Grupos de família são grandes vilões na divulgação de notícias falsas pelo WhatsApp, diz pesquisa

Mensagens do aplicativo não são de caráter público, mas privado, o que dificulta identificar a origem dos boatos

por Luiz Augusto Barros* 20/04/2018 20:33

Santeri Viinamäki/ WikiMidea Commons
(foto: Santeri Viinamäki/ WikiMidea Commons)
Metade dos boatos que circularam no WhatsApp sobre a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada no Rio de Janeiro mês passado, foram em grupos de família. A informação é resultado de uma pesquisa do Monitor do Debate Político no Meio Digital da Universidade de São Paulo (USP) que ouviu 2.520 pessoas. A metodologia é baseada em um estudo israelense que procurou a origem de boatos espalhados pelo WhatsApp depois do sequestro de três jovens israelenses na Cisjordânia, em 2014.


Ao filtrar os dados e delimitá-los aos boatos mais disseminados, os pesquisadores reuniram 1.145 respostas de pessoas que disseram ter recebido variações de textos dizendo que Marielle era ex-mulher do traficante Marcinho VP e que havia engravidado dele aos 16 anos ou, em menor quantidade, uma foto que supostamente mostrava Marielle sentada no colo de Marcinho VP (imagem falsa). 

Segundo a pesquisa da USP, o texto ligando a vereadora a Marcinho VP foi recebido por 916 pessoas que participaram da pesquisa. Dessas pessoas, 51% disseram ter recebido o texto em grupos de família no WhatsApp; 32%, em grupos de amigos; 9%, em grupos de colegas de trabalho e 9%, em outros grupos ou mensagens diretas. A imagem que mostraria Marielle no colo de Marcinho VP foi recebida por 229 pessoas  e 41% delas disseram ter recebido a foto em grupos de família. 

Por ser um aplicativo de mensagens privadas e não ter caráter público, é difícil rastrear as "fake news" espalhadas pelo WhatsApp e avaliar seu alcance, o que preocupa os pesquisadores, especialmente considerando como isso poderá impactar as eleições deste ano.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2016, do IBGE, mostram que a atividade mais popular entre os brasileiros, ao usar a internet, é trocar mensagens por meio de aplicativos - 94,5% dos brasileiros responderam que usam a internet para fazer isso.

A pesquisa, realizada online, perguntava dia, horário exato e qual boato foi recebido, onde recebeu e dados do usuário, como gênero, idade, cidade e nível de estudo. O formulário foi divulgado nas páginas de Marielle Franco no Facebook e na página Quebrando o Tabu, que tem 8,6 milhões de curtidas no Facebook. Os dados demográficos da pesquisa, portanto, podem acabar refletindo os usuários que se relacionam com as páginas, explicam os pesquisadores. A maioria das respostas vieram de mulheres com pouco mais de 20 anos.

* Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa 

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