Como a inteligência artificial mudou a produção de conteúdo na internet
A tecnologia ganhou espaço na escrita, mas exige revisão humana para reduzir erros factuais e preservar a autoria dos assuntos publicados
Magnific
Redatores, jornalistas e profissionais de marketing enfrentam um dilema prático: a inteligência artificial acelera a produção de texto, mas introduz erros factuais sutis, apaga a voz autoral e deixa o leitor com a dúvida de quem (ou o quê) escreveu o que ele está lendo. Dessa forma, o problema não é usar a ferramenta, mas sim utilizá-la sem critério, inclusive para avaliar a origem do conteúdo com um detector de IA.
A adoção dessas tecnologias no Brasil cresceu rápido. Segundo levantamento do Pintec Semestral do IBGE divulgado em 2025, o percentual de empresas industriais que utilizam inteligência artificial saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024. O dado é setorial, mas serve de termômetro: em dois anos, essa tecnologia passou de experimento pontual a prática incorporada à rotina de quase metade das indústrias pesquisadas.
Ferramentas como ChatGPT, Gemini e similares são modelos de linguagem de grande escala, os LLMs. Eles foram treinados em conjuntos massivos de textos e funcionam prevendo o próximo token (uma unidade textual, geralmente parte de uma palavra) com base em padrões estatísticos aprendidos. Não existe compreensão semântica do que está sendo escrito. O modelo encadeia palavras prováveis e não verdades verificadas.
Essa mecânica explica três limitações recorrentes:
Quem publica o conteúdo sem checar herda esses três problemas, e o leitor percebe, mesmo quando não sabe nomear o que o incomodou.
Usada como método, a IA generativa resolve etapas complicadas do trabalho de escrita. Ela serve, por exemplo, para destravar a página em branco, organizar tópicos antes de escrever, propor variações de título, revisar concordância, resumir material longo e traduzir trechos.
Uma publicação do IBCCRIM sobre uso ético da inteligência artificial na elaboração de pareceres científicos formula o princípio com clareza: a ferramenta é complementar à escrita humana, nunca substituta da agência de quem assina o texto. O recorte é jurídico-acadêmico, mas o critério vale para qualquer produção escrita publicada com nome e responsabilidade por trás.
Na prática, isso significa decidir antes de abrir o prompt: o que vai ser gerado, revisado e reescrito do zero. Pois desse modo, delegar o rascunho é diferente de delegar a autoria.
Um texto feito por IA necessita de uma revisão humana que vai além de corrigir uma vírgula. Alguns pontos de atenção separam um conteúdo publicável de um problemático, veja como:
Editores, professores e gestores de conteúdo precisam avaliar, com frequência, os conteúdos que recebem de terceiros. Existe um conjunto de ferramentas desenhadas para essa tarefa: elas verificam padrões estatísticos de distribuição de palavras, probabilidade de sequências e marcadores típicos de geração automática para estimar a origem do texto. Uma das opções disponíveis é o ZeroGPT, serviço de análise de autoria textual, que trabalha nessa lógica de probabilidade estatística.
Vale ressaltar que para qualquer ferramenta do tipo o resultado é uma estimativa, não um veredito. Textos muito curtos,muito editados após a geração e de autores com estilo pouco variado podem gerar falsos positivos ou falsos negativos. O detector de IA entra como um sinal a mais no processo de avaliação, ao lado da checagem de fontes, da análise de voz autoral e, quando possível, da conversa direta com quem assinou o conteúdo.