Brasileiro tem perdido os dentes cada vez mais cedo, revela pesquisa

Uma em cada cinco pessoas que fazem parte desse público tem entre 25 e 44 anos

por Isabela Guimarães* 10/10/2018 10:50
Renato Canato/Divulgação
Moacir Schul Carvalho, de 77 anos, começou a utilizar prótese dentária parcial aos 14 e total aos 25 (foto: Renato Canato/Divulgação)

SÃO PAULO -
A perda de dentes tem afetado a população cada vez mais cedo. Só no Brasil, 16 milhões de pessoas vivem sem nenhum dente e 39 milhões utilizam próteses dentárias. A faixa etária desse público chama a atenção: um em cada cinco tem entre 25 e 44 anos. A Classe C é a camada da população em que se encontra mais da metade dos desdentados, com 52%.

O estudo “Percepções latino-americanas sobre a perda de dentes e autoconfiança”, encomendado por Corega e realizado pela Edelman Insights, ouviu 600 pessoas entre 45 e 70 anos, em quatro países da América Latina, incluindo o Brasil, entre maio e junho deste ano. Dos países entrevistados, 41,5% das pessoas com mais de 60 anos já perderam todos os dentes. Só no Brasil, mais de 30 milhões de pessoas são idosas.

As principais causas da perda dos dentes envolvem cáries, traumas, doenças periodontais e falta de acesso à higiene bucal. Os dois primeiros itens, por doer, são mais fáceis de ser diagnosticados. As doenças periodontais não doem, o que dificulta o tratamento.

O aposentado Moacir Schul Carvalho, de 77 anos, começou a utilizar prótese dentária parcial aos 14 e total aos 25. Hoje, ele utiliza, em todos os dentes, o objeto ortodôntico e se sente feliz. Moacir afirma que o uso não o atrapalha em nada. “Nado, pratico tirolesa e até danço zumba”, frisa.

Casado há 53 anos, Moacir Carvalho diz que a esposa sempre foi compreensível. “Ela foi muito companheira, mesmo a gente sendo muito jovem na época.” Ele destaca que, para a prótese não ser um fardo na vida de quem a usa, é necessário que seja elaborada por um especialista. “Sinto o gosto dos alimentos normalmente, a prótese não atrapalha em nada, mas ela tem que ser benfeita,”alerta.

Outra usuária de prótese dentária é Margarida Maria Marzochi, de 79, que também perdeu os dentes. Para a idosa, a reconstrução é fundamental para manter a autoestima lá em cima. “Quando uso a prótese, não pareço ter a idade que tenho. Quando a tiro, me sinto com uns 200,” brinca.

ODONTOGERIATRIA

A profissão de odontogeriatra, dentista especialista em idosos, ainda é pouco difundida no Brasil. A odontogeriatra Tânia Lacerda, membro da Câmara Técnica de Odontogeriatria do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, explica que acesso à informação é fundamental para evitar a perda de dentes. “É preciso compreender as dificuldades enfrentadas pelas pessoas que perderam os dentes e ajudá-las a encontrar um bom especialista, que as auxilie na escolha de prótese adequada, de boa qualidade. Dessa forma, utilizando esses produtos e seguindo as orientações do dentista, essas pessoas terão uma experiência que vai melhorar sua qualidade de vida,” destaca a especialista.

Para ela, a odontogeriatria é uma especialidade-chave para entender a jornada do paciente em situação de envelhecimento, seus medos e anseios, e prover soluções para que ele possa viver uma vida ativa, sem estigmas e com qualidade.

Implantes mais modernos

No Brasil, cerca de 800 mil implantes e 2,4 milhões de componentes de próteses dentais são colocados por ano, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria Médica, Odontológica e Hospitalar (Abimo). A pesquisa também revela que a indústria nacional já atende 90% desse mercado, sendo a segunda no mercado global, atrás somente dos Estados Unidos. A grande procura por esse tipo de procedimento possibilitou o impulsionamento da inovação e o desenvolvimento da área de implantodontia, que, a cada dia, apresenta novos produtos de maior qualidade, permitindo tratamentos menos invasivos e mais precisos. De um modo geral, a cirurgia de implante dental pode ser definida como procedimento de colocação de parafusos cirúrgicos de titânio no interior da estrutura óssea da boca do paciente, e essa estrutura vai substituir a raiz original. Indicado para pessoas que perderam um, mais ou todos os dentes - seja por alguma doença bucal ou acidente inesperado -, o procedimento pode contribuir consideravelmente para a saúde física e a autoestima dos pacientes. O mestre implantodontista e CEO da O’Don Dental Care, Felipe Araújo, aponta que, no passado, as principais reclamações de pacientes quanto à realização de implantes dentais eram a dor, a morosidade e o alto índice de insucesso desse tipo de procedimento.

