Tema de show e musical, bossa nova é a estrela do fim de semana em BH

Sesc Palladium recebe musical sobre a história do gênero e show de Daniel Jobim e com o guitarrista norte-americano John Pizzarelli

por Ana Clara Brant 09/03/2018 10:02

Caio Gallucci/Divulgação
Cláudio Lins (foto) protagoniza 'O musical da bossa nova'. (foto: Caio Gallucci/Divulgação)

A bossa nova não nasceu da noite para o dia, mas tem um marco: o lançamento, em 1958, do LP Canção do amor demais, de Elizeth Cardoso, que trazia o clássico Chega de saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) com a participação de João Gilberto. “Elizeth não era necessariamente uma cantora estilo bossa nova, porque tinha potência vocal muito grande, mas era especialista em gravar novos compositores, como foi o caso do Tom. Esse disco registrou a famosa batidinha do violão do João Gilberto. Não deixa de ser um começo”, afirma o ator e cantor Cláudio Lins.

 

Cláudio é um dos protagonistas de O musical da bossa nova, que ficará em cartaz nesta sexta-feira (9) e no sábado (10), no Sesc Palladium. O espetáculo aborda a história do gênero e sua importância para a cultura brasileira. Domingo (11), o mesmo teatro recebe Daniel Jobim, neto de Tom, e o guitarrista norte-americano John Pizzarelli. O show celebra os 50 anos do icônico disco Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim (1967). Gravado nos EUA, o repertório reúne versões em inglês de Garota de Ipanema, Dindi e Corcovado, entre outros clássicos.

 

“Bacana saber que BH vai respirar bossa nova no fim de semana. Vou tentar me encontrar com o Daniel Jobim. Quando éramos adolescentes, tivemos uma banda de música brasileira contemporânea, a Paca Tatu Cotia Não. Certa vez, eu devia ter uns 15 anos, a gente saiu do ensaio, num sábado, em Ipanema, e o Daniel comentou que o avô dele estava num restaurante. Conheci o Tom naquela ocasião. Não me lembro de ficar tão nervoso diante de alguém, mas foi maravilhoso. Tom Jobim era um vovô, um contador de histórias”, revela Cláudio.

 

CURIOSIDADES Dirigido por Sérgio Módena (de Ricardo III e A arte da comédia), o musical aborda de histórias e curiosidades sobre o termo bossa nova aos motivos que tornaram o gênero mundialmente famoso. 

 

Nenhum ator tem papel fixo. O elenco vai assumindo personagens conforme o musical vai se desenrolando ao longo de 90 minutos. “Tem hora que faço o Tom Jobim, em outro momento interpreto o João Gilberto, mas de maneira discreta, sem ser explícito”, observa Cláudio. Os artistas interpretam uma coleção de clássicos: Samba de uma nota só (Tom Jobim e Newton Mendonça), Ela é carioca (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Samba da minha terra (Dorival Caymmi), O barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), Minha namorada (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes), Garota de Ipanema (Tom e Vinicius) e Samba de verão (Marcos e Paulo Sérgio Valle).

 

Filho do compositor Ivan Lins e da atriz e cantora Lucinha Lins, Cláudio conta que a música sempre fez parte de sua vida e a bossa nova é uma de suas referências. Na opinião dele, o sucesso do ritmo, 60 anos depois de seu surgimento, deve-se à qualidade estética.

Caio Gallucci/Divulgação
O musical da bossa nova, em cartaz no Sesc Palladium, relembra clássicos brasileiros que conquistaram o mundo. (foto: Caio Gallucci/Divulgação)

CRISTAL Cláudio Lins, de 45 anos, estreou em musicais com apenas 11, no espetáculo Sapatinho de cristal. “Ele era dirigido pelo Cláudio Tovar, meu padastro, que trouxe o teatro para dentro da minha casa. Meus irmãos participaram, os filhos de amigos também. Foi legal.”

