Livro conta a história da China em objetos, desde o Neolítico, há 7 mil anos, até hoje

O livro da curadora da seção chinesa do British Museum, de Londres, Jessica Harrison-Hall, traça uma linha do tempo em imagens através de sete milênios

por Paulo Nogueira 15/02/2019 09:51
Museu Beishouling/ Baoji/ Shaanxj
Peça de cerâmica com 7,3cm de altura e 9cm de largura, datada de 6 mil anos. Escavada em Beishouling, ela está no museu homônimo, em Baoji (foto: Museu Beishouling/ Baoji/ Shaanxj)
Em 1920, foram descobertos no Norte da China um crânio, uma mandíbula e dentes de um homem que caminhava ereto. Era o Homo erectus, morto ali há 500 mil anos e que logo foi apelidado de Homem de Pequim. Em 2012, arqueólogos encontraram numa caverna de Yuchanyan, no Sul do país, pedaços de panelas datados de 20 mil anos que passaram a ser consideradas as peças de cerâmica mais antigas de que se tem conhecimento no mundo. Eram vestígios de Homo sapiens, que plantou suas raízes e começou a povoar a região que se tornaria a maior civilização contínua do planeta e chegou ao século 21 como a segunda economia mundial e superpotência global.

É uma pequena peça de cerâmica, de 6 mil anos de idade, no formato de um rosto, encontrada nas proximidades do Rio Amarelo, no Norte de China, o marco de uma obra exuberante, de encher os olhos, literalmente. O artefato no formato de um rosto humano é do Neolítico ou Pedra Polida (10.000 - 3.000 a.C.), início da sedentarização e do surgimento da agricultura. China: uma história em objetos faz uma introdução a mais de 7 mil anos da história do gigante asiático, com cerca de 600 imagens em ordem cronológica: Os primórdios da China (5.000 - 221 a.C.), Impérios (221 a.C. -  960 d.C.), Imperadores, eruditos e comerciantes (960-1279), Mongóis e Ming (1271 - 1644), Qing: a última dinastia (1644 - 1911) e A China moderna (1911 - presente). São 70 séculos de história por meio de arte, artefatos, povos e lugares, desde o fabuloso Exército de terracota da tumba do primeiro imperador, Qin Shihuangdi (221 - 210 a.C.), até a cerâmica Ming, passando por artefatos em laca e pela caligrafia contemporânea.
British Museum
Estatueta em bronze dourado de Sakyamuni, o Buda histórico. Dinastia Ming (1400-1500). Altura, 59cm (trono) e 37cm (Buda). A peça apresenta a inscrição 'Outorgado na era Yongle da grande dinastia Ming' (foto: British Museum)
British Museum
Incensório de bronze com forma de ganso usado em banquetes seculares. Incensos tinham aroma de baunilha ou madeira de aloés em pó ou grânulos. Peça da dinastia Ming (1400-1500), com altura de 18,5cm (foto: British Museum )

O livro é da curadora da seção chinesa do British Museum, de Londres, Jessica Harrison-Hall, autora também de Ming: art, people and places (2014), Ming: 50 years that changed China (2014), Ming ceramics (2001) e Vietnam behind the lines: images from the war 1965-75 (2002). Ao traçar uma linha do tempo em imagens através de sete milênios, ela parte da cerâmica, artes decorativas, vestuário, movelaria e joalheira, além do teatro chinês. Revela uma cultura internacionalmente conectada e em constante reinterpretação do seu passado.
Museu Metropolitana de Arte/ Nova York
Estatueta Iouhan, da dinastia Jin (1200-1234), em cerâmica coberta com vidrado. Com 104,8cm de altura (sem base), pertence ao Museu Metropolitano de Arte, Nova York (foto: Museu Metropolitana de Arte/ Nova York)
Museu Shandong
Bilha de cerâmica em forma de porco, com 22cm de altura e 25cm de comprimento, pertencente à cultura Dawenkou (4300-2600 a.C.) (foto: Museu Shandong)

“É minha grande esperança que o leitor tome este livro introdutório como portal para o passado, admirando os objetos, tecidos e pinturas que o ilustram para guiar-se por aproximadamente 7 mil anos de história chinesa”, diz Jessica Harrison-Hall. “Praticamente desde seu princípio, a China tem sido multicultural e esteve vinculada ao exterior ao longo de sua história, em parte devido à atividade comercial. Produziu commodities para consumo estrangeiro – inicialmente tecidos, depois cerâmica e, mais tarde, chá. Esses bens eram vendidos ao largo do Oceano Índico e na África e depois chegaram à Europa e ao Novo Mundo”, afirma também a autora.
British Museum/ Centro de Promoção do Legado cultural de Shaanj
Guerreiros de terracota da tumba do primeiro imperador da China, Qin Shihuangdi, que governou de 221 a 210 a.C. e unificou o vasto território chinês. O primeiro guerreiro foi escavado em 1974. Desde então, foram encontradas 2 mil estátuas, mas o número estimado é de 8 mil. Algumas têm 190cm de altura e são pintadas em policromo sobre engobo. Na tumba também há cavalos e bigas (foto: British Museum/ Centro de Promoção do Legado cultural de Shaanj)

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