Cantor lírico Saulo Vasconcelos conta em livro trajetória de destaque no universo dos musicais no Brasil e no exterior

Artista brasiliense participou de montagens como 'A Bela e a Fera' e 'O fantasma da ópera'

por Estadão Conteúdo 16/10/2018 10:00

É possível dizer que tudo começou em 1997, quando ele viajou a Londres e assistiu a sete musicais em apenas quatro dias. “Não conheci o Big Ben, nem o Parlamento”, conta Saulo Vasconcelos, que voltou transformado, já seguro do que faria na vida. Hoje, é um dos principais atores de musical do Brasil, cuja trajetória se confunde com a nova fase do gênero no país, iniciada nos anos 2000. É o que ele relembra em  (Chiado Books), sua biografia.    

Dado Galdieri/AP
Saulo Vasconcelos recebe a maquiagem da Fera na montagem brasileira de A Bela e a Fera, em 2002 (foto: Dado Galdieri/AP)

Aos 45 anos, Saulo Vasconcelos ostenta um currículo que seria invejável até mesmo na Broadway, com participações em Les misérables, A Bela e a Fera, O fantasma da ópera, Cats, Mamma Mia!, A noviça rebelde e O homem de La Mancha, para ficar apenas nos grandes clássicos. Fruto de uma feliz combinação de talento e dedicação, Saulo só venceu depois de tentar várias profissões (trabalhou como bancário, vendeu e comprou videogames usados, além de ter cursado a faculdade de química e a de economia), quando descobriu a força de sua voz ao participar do Coro Sinfônico Comunitário da Universidade de Brasília, onde estudava.Quando voltou de Londres, participou de musicais amadores em Brasília, onde nasceu, e passou a estudar canto com Sandro Christopher (hoje, ator renomado, está no atual elenco de O fantasma da ópera). “Ao acompanhar Sandro na montagem de uma ópera no Teatro Alfa (Don Giovanni, de Mozart), em São Paulo, a jornada que me levaria ao mundo profissional dos musicais começou.”

DESÂNIMO

Era 1999, participou da seleção para a montagem paulistana do musical Rent. “Voltei desanimado para casa e, no exato momento em que decidi terminar o curso de economia, o telefone tocou.” Do outro lado da linha, uma voz mexicana o convidava para interpretar o papel principal de O fantasma da ópera em seu país. Era um dos membros da banca de seleção, que também procurava o protagonista para essa montagem. Vasconcelos não teve nem tempo para lamentar a reprovação para Rent: três meses depois, mudou-se para a Cidade do México, onde se tornou o mais jovem Fantasma da história, aos 25 anos.

Dado Galdieri/AP
"Estive no lugar certo, na hora certa, na época certa" (Saulo Vasconcelos, cantor) (foto: Dado Galdieri/AP)

Quando foi protagonista da montagem brasileira, em 2005, conquistou outra marca: a de segundo ator no mundo a interpretar o Fantasma em duas línguas (o primeiro foi Italo Freeman, que atuou nos EUA e na Alemanha).

 

E, somando as interpretações no México e no Brasil, Saulo ultrapassou a marca das mil apresentações do Fantasma.Pode-se imaginar que o título da biografia foi inspirado no artifício que ele usou como Fantasma, objeto que se tornou ícone na história dos musicais da Broadway. Mas vai além disso: “Cada personagem representa uma máscara. Eu me coloco na pele de outra pessoa, outra personalidade.Por isso, o título do livro usa ‘máscaras’, no plural – foram muitas máscaras, muitas camadas, muitas histórias, alegrias e aventuras”, comenta Vasconcelos.

 

“Há também a máscara que diferencia a personagem do homem, ou até mesmo a máscara que coloco quando me posiciono como figura pública. É uma grade metáfora.”O ator, que é ‘baritenor’ (cantor capaz de alcançar notas agudas e graves), sedimentou, ao longo dos anos, amizades que prometem perdurar, como Sara Sarres e Kiara Sasso, que se revezavam como seu par em Fantasma; Marcos Tumura, talentoso ator precocemente morto; Cleto Bacic, com quem dividiu o palco (em La Mancha) e a administração do curso de teatro musical criado no Sesi-SP.

 

Saulo Vasconcelos vê seu livro como as memórias de alguém que viveu o improvável. “Estive no lugar certo, na hora certa, na época certa, quando, em 1999, estava em São Paulo.” (Estadão Conteúdo)

Por trás das máscaras
• Saulo Vasconcelos
• Editora Chiado
• 168 págs.
• R$ 39

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