Freira é afastada de colégio após comentário a respeito da aparência de mãe de aluna com câncer

A irmã que é também diretora do colégio, disse que a aparência da mãe ''agride a sociedade''

por Tiago Rodrigues* 07/08/2018 16:19
Reprodução/Arquivopessoal
(foto: Reprodução/Arquivopessoal)
O colégio Notre Dame afastou, na semana passada, Loiva Urban, diretora e irmã da Congregação de Nossa Senhora, após ser acusada de ter feito o seguinte comentário: “agressiva à sociedade” sobre a aparência da mãe de uma aluna. A mãe, Carol Venâncio, recebeu esse comentário por conta da perda de cabelo em decorrência do tratamento contra um câncer. O fato ocorreu na última segunda-feira, em Brasília, no Bairro Asa Sul.

A filha de Carol, de 11 anos, desde março, se queixava de ataques de bullying recebidos na escola por meio de seus colegas dizendo que sentiam “nojo” dela por causa da doença da mãe. Por esse motivo, sua mãe já havia ido na escola cinco vezes tentando resolver a situação. Sugeriu dar palestras sobre o tema ou que professores tratassem do assunto dentro da sala de aula, evitando intimidações futuras. Mas nada foi feito. 

Com o término das férias, a pedido da filha, Carol foi levá-la em seu primeiro dia de retorno às aulas, onde a garota estudava há 9 anos. A mãe estava tentando mais uma vez encontrar uma solução junto à diretoria a respeito dos comentários ouvidos pela garota.

Reprodução/Arquivopessoal
(foto: Reprodução/Arquivopessoal)
“Minha filha estava insegura sobre retornar à escola, me disse que se sentiria melhor se eu a levasse de mãos dadas até a porta do colégio. Questionei se deveria ir de touca, chapéu, lenço, careca ou peruca. Ela escolheu a peruca, fiz isso para não constrangê-la ainda mais”, revelou Carol.  

A mãe conta que quando chegou na sala da freira junto à filha, a diretora só a reconheceu depois dela dizer quem era. Em seguida, ouviu da irmã a seguinte frase: “Nossa, você fica muito bem de peruca, deveria usar mais vezes, porque sua imagem ‘agride a sociedade’”, afirma Carol que espantada com o que ouviu, pediu a filha que fosse para outro local no colégio.

Surpresa diante da declaração da diretora, a mãe respondeu que não usava mais a peruca devido o incômodo que sentia em sua cabeça. “Por conta do processo de quimioterapia surge algumas espinhas no couro cabeludo, consequentemente gera coceira. Sendo assim usar mais vezes me incomoda bastante”, afirmou Carol, que em seguida retornou para sua casa. 

A tia da garota, Camila Venâncio, resolveu voltar ao colégio em defesa de sua irmã, a fim de um esclarecimento por parte da irmã Loiva, autora da declaração e proferiu as seguintes palavras: “Irmã, como que você fala para alguém que está passando por um tratamento oncológico que a imagem dela é agressiva para a sociedade, não é opção dela estar desse jeito. Ela não está assim por que ela quer. Tenha certeza que se ela pudesse escolher ela teria o cabelo comprido, estaria saudável e não passando por quimioterapia. Para mim agressiva são as suas palavras”.  Segundo Camila, depois de ouvir seu depoimento, a irmã ainda respondeu: “Eu posso ter sido mal interpretada, mas vamos ser realistas, a imagem dela está assustadora.” Camila ainda retrucou: “Assustador é seu ódio e seu preconceito.” 

Camila voltou para casa e após refletir sobre a situação resolveu fazer um desabafo por meio de um post em seu perfil de uma rede social. Ela só não esperava que a publicação teria tanta repercussão na internet.


Segundo a assessoria da escola, a irmã foi afastada do cargo, logo após a repercussão nas redes sociais. O Conselho Provincial, pelo qual a irmã deve obediência pelos votos, é responsável pelas medidas a serem tomadas a seu respeito. A direção ainda afirmou que o que o ocorreu foi um fato isolado. E que entrou em contato com a família para se desculpar. Reforçou que o momento é de reflexão para que a situação não volte ocorrer novamente. 

O colégio Notre Dame tem mais de 95 anos de tradição no país e pouco mais de 50 anos em Brasília. Na página do colégio está descrita sua missão como: “Garantir um ensino de excelência que permita avançar nos horizontes da aprendizagem, considerando a história e a contemporaneidade, de modo a contribuir para o desenvolvimento e formação do cidadão, visando uma participação consciente e responsável na sociedade”.

Reprodução/Arquivopessoal
(foto: Reprodução/Arquivopessoal)
“Isso tudo ensinou para mim e para minha família que perdoar é muito importante. E que já perdoamos a irmã Loiva pelo que ela fez. Não queremos guardar rancor de ninguém, pois a vida é muito curta. É necessário que tenha mais respeito no mundo e menos preconceito. Que as pessoas possam ter mais orientações e possam ter privilégio de viver em paz”, declarou Carol, em entrevista ao Portal Uai. Ela ainda acrescentou que sua filha já está matriculada em uma outra escola da região, onde foi recebida com carinho pelos novos colegas e professores. 
 
*Estagiário sob supervisão da subeditora Ellen Cristie  

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