O Terno chega ao quarto disco olhando para 'atrás, além'

Banda completa 10 anos de carreira e faz um balanço de seu amadurecimento no novo álbum, em que mescla música pop com orquestra "para explorar uma sonoridade nova de algo que foi interrompido"

por Ana Clara Brant 22/04/2019 09:40

 


Escutar o novo trabalho de O Terno é como ler um livro ou assistir a um filme. , quarto álbum do trio formado por Tim Bernardes (guitarra e vocal), Guilherme d’Almeida (baixo) e Biel Basile (bateria), tem unidade sonora e continuidade, como se fosse uma história com começo, meio e fim. “São 12 canções que podem ser ouvidas individualmente e têm essa pretensão de ser canções pop para conversar com o cidadão comum. Mas, quando elas se juntam, quando você as escuta como um único produto, elas se comunicam ainda mais, fazem mais sentido. Lembra, sim, um livro ou filme. Mas não é nem drama nem de comédia”, afirma Tim.

Alma e mola propulsora do trio, Tim Bernardes não só assina todas as faixas, como canta, toca e é o responsável pelos arranjos, direção e produção musical. Na preparação do álbum, Tim ficou em dúvida se esse deveria ser mais um trabalho solo ou do trio. Em 2017 ele lançou seu primeiro trabalho individual, Recomeçar, apontado pela crítica como um dos melhores álbuns daquele ano.

“Eu estava passando por um processo de transição e, pela primeira vez, compus um disco com uma unidade”, comenta. A opção pelo trabalho coletivo está diretamente relacionada à fase atual d’O Terno. “Tem uma turma que nos acompanha desde o início e foi amadurecendo e crescendo junto com a gente. Querendo ou não, esse novo trabalho, por mais íntimo que seja, reflete um pouco sobre essa geração, sobre o que marca a nossa época”, diz.

Segundo Tim, quando ele, Guilherme e Biel se reuniram, chegaram à conclusão de que, se aquele fosse um trabalho solo, as canções já se sustentariam. Porém, caso se transformasse num disco de banda, era importante medir algumas considerações. “A gente queria amplificá-las, mas sem encher demais a canção, para que elas não se afundassem com muita informação sonora. Ou seja, trazer mais potência com a presença do trio, mas sem pesar a mão. Esse foi um dos desafios”, descreve.

O sucessor de 66 (2012), O Terno (2014) e Melhor do que parece (2016) chega oficialmente nesta terça-feira (23) às plataformas física e digital. Mas O Terno já deu uma prévia do que virá com os singles Nada/Tudo e Pegando leve, que foram divulgados em clipes, e Volta e meia, que conta com a participação do (cantor e compositor norte-americano de origem venezuelana Devendra Banhart) e do artista japonês Shintaro Sakamoto. “Nós nos apresentamos em um festival na Alemanha, onde encontramos Devendra e Shintaro. Todo mundo viu o show um do outro e curtiu. Aí pintou a ideia de eles participarem do disco. Cada um gravou em seu país e, quando juntou tudo, ficou muito emocionante”, diz Tim.

CONTRASTES O nome já havia sido escolhido para batizar o projeto muito antes de a música com esse nome ser composta. A ideia era resumir o eixo do disco: os contrastes. “Atrás, além, passado e futuro. Tem muito a ver com para onde a gente vai, de onde a gente veio. E esses colchetes se relacionam muito com o novo milênio, as novas tecnologias, caracteres bem típicos de WhatsApp”, explica o músico.

 

Biel Basile/Divulgação
(foto: Biel Basile/Divulgação)
 


A sonoridade, que traz arranjos orquestrais e muitas referências tropicalistas, vai além das fronteiras que demarcam territórios como jazz, indie, MPB, música erudita ou rock. “A gente quis investir nesse som meio de música pop com orquestra, que foi desenvolvido com excelência nos anos 1960 e 1970 e depois foi meio abandonado. Quisemos explorar uma sonoridade nova de algo que foi interrompido, mas que não deixa de ser autoral. Tem muito a ver com a nossa formação e com a formação de uma época.”

