Pabllo Vittar: 'o momento é tão triste que o disco é um presente para o fã'

Cantora e drag queen Pabllo Vittar acaba de lançar o novo disco da carreira, 'Não para não', investindo em ritmos do Norte e do Nordeste

por Correio Braziliense 14/10/2018 15:44
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(foto: Divulgação )

Pabllo Vittar está de volta e, desta vez, trouxe a pluralidade da música brasileira na bagagem. A cantora de 23 anos lançou, em 5 de outubro, o disco Não para não. O trabalho é o segundo álbum de estúdio da carreira da drag queen, e conta com 10 composições, repletas de influências do axé, do forró e do brega.

O sucesso do CD chegou cedo: Não para não é a primeira produção de um artista brasileiro a emplacar todas as faixas na lista das 50 músicas mais ouvidas no país pelo Spotify. Além disso, o primeiro single divulgado, Problema seu, conta com cerca de 42 milhões de visualizações no YouTube. O vídeo Disk me, outro single divulgado recentemente, também alcançou grandes números: 12 milhões de visualizações em menos de uma semana. Em entrevista exclusiva ao Correio, Pabllo Vittar falou sobre o processo de criação do disco, as parcerias (o CD tem nomes como Ludmilla e Dilsinho) e as referências musicais.

“Desde o ano passado, eu falei que queria trazer minhas referências de infância e de adolescência para o disco”, explica a artista. Os primeiros anos da vida no Maranhão, estado natal de Pabllo Vittar, e parte da juventude no Pará foram as maiores inspirações da cantora para as faixas do CD.

Forró, eletro pagode, guitarrada, axé e brega: esses são os ritmos que marcaram a vida de Pabllo Vittar e apareceram com tudo nas composições — com pitadas de pop e música eletrônica. “Temos muitos ritmos lindos e ricos. Às vezes, a gente acaba consumindo tanta música de fora que se esquece. Então, esse álbum foi pra trazer à tona todas essas referências que são tão lindas”, continua.
 
Como foi a reação do público com o lançamento de Não para não? Todas as músicas entraram no Top 50 do Spotify e quatro delas no top 10. Você esperava uma reação tão positiva?
Menina, eu acredito muito no nosso trabalho. A gente vem desenvolvendo esse álbum faz um ano, né. A gente nunca sabe o que os fãs vão esperar, se eles vão gostar, se não vão.... Eu venho acompanhando na internet todo o rolê do álbum. Eles estavam muito ansiosos, assim como eu. Quando eu vi que as músicas tinham entrado todas no top 50, fiquei muito feliz e agradeci muito a Deus, muito aos meus fãs. É legal quando você sonha em ter um projeto lançado e as pessoas recebem dessa forma.

Como foi o processo de criação do disco? Você pensou em algum conceito específico?
No conceito criativo, a gente quis trazer toda a minha brasilidade, tudo o que eu tenho de Brasil na minha veia, de Nordeste. E com essa pegada pop que eu amo, não ia deixar de misturar com meu tecnobrega, com meu forró, com meu axé. O conceito foi trazer toda essa brasilidade e exaltar mesmo a música nacional. Eu acho que a gente tem tantos ritmos lindos e ricos. Às vezes, acabamos consumindo tanta música de fora que se esquece. Esse álbum foi pra trazer à tona todas essas referências que são tão lindas.

O brega tomou conta do CD! Você já havia incorporado o ritmo em algumas canções do primeiro disco, mas agora o estilo voltou com tudo. Por que você investiu nesse estilo?
Sim, desde o ano passado, eu falei que queria trazer minhas referências de infância, de adolescência. Eu morei 13 anos no Pará, e lá eu escutava de tudo, tecnobrega, as guitarradas e o calypso. Morei no Maranhão, meu estado de origem, e ouvia muito forró, swingueira, axé baiano, pagodão. Eu quis trazer todas as referências da minha infância, que lembrava com tanto carinho. Escuto essas músicas até hoje. Eu queria muito trazer essas referências por meu segundo álbum. Conversei com o (Rodrigo) Gorky, que é meu produtor, e com os meninos do Bravo Music, que trabalham com a gente nesse processo criativo, e eles me deram o aval para trazer toda essa sensibilidade que eu tinha na música, e eu estou muito feliz que deu certo.

As parcerias também foram um ponto marcante do CD, e vão do funk, com Ludmilla, passando pelo pop, com Urias, e chegando ao pagode, com Dilsinho. Como você pensou nos nomes?
Da Urias, eu não tenho nem o que falar. Minha gata me conhece desde quando eu era uma drag iniciante lá em Uberlândia, me montando para balada. Ela viu os perrengues que eu passei e hoje em dia está me vendo crescer. Agora, eu ganhei a chance de ver ela crescer também. Temos muito carinho uma pela outra. Essa música (Ouro) é como se fosse uma tatuagem de amizade minha e da Urias, porque na letra a gente fala desse apoio que a gente tem que ter com as pessoas que estão com a gente desde o começo, que é tão fundamental e é tão lindo. Ela é muito talentosa, vocês vão ouvir falar muito dela ainda.

E Dilsinho e Ludmilla?
O Dilsinho é um gato! Eu o conheci ano passado num programa que fui fazer no Multishow e a gente tinha que cantar junto. Para você ver como é babado e como o destino une as pessoas. Eu cheguei lá, a gente ensaiou a música e cantou e eu falei: ‘Caramba, as nossas vozes ficam muito bem juntas!’. Daí a gente ficou brincando, falando que íamos fazer alguma música. O Dilsinho está só crescendo. A música que eu escolhi pra fazer com ele (Trago seu amor de volta) tem muito a ver com ele e muito a ver comigo. Com a Ludmilla foi assim: a gente tinha acabado de fazer um show,  fomos para o hotel e eu falei: ‘Lud, vou lançar um álbum novo. Vou te mandar uma demo, vamos gravar’. Mandei a demo para ela e ela aceitou. Tudo que ela faz é muito genuíno, cria as coisas do nada. Ela é maravilhosa e muito minha amiga também. A parceria com ela (Vai embora) é uma das minhas faixas favoritas, inclusive.

Entre as músicas do disco, você tem alguma favorita? Por quê?
Eu amo todas as faixas! Mas em Seu crime, na hora que vira o forrozão, eu vou para o Maranhão e me imagino com 10 anos de idade. Eu amo essa música e tenho um xodozinho por ela.

O clipe de Disk me é bem diferente dos outros. No que você pensou para esse projeto?
A direção desse clipe é dos meninos dOs Primos. A gente bebeu muito da fonte da Lana Del Rey, um clima mais sofrência, mas não é uma sofrência clássica. No clipe, quis mostrar um outro lado: a gente pode sim sofrer por amor, mas a gente não pode deixar isso abater a gente. É um dos meus favoritos da carreira

Vem clipe novo por aí?
A gente vai trabalhar com Disk me agora. Estamos ensaiando para a nova turnê, está pegando fogo já! Vamos estrear em São Paulo, no dia do meu aniversário, 1º de novembro. Vai ser o primeiro show, e aí a gente vai rodar o Brasil todo.

Você divulgou o disco justamente em um momento de instabilidade política e fortes discussões sociais. Qual é a importância de trazer esse trabalho, nesse momento, para a população LGBTQ+?
Quando a gente começou a trabalhar este álbum e as datas de lançamento, nem tinha notado que ia cair em data de eleição. Mas eu fiquei muito feliz, porque a gente está passando por um momento tão triste, tão escuro e esse álbum vem como um presente para os meus fãs. Não só para a comunidade LGBTQ , que está passando por um momento de medo, a gente não sabe o que vai fazer, o que vai acontecer no outro dia. Mas esse álbum veio para tentar unir a gente, tentar deixar a gente mais forte, porque ainda dá tempo de virar esse jogo. Eu tenho muita fé. Não gosto nem de ficar pensando muito sobre isso, mas tenho muita fé que a gente vai conseguir vencer sim.

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