O que realmente importa e o que muda com a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil?

O controle dos sintomas é feito com antialérgicos, antitérmicos e todos devem ter atenção aos sinais de gravidade e complicações secundárias como pneumonia

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(foto: AFP )
A cidade de Wuhan e seus 11 milhões de habitantes, praticamente uma São Paulo Chinesa,  é o epicentro da epidemia de coronavírus. Aproximadamente 18 mil quilômetros separam São Paulo de Wuhan, três vezes a distância da capital paulista até a Disney. Em nossa coluna já abordamos o tema Medicina do Viajante que trata da prevenção e responsabilidade de propagação de doenças e nessa semana, em função das últimas notícias, vamos falar mais um pouco de um problema de saúde que está “viajando” e chegando a vários locais: o coronavírus.
Após 58 dias do alerta chinês para a OMS a respeito dos vários casos de pneumonia - fato que desencadeou a descoberta da doença causada pelo novo coronavírus, o Brasil confirmou o primeiro caso de infecção por coronavírus,  - doença chamada de COVID-19. 

Em todo o mundo, já são 82 mil casos, 33 mil curados e, infelizmente, 2800 mortes. Outros 6 países também confirmaram na última quarta-feira (26) o primeiro caso de infecção por coronavírus. Agora são 41 países nos 5 continentes, ainda que  80% dos casos sejam leves há muita dúvida e pânico em torno do tema. O nosso caso é de um homem de 61 anos que estava na Itália e retornou ao Brasil. Ele está recebendo tratamento em domicílio e as pessoas que tiveram contato direto com ele estão sendo avaliadas.

E afinal o que é o coronavírus?

É uma família de vírus que causam infecções respiratórias e já foi responsável por outras epidemias. Os sintomas são semelhantes ao resfriado comum, não existe vacina e nem tratamento específico. 

Sintomas

Febre
Tosse
Coriza
Cansaço
Falta de ar 
Os casos graves podem evoluir para pneumonia e comprometimento renal

Prevenção (não apenas para o coronavírus):

Lavar bem as mãos com água e sabão e, em seguida, usar álcool
Limpar superfícies de muito contato como celulares, mesa, portas, janelas
Evitar tossir ou espirrar na frente dos outros - utilizar lenço de papel descartável
Evitar contatos como abraços e cumprimentos com as mãos
Evitar locais fechados
Máscara não é essencial para a prevenção, apesar de toda atenção e foco em torno dela
Manter distância de pelo menos 2 metros de outras pessoas

No Brasil, temos o hábito de cumprimentar com beijo no rosto e, quando alguém está gripado, é comum cair em um grande erro - “não me beija, porque estou gripado” e e, seguida, estende a mão para um cumprimento.  As mãos estão carregadas de vírus. Quando alguém está resfriado está o tempo todo enxugando o nariz, colocando a mão na boca para tossir tornando, assim, um grande vetor da doença tanto nos cumprimentos quanto nos locais que toca.

Tratamento

O controle dos sintomas é feito com antialérgicos, antitérmicos e todos devem ter atenção aos sinais de gravidade e complicações secundárias como pneumonia.

O diagnóstico é clínico e o exame de confirmação, mais uma vez, é de interesse da saúde pública e não interfere no tratamento do indivíduo. Há motivos para pânico? A maioria dos casos são resfriados comuns ou até mesmo assintomáticos, não sendo necessário o sentimento de pânico.

São critérios para avaliação específica e análise de laboratório se você está com sintomas gripais e nos últimos 14 dias manteve contato com alguém sabidamente contaminado. 

Dengue, tuberculose, sarampo e a gripe com todas essas vítimas não incomodam o brasileiro? Max Fisher, repórter e colunista do The New York Times, publicou exatamente sobre essa impressão que os riscos causam nas pessoas.

Sentir-se seguro e saudável é essencial para o bem estar. Coletivamente os casos de infecções por coronavírus são novidades, nossa mente ainda não associa a algo trivial e nem ameno.

Os números das gripes são robustos mais 5 milhões de doentes e 700 mil vão a óbito por conta de gripe. A gripe espanhola em 1918 matou mais que a I e II Guerra Mundial juntas, foi 5% da população mundial, e sim era uma simples gripe.

A intensidade e a frequência dos fatos influencia as emoções, ninguém viaja tranquilamente de avião após uma notícia de um desastre, ainda que a estatística de acidentes de avião seja baixíssima. Atualmente dirigir mata muito mais que a gripe e nem por isso deixamos de conduzir nossos carros. As mortes por COVID-19 ainda não superaram os 2900 mortos por ataques de hipopótamos no ano passado. Com certeza nossas decisões não são calculadas pelos riscos e nem diretamente pelos números absolutos mas sim pelas sensações associadas.

“Mas doutor por que eu estou tão preocupado?” Medo.

Os períodos de surtos e incertezas afloram vários sentimentos como o preconceito, a desinformação. Não há nenhuma necessidade de evitar costumes ou pessoas orientais e para você que está ansioso por suas encomendas dos maravilhosos sites chineses fique tranquilo não há risco de contaminação através dos pacotes importados.

A história reforça o que todos nós da área da saúde tentamos explicar diariamente. As infecções virais não são mais brandas e  nem todas infecções são tratadas com antibióticos. A prevenção deste ano não é nada diferente dos anos anteriores, foco nos sintomas e nos sinais de gravidade. Evite aglomerações ou ir aos hospitais sem real necessidade.

Informações úteis
Neste site que recebe atualização de 12 em 12 horas você pode acompanhar dados reais e oficiais da COVID-19 no Brasil e no mundo

plano de contingência proposto pelo Ministério da Saúde

A Johns Hopkins apresenta este site com evolução em tempo real de todo os casos do mundo 

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