FERRAMENTA

A perda de dentes teve impacto negativo nos seguintes pontos

APARÊNCIA

66% no sorriso
52% na aparência do rosto
46% em se sentir atraente
38% em ir a entrevistas de emprego

ALIMENTAÇÃO

38% acham que o sabor dos alimentos piorou
40% têm mais dificuldade de experimentar novos alimentos
38% se sentem mais inseguros para ir a festas e eventos

FALA

41% relatam mais dificuldade em pronunciar as palavras
36% revelam que conversar com as pessoas piorou
54% se sentem menos confiantes para sorrir ou gargalhar em público

INTIMIDADE

43% dizem que a perda de dentes atrapalha paquerar ou namorar
40% têm vergonha de beijar na boca
23% se afastaram do marido/mulher
21% já deixaram de fazer novos amigos

* Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte
* A estagiária viajou a convite da Corega

Aparelhos discretos e eficientes

Odontoclinic/Divulgação
(foto: Odontoclinic/Divulgação)

Um sorriso com metal prateado pode não ser a imagem que uma pessoa queira ver quando se olha no espelho. É importante analisar os benefícios e os prejuízos - estéticos, de saúde e de autoestima - de passar algum tempo com aparelhos nos dentes. A autoimagem incomoda especialmente os adultos. Adolescentes se importam menos.

O dentista é essencial no processo de estipular objetivos e ponderar os prós e os contras dos aparelhos fixos diversos. “Deve ser feita uma análise profunda para ver o que é necessário e o que é possível”, ressalta a ortodontista Lorena Leão. Nem sempre o aparelho fixo prateado é a única possibilidade.

Há alternativas bem mais discretas e que podem ser eficientes. Para adotá-las, porém, é preciso passar por uma avaliação criteriosa do profissional. A professora e advogada Amanda de Azevedo, de 36 anos, por exemplo, conta que usou aparelhos móveis quando criança. A orientação era de que, mais velha, ela deveria passar pela cirurgia ortognática - nome genérico de procedimento com o objetivo de restabelecer um padrão facial normal em pacientes adultos que apresentam alterações no desenvolvimento ósseo facial.

CIRURGIA

Só no ano passado, Amanda decidiu fazer a cirurgia. Um mês antes, no entanto, precisaria colocar o aparelho fixo. A princípio, ela queria colocar o aparelho estético, mas não era possível, por causa da intervenção que precisaria fazer. “O estético é mais sensível e poderia quebrar durante a cirurgia.”

Foram quase dois meses em que não conseguia se achar bonita. “Não aguentava me olhar no espelho e ver o sorriso metálico”, conta. Logo depois de fazer a cirurgia e ser liberada para trocar o aparelho fixo, Amanda o fez. Mesmo com um custo extra, ela preferiu trocar.

Porcelana

Ao longo dos anos, o campo da ortodontia foi se modificando trazendo diversos avanços tecnológicos para a melhoria e maior conforto dos tratamentos com os aparelhos dentais. E um dos grandes avanços nesse sentido são os aparelhos de correção feitos de safira e o de porcelana (foto). Tanto um quanto outro são opções modernas para pacientes que procuram melhorar a sua condição dentária sem afetar a estética do sorriso, pois, além de serem mais eficazes, em alguns casos, têm acessórios muito mais discretos e agradáveis ao estilo de vida de cada paciente.

Por que utilizar esse tipo de aparelho? Porque, entre os benefícios propostos apresenta, principalmente, sensação de conforto maior durante o tratamento, com estrutura que oferece movimentos ortodônticos bem mais leves. Além disso, tem aparência praticamente invisível se comparado com os aparelhos ortodônticos feitos de metal.