve negra, gorda e desbocada

Comédia Deu a louca na Branca está em cartaz hoje e amanhã no Teatro Bradesco

por Márcia Maria Cruz 17/11/2017 08:00
Janderson Pires / Divulgação
(foto: Janderson Pires / Divulgação)
No espetáculo que traz a Belo Horizonte, a atriz Cacau Protásio tem uma revelação a fazer: Branca de Neve é negra. “Conto a verdade para as pessoas, que foram enganadas por muito tempo”, brinca. A comédia Deu a louca na Branca, com texto de Cacau Hygino e direção de Regina Antonini, será apresentada sexta-feira (17) e sábado (18), no Teatro Bradesco.

“Cacau Hygino escreveu a peça e me convidou para fazê-la. Quando era criança, não tinha princesa negra nem gorda”, afirma a atriz. Ela interpreta Sebastiana, a menina “nascida e criada em Bangu” que chega à Flórida para se encontrar com Walt Disney. Sebastiana atribui a ele a responsabilidade de tornar branca a personagem do conto de fadas escrito pelos Irmãos Grimm.

“Branca de Neve é uma princesa que pessoas de todas as idades conhecem. É o máximo ter a possibilidade de desconstruir essa personagem”, diz Cacau. Diferentemente da princesa que aguarda o beijo do príncipe depois de comer a maçã envenenada, Sebastiana é namoradeira. “Ela tem dificuldade para encontrar namorado, porque tem um fogo surreal. Namora do Boneco de Pau ao Wolverine”, brinca a atriz.

Não é a primeira vez que Cacau interpreta Branca de Neve. De vestido vermelho, azul e amarelo, ela integrou a comissão de frente da União da Ilha no desfile das escolas de samba cariocas, em 2016. “Quando passamos pelo setor 1, o termômetro da Sapucaí, vi muita gente emocionada ao me ver. Mas não podia chorar. Tinha de engolir o choro e seguir”, lembra.

Cacau conta que Sebastiana é desbocada. “As pessoas acham que fiquei muito fofa de Branca de Neve, mas falo palavrões”, avisa. Embora baseada no conto infantil, a peça não se destina às crianças. A classificação etária indicativa é de 14 anos. A atriz tem liberdade para improvisar, habilidade que aprimorou no sitcom Vai que cola, exibido pelo canal fechado Multishow. “Cada dia é um espetáculo diferente”, garante.

Na infância, Cacau não tinha princesas como referência. Não se identificava com a cor da pele e os cabelos delas. “Gostava da Diana, personagem do desenho Caverna do dragão, que era negra e tinha cabelos cacheados”, revela. Para a atriz, é fundamental valorizar a representatividade para que as crianças negras tenham em quem se espelhar.

“Aqui, quase não temos bonecas negras, gordas, de cabelo diferente. Quando você vai para os Estados Unidos – em Miami, por exemplo –, você vê a diversidade nas bonecas. Representatividade importa. A criança precisa se ver para se sentir incluída”, conclui.

DEU A LOUCA NA BRANCA

De Cacau Hygino. Com Cacau Protásio. Sexta (17) e sábado (18), às 20h30. Teatro Bradesco. Rua da Bahia 2.244, Lourdes, (31) 3516-1360. Setor 1: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Setor 2: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).

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