Amigas lideram movimento para difundir a alimentação saudável entre os brasileiros

Especialista alerta que obesidade não é só comer mal, mas também tem a ver com sedentarismo

por Lilian Monteiro 18/09/2017 10:00
Reprodução/Internet/Cliquefarma
(foto: Reprodução/Internet/Cliquefarma)

Você sabe o que é ou já ouviu falar do “Movimento Setembro Verde”? Ele foi criado pela empresária Diana Werner, a produtora Roberta Silva e pela digital influencer Laura Bier com o objetivo de disseminar informação e promover vivências que incentivem a produção e o consumo de frutas e hortaliças, além de aproximar os brasileiros dos produtores que batalham todos os dias para trazer comida para a nossa mesa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda comer 400g de frutas e hortaliças por dia. É um incentivo à alimentação saudável.

Pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), no início do ano, mostrou que o consumo regular de frutas e hortaliças aumentou no país nos últimos oito anos, passando de 33% em 2008 para 35,2% em 2016. Ainda assim, apenas um em cada três adultos brasileiros consome esse tipo de alimento em pelo menos cinco dos sete dias da semana. Os dados confirmaram ainda que o consumo regular de feijão entre a população caiu nos últimos quatro anos, passando de 67,5% em 2012 para 61,3% em 2016. Entre os homens, o índice passou de 74,2% para 67,9% no período e, entre as mulheres, de 61,7% para 55,7%.

O Movimento Setembro Verde nasceu em Porto Alegre, onde as idealizadoras moram, e já está com eventos em diversas cidades, além de muitos apoiadores em diferentes estados. Para dar voz a essa ação, diversos restaurantes aderiram à causa, criando um prato exclusivo no qual as hortaliças são protagonistas. Além disso, várias instituições de ensino, formadores de opinião, nutricionistas, horticultores e diversas iniciativas públicas e privadas já apoiam a causa. Em Belo Horizonte, quem participa é o Glouton, do chef Leo Paixão, que tem formação em medicina, mas a abandonou para cursar culinária na Escola Superior de Cozinha Francesa, em Paris.

Arquivo Pessoal
Diana Werner, Laura Bier e Roberta Silva criaram o Movimento Setembro Verde para estimular a produção e o consumo de frutas e hortaliças (foto: Arquivo Pessoal)

Diana Werner, uma das idealizadoras, enfatiza: “Estamos bem felizes com o início do movimento, que começa com muita força. Então, é extremamente importante o máximo de apoio de restaurantes, pessoas, empresas e movimentos sociais para dar visibilidade à causa. Isso é importante para que a gente discuta o assunto e chame a atenção para o quanto a população está se alimentando mal e o quanto a gente come poucas frutas e verduras. Muito menos do que seria o mínimo recomendado”.

Para Diana Werner, é fundamental dar visibilidade e trazer para a discussão essa pauta. “E o Movimento Setembro Verde é essencial para propagar essa informação e debater o assunto para que a evolução ocorra. Para nós, que idealizamos o movimento, é uma causa inquestionável e que está nos mobilizando bastante. Por isso, convidamos a todos a participar e comer melhor.”

Diana Werner aposta no valor da mobilização e engajamento dos brasileiros por uma alimentação de qualidade e saudável. “Acreditamos no poder das pessoas em transformar culturas, na conexão com a natureza, na valorização do produtor, no sabor dos produtos da terra, na alimentação mais saudável e na vida mais feliz. Nós acreditamos que é possível transformar a alimentação do brasileiro”, afirma.

Laura Bier esclarece que a ideia de criar o Movimento Setembro Verde surgiu depois de ter contato com os dados tão preocupantes sobre a saúde da população. “Mesmo com dados negativos hoje, acreditamos que é possível transformar a alimentação do brasileiro e comer melhor.” E Roberta Silva faz a convocação para todos aderirem à causa. “Não importa qual é o seu perfil, você é bem-vindo ao movimento!”.

