Com 'Black is king', Beyoncé atrai elogios e também polêmica

Cantora lançou seu novo álbum visual nesta sexta (31). Embora a crítica tenha elogiado a obra, o retrato que Queen Bey faz da África também foi alvo de críticas

Estado de Minas 01/08/2020 09:30
Disney/Divulgação
O clipe de Already é o único trecho do novo trabalho na cantora disponível no Brasil. O filme pertence à Disney , que só deve começar a operar no país em novembro (foto: Disney/Divulgação)

Continuar atraindo a atenção e engajando o público à distância, durante a pandemia do novo coronavírus, tem sido um desafio para muitos artistas. Não para Beyoncé. Com o lançamento nesta sexta-feira (31) de Black is king, seu primeiro álbum visual desde Lemonade (2016), a cantora se tornou o assunto mais comentado do mundo no Twitter logo nas primeiras horas do dia. O álbum é exclusivo da plataforma Disney TV+, ainda indisponível no Brasil.

Nesse filme musical, a música já era conhecida, por se tratar de The gift, disco de inéditas lançado no ano passado, como trilha da nova versão do longa-metragem O Rei Leão. Além da trilha, Beyoncé participa do longa emprestando sua voz à incansável e destemida Nala. 

Beyoncé, que escreveu, produziu, dirigiu e atuou no filme, é clara sobre o conceito."Com este álbum visual, eu queria apresentar elementos da história negra e da tradição africana, com um toque moderno e uma mensagem universal, e o que realmente significa encontrar sua autoidentidade e construir um legado. Passei muito tempo explorando e absorvendo as lições das gerações passadas e a rica história de diferentes costumes africanos. Enquanto trabalhava nesse filme, houve momentos em que me senti sobrecarregada, como muitos outros da minha equipe criativa, mas era importante criar um filme que gerasse orgulho e conhecimento", escreveu em suas redes sociais.

Ela disse ainda que o novo filme é um trabalho de amor, produzido incansavelmente desde 2019, com o "objetivo de celebrar a amplitude e a beleza da ancestralidade negra", mas que agora ele ganha um novo significado. 

"Nunca poderia imaginar que, um ano depois, todo o trabalho árduo nessa produção serviria a um propósito maior. Os eventos de 2020 tornaram a visão e a mensagem do filme ainda mais relevantes, à medida que pessoas de todo o mundo embarcam em uma jornada histórica. Estamos todos em busca de segurança e luz. Muitos de nós querem mudanças. Acredito que, quando os negros contam nossas próprias histórias, podemos mudar o eixo do mundo e contar nossa história real de riqueza geracional e riqueza de alma, que não são contadas em nossos livros de história", escreveu.

Elogios

O lançamento foi recebido com elogios da crítica. "Black is king fala da beleza e riqueza da cultura negra, sem parecer grotescamente rica ou artificial demais. O filme oferece variados estilos de produção: às vezes minimalistas, com Beyoncé cantando em vastos espaços abertos em Bigger, enquanto outras sequências são intensas e coloridas, com imagens vibrantes e dançarinos de alta energia, como em My power", descreveu o jornal britânico The Guardian. 

Na avaliação do jornal, o álbum visual soa como "uma carta de amor para a diáspora negra, para lembrá-los de que eles também fazem parte de algo maior" e é "convincente em todos os sentidos", destacando que a variedade étnica e geográfica da África é contemplada, ainda que haja uma conexão com O Rei Leão, que se passa fundamentalmente no Leste do continente.

Já para a revista norte-americana Variety, "Black is king se destaca como uma celebração da negritude em suas muitas formas: mulheres negras, homens negros, crianças negras, maternidade negra, paternidade negra, passados negros, presentes negros e futuros negros". 

Porém, destaca que o filme é "persuasivo, mas não perfeito". "A música irregular da trilha sonora original, embora aprimorada pelo acompanhamento visual, ainda pode ser um sucesso ou um fracasso. Mas tudo isso faz se perguntar o que a diretora pode conseguir com personagens totalmente formados e uma narrativa detalhada. Ele nos dá confiança em que, para Beyoncé, para negros americanos e para negros africanos, o melhor ainda está por vir."

Além de Beyoncé e seu qualificado time de bailarinos, o elenco tem convidados de peso, como Pharrell Williams, Naomi Campbell e Lupita Nyong'o,  além de artistas da África, como Yemi Alade e Shatta Wale. O rapper e marido da cantora, Jay-Z, e Blue Ivy, filha do casal, também participam. 

Polêmica

Porém, o lançamento de Black is king não ficou isento de polêmicas. Na verdade, acentuou uma crítica que já se configurava desde a divulgação das primeiras imagens e trailers, há um mês. Na opinião de muitas pessoas nascidas na África, a representação do continente fortemente atrelada à selva é pejorativa. O tema despertou vários debates nas redes sociais.

A publicação francesa The Africa Report destacou postagens de ativistas que rejeitam a construção estética criada por Beyoncé em referência a um continente tão extenso e plural. O fato de a cantora não incluir a África em suas turnês mundiais foi mencionado entre as críticas.

Embora a íntegra do filme não esteja disponível no Brasil, o clipe correspondente à faixa Already, cantada com o ganês Shatta Wale e com o rapper norte-americano Major Lazer, foi divulgado mundialmente nesta sexta-feira no YouTube. 

No vídeo, é possível ver o figurino repleto de reproduções de peles de animais, pinturas corporais, adereços e adornos tribais. Há ainda a mescla de cenas na natureza e em espaços urbanos. Os detalhes das coreografias, edições, movimentos e efeitos lembram a qualidade já vista em Lemonade, que tinha um outro contexto, mas também dialogava com a temática social. 

Outro aspecto bem contemporâneo de Black is king é o fato de ter sido lançado no contexto da reconfiguração da indústria do audiovisual. Na disputa cada vez mais acirrada entre as plataformas de streaming, o novo filme de Beyoncé é um trunfo a mais para a Disney . A Amazon Prime Video tentou incluir Black is king em seu catálogo, mas esbarrou no modelo contratual que garante exclusividade para a Disney. Dessa forma, o público brasileiro só poderá conferir o resultado em novembro, quando a plataforma deve iniciar sua operação no país. 

Ode ao que virá 

Universal/Divulgação
My future, novo single de Billie Eilish, foi lançado com clipe de animação (foto: Universal/Divulgação )

Grande nome da música pop mundial em 2019, Billie Eilish lançou seu primeiro material inédito desde o bombástico álbum When we all fall asleep, where do we go, que fez dela a primeira mulher a vencer as quatro principais categorias em uma mesma edição do Grammy, na noite de quinta-feira (30). 

My future, disponível nas plataformas digitais, é um pouco mais melódico e traz a estrela soltando mais a voz, diferentemente dos hits que a consagraram no ano passado, mais puxados para o eletro e com vocais "sussurrados". 

Mas a introspecção, uma característica de Eilish, está presente na letra, que fala sobre uma espécie de fuga. O refrão diz "Eu estou apaixonada pelo meu futuro, eu estou apaixonada, mas não por uma pessoa. Só quero me conhecer". 

A música chega acompanhada de um clipe de animação, que tem Billie como personagem principal. Em uma noite chuvosa, ela olha para a lua e tem momentos consigo mesma, conforme canta nos versos. Em suas primeiras 24 horas no ar, o vídeo ultrapassou 7 milhões de visualizações. 

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