 

Posteriormente, vieram outras produções do gênero, como Hilda Furacão (do diretor mineiro Marcelo Andrade), Frisson e Tia Zulmira e nós. “O divisor de águas, pra mim, foi a Ópera do malandro, em 2003, do Charles Möeller e Cláudio Botelho. Ali a gente já estava começando a desenhar o que seria o mercado de musicais nos dias de hoje. Participei um pouco dessa semente”, diz.

 

O elenco de O musical da bossa nova traz ainda Marcelo Várzea, Jullie, o ator italiano Nicola Lama, Andrea Marquee, Ariane Souza, Eduarda Fadini, Stephanie Serrat, Tadeu Freitas e Juliana Marins. 

 

Em 1967, Frank Sinatra e Tom Jobim gravaram o icônico disco Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, nos Estados Unidos. Com arranjos de Claus Ogerman, o álbum traz as obras-primas Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), I concentrate on you (Cole Porter) e Baubles, bangles and beads (Robert C. Wright, George Forrest e Alexander Borodin).

Fã da dupla, o norte-americano John Pizzarelli prestou homenagem aos ídolos em Sinatra & Jobim @ 50. O disco tem canções do álbum original, além de Two kites e Bonita, ambas de Tom. Daniel Jobim, neto do compositor carioca, participou do projeto.

“Conheço o Pizzarelli há algum tempo. A gente já tinha gravado antes e o produtor dele me convidou para participar do disco e da turnê. Foi bem interessante, porque o John estava no estúdio americano e eu gravando aqui no sítio em São José do Vale do Rio Preto, na Região Serrana do Rio de Janeiro (o local inspirou Águas de março). A tecnologia ajudou bastante”, comenta Daniel.

Além dele, Pizzarelli estará acompanhado de Andy Watson (bateria), Konrad Paszkudzki (piano) e Mike Karn (baixo). A turnê do americano já passou pela Europa, Canadá e Estados Unidos. A estreia brasileira ocorreu em Fortaleza (CE), em 2 de março, e seguiu para Recife, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. O encerramento será no domingo (11), em BH.

“Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim ficou tão emblemático porque conseguiu juntar o maior do Brasil com o maior dos EUA, além do Claus Ogerman, um dos maiores arranjadores do mundo. E foi ótimo para a carreira do Tom e do Sinatra. É um marco na história da música”, conclui Daniel Jobim.

Três perguntas para...

John Pizzarelli
músico

Como começou o seu relacionamento com a música brasileira? De que maneira a bossa nova o influenciou?

Não me lembro de qual foi o primeiro contato que tive com a música brasileira, mas acredito que a grande reviravolta foi o álbum Amoroso (1977), do João Gilberto. Adoro a forma como o violão é peça principal na bossa nova. Tão importante quanto as cordas, a percussão ou qualquer outra coisa. É muito inspirador.

Por que você é tão querido pelo público brasileiro?

Não sei o motivo, mas estou realmente agradecido. A primeira vez que vim ao Brasil foi para participar do Free Jazz Festival, em 1996. Desde então, acho que vocês veem o meu amor pela música e apreciam isso. Os shows e aparições no Brasil são sempre o ponto alto do meu ano.

Como será o show em Belo Horizonte?

Estou muito animado por trazer a minha música para a cidade natal de Toninho Horta, um dos meus heróis da guitarra. Toninho é um verdadeiro gigante da indústria da música. Sua arte é do mais alto nível. Só posso esperar ser um terço disso.

 

O MUSICAL DA BOSSA NOVA

Nesta sexta-feira (9), às 20h30; sábado (10), às 17h e às 20h30. Grande Teatro do Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro. Plateia 1: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia-entrada). Plateia 2: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia). Plateia 3: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Vendas on-line: www.ingressorapido.com.br. Informações: (31) 3270-8100.

 

JOHN PIZZARELLI
Domingo (11), às 19h. Grande Teatro do Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro 1.046, Centro. Plateia 1: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia). Plateia 2: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia). Plateia 3: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia). Vendas on-line: www.ingressorapido.com.br. Informações: (31) 3270-8100.

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