HASHTAG

Todos os brasileiros estão convidados a participar e disseminar as ações do “Movimento Setembro Verde”. Use a hashtag #setembroverde para compartilhar hábitos do seu dia a dia que fazem a sua alimentação ser mais saudável. Compartilhe receitas, fotos da sua horta em casa, a sua feira favorita ou até os restaurantes que você adora. Se quiser colaborar ainda mais, acesse a página do Facebook do movimento: https://www.facebook.com/movimentosetembroverde.

Diego Larré/Divulgação
(foto: Diego Larré/Divulgação)
Um bom caminho

De acordo com estudo da Euromonitor Internacional, o Brasil já ocupa a quinta colocação no ranking de vendas de alimentos e bebidas saudáveis. Entre 2009 e 2014, o mercado de alimentação voltada à saúde cresceu 98% por aqui. Em 2015, o mercado mundial do setor movimentou mais de US$ 27 bilhões e nos próximos anos deverá crescer cerca de 20%. Segundo o relatório The Top 10 Consumer Trends for 2017, que analisa as tendências de mercado, há uma inclinação dos consumidores pelos itens considerados saudáveis. E 83% dos entrevistados estão dispostos a gastar mais para obter um alimento saudável; 79% substituem produtos da alimentação convencional por opções mais saudáveis; 28% acham importante consumir alimentos com alto teor nutricional; 22% optam por comprars alimentos naturais sem conservantes; 44% dão preferência a produtos sem corantes artificiais; 42% optam por itens sem sabores artificiais.

Arquivo Pessoal
(foto: Arquivo Pessoal)
Palavra de especialista
Marcio Atalla, professor de educação física, com especialização em treinamento de alto rendimento e pós-graduação em nutrição pela USP

Mudança no cotidiano

“O combate à obesidade não deve ter como foco principal a mudança da alimentação. Claro que ela é importante, e melhorar esses parâmetros estabelecidos é importante para melhorar a qualidade da alimentação. Mas a quantidade é fundamental. É preciso educar, dar conhecimento para a população incorporar as mudanças no cotidiano. Isso não é feito no Brasil. É importante lembrar que de 2006 até 2016 todas essas metas – aumentar consumo de frutas, legumes e verduras, diminuir consumo de açúcar, sal, gordura e diminuição no consumo de refrigerante e sucos artificiais – foram alcançadas no Brasil, porém a obesidade cresceu 60% nesse período. Muito importante repercutir esse dado, porque mostra que o controle da obesidade passa necessariamente, e digo até prioritariamente, pelo combate ao sedentarismo. Pessoas que gastam mais energia, se movimentam mais, têm mais liberdade na hora de se alimentar. Uma boa dica de alimentação é variar bastante os alimentos, tendo uma alimentação bem colorida, assim tendo muitos nutrientes. Privilegiar comida de verdade, como arroz, feijão, frutas, legumes, ovos, carnes, leite etc. Claro que alimentos industrializados vão fazer parte da alimentação, mas tentar manter uma relação de 70% a 80% de alimentos de verdade e 20% a 30% de alimentos mais industrializados. Mas movimento sempre, só assim seremos saudáveis e vamos combater a obesidade.”

Reprodução/Internet
(foto: Reprodução/Internet)
Guia gratuito

Outra ação que contribui para a promoção da alimentação saudável é o Guia alimentar para a população brasileira. Ele é um documento oficial lançado pelo Ministério da Saúde (em 2014, teve segunda edição), que aborda os conceitos e as recomendações de uma alimentação saudável para a população brasileira. Um instrumento para educação nutricional e alimentar não só para o Sistema Único de Saúde (SUS), mas para todos que desejam comer melhor e com qualidade. O guia é dividido em cinco capítulos. Entre eles, a escolha dos alimentos (capítulo 2) e o ato de comer e a comensalidade (capítulo 4). Para ter acesso, clique em http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf.