Casamento faz mais feliz quem ganha menos, diz estudo

Pesquisa mostra que casais que ganham menos têm menos sintomas de depressão que solteiros na mesma faixa de renda. Entre ricos, solteiros são mais felizes

por Liliane Corrêa 11/04/2018 20:47

Pixabay/Divulgação
(foto: Pixabay/Divulgação)
O casamento pode afetar o risco de depressão, mas depende de quanto dinheiro o casal ganha, diz o estudo. Casais que fazem menos de R$ 204 mil por ano (US$ 60 mil, renda considerada média no país) apresentam menos sintomas de depressão que os solteiros na mesma faixa de renda, garantem os pesquisadores da Universidade Estadual da Georgia, nos EUA.

 

O estudo, no entanto, não encontrou vantagem no casamento - pelo menos para evitar a depressão - em casais cuja renda anual está acima desse valor. Em resumo, a pesquisa indica que o amor traz felicidade até determinado nível de renda. Acima dele, o dinheiro parece dispensar companhia.

Os autores do estudo sugerem que isso acontece porque a soma das rendas do casal pode ter um impacto determinante sobre seu estilo e qualidade de vida nos níveis mais baixos de renda, mas deixa de ser tão importante quando os dois, marido e mulher, são bem-sucedidos.

Reprodução/Social Science Research
Gráfico do estudo relaciona renda dos casais à incidência de sintomas de depressão (foto: Reprodução/Social Science Research)

O efeito do casamento sobre o bem-estar pessoal vem sendo debatido há décadas e já motivou diversos estudos científicos cujos resultados vão desde “casados são mais felizes e saudáveis que solteiros” até “casamentos antigos são um dos principais fatores de stress crônico”.

O estudo da Georgia, publicado na última terça-feira no jornal Social Science Research, é um dos primeiros a investigar se o bem-estar psicológico no casamento é influenciado pelo status socioeconômico do casal.
Pesquisadores examinaram dados obtidos no Americans’ Changing Lives Survey, que consistem em entrevistas com mais de 3.500 norte-americanos adultos, entre 24 e 89 anos, que abordam aspectos sociológicos, psicológicos, mentais e físicos.

Os entrevistados são divididos em três grupos: solteiros que nunca se casaram, casados e recém-casados. As respostas dadas foram avaliadas de acordo com uma escala de sintomas de depressão, considerando ocorrências leves da doença, ou seja, que nunca tenham levado ao diagnóstico clínico, mas possam afetar a saúde e a felicidade do casal, segundo o coordenador do estudo, Ben Kail.

Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Kail disse que observou as “relações entre casamento, renda e depressão”. “O que descobrimos foi que os benefícios do casamento para o bem-estar são realmente para casais de renda média ou baixa”, disse o professor de sociologia. “Especificamente, os casais cuja renda anual é menor que US$ 60 mil ao ano (renda média nos EUA) apresentam menos sintomas de depressão.”
 
RICOS, SOLTEIROS E FELIZES 

Apesar disso, o professor destaca que, entre as pessoas com nível de renda mais elevado, aqueles que nunca se casaram apresentam menos sintomas de depressão que os que têm um companheiro. Dessa forma, o casamento, isoladamente, não pode ser identificado como uma espécie de “antidepressivo”.
Para Ben Kail, somar sua renda à do parceiro parece ajudar ao casal a se equilibrar melhor financeiramente e, com isso, ambos se sentem melhor. É um apoio financeiro mútuo que proporciona bem-estar. Para quem, individualmente, possui abundância financeira, no entanto, somar rendas não parece ter o mesmo efeito. “Eles já possuem dinheiro suficiente”, diz o professor.

“Cerca de 50% dos benefícios que os mais pobres tiram do casamento está relacionado à segurança financeira e ao aumento da capacidade econômica que vem da soma das rendas do casal”, afirma Kail.
O estudo da Georgia cita outro, de 2014, em que pesquisadores sugeriam que o casamento causava depressão. Este estudo acompanhou casais ao longo de 11 anos, medindo a frequência com que faziam “cara feia”, franzindo a testa. O gatilho mais frequente para a “careta”, segundo o estudo, era ser criticado ou decepcionado pelo parceiro.

O estudo foi um dos primeiros a sugerir que o casamento longo podia não ser tão benéfico para a saúde e o bem-estar quanto se pensava antes.

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