O álbum está sendo lançado nas plataformas digitais e também no formato físico, como LP duplo. A capa foi uma ideia de Tim Bernardes com projeto gráfico de Maria Cau Levy e traz características de poesia concreta e visual. “A capa é como se fosse uma 13ª música. As composições falam muito do processo de se lançar para o futuro, para o novo, de se emancipar, de se entender como um sujeito formado, seja passando pelos relacionamentos ou as experiências como banda, com os amigos, ainda mais que a estamos completando 10 anos de trabalho autoral.”

Tim também propôs uma divisão do nome da banda em três partes, ao modo concretista. Para o músico, as três sílabas (O -Ter -No) revelam significados escondidos. “Fiquei muito intrigado quando as separei. O “O” simboliza o indivíduo, a coisa individual do sujeito; o “Ter” remete à bagagem que se carrega, o que você traz com você, e o “No” à situação onde se está, para onde ir e de onde se veio. E tudo isso combinou muito com o clima do disco. Quando se desmembra algo, novos sentidos vão surgindo”, afirma.

FOTÓGRAFO E MÚSICO
A união entre os três artistas é reforçada em uma das músicas, Bielzinho, em homenagem ao baterista do trio, Biel Basile, último integrante a entrar no grupo, em 2015. “Como ele toca bonito/Como batuca com classe o menino/Espanca e faz carinho”, diz um dos versos da composição, que ganhou o coro de amigas da banda, como Ana Frango Elétrico, Luiza Lian, Maria Beraldo, Maria Cau Levy e Tulipa Ruiz. “Apesar de ser dedicada a ele, que é, exatamente como diz a letra, uma figura que trouxe um astral, é muito animado, essa canção fala de questões muito íntimas, de filosofia, dos amigos, do cotidiano”, comenta Tim. As fotos de divulgação desse novo disco de O Terno foram feitas por Biel, que também aparece nas imagens. “Para isso acontecer, usou tripé e espelho. E o resultado ficou original, conceitual. Tem a ver com a gente”, comenta Tim.

O vocalista diz que, mesmo com a força crescente do streaming no mercado fonográfico, ele não queria abrir mão de lançar um disco. O objetivo, segundo diz, era se comunicar da melhor forma possível com o público. “Estamos fazendo algo de que gostamos e em que acreditamos. Quanto mais você consumir como um todo – as faixas, os clipes e a capa – vai conseguir atingir a sensação que queremos transmitir.”

Além do disco de inéditas, o ano que marca a primeira década de O Terno traz outras novidades para o trio. A banda vai participar pela primeira vez do Rock in Rio. No dia 6 de outubro, Tim, Guilherme e Biel sobem ao palco Sunset, ao lado da banda portuguesa Capitão Fausto. “Eles têm referências parecidas com a gente. A idade é parecida. Tem muito a ver conosco. Vai ser uma experiência interessante. Esses 10 anos trazem o sentimento de que cada passo foi um aprendizado, e a gente está colhendo muitos frutos bacanas”, afirma Tim.

No mês anterior ao Rock in Rio, a turnê de lançamento de , que começa em maio em São Paulo, deve chegar a Belo Horizonte, com show no Sesc Palladium.

“Atrás, além, passado e futuro. Tem muito a ver com para onde a gente vai, de onde a gente veio. E esses colchetes se relacionam muito com o novo milênio, as novas tecnologias, caracteres bem típicos de WhatsApp”

“A capa é como se fosse uma 13ª música. As composições falam muito do processo de se lançar para o futuro, para o novo, de se emancipar, de se entender como um sujeito formado, seja passando pelos relacionamentos ou as experiências como banda, com os amigos”

Tim Bernardes, vocalista e guitarrista de O Terno
 

 
O Terno
Selo Risco (12 faixas)
LP: R$ 180
CD: R$ 25

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