Aline Calixto, Sérgio Pererê, banda Tianastácia e Coral Lírico cantam para a BH que os inspira

Os artistas mostram os cantinhos especiais que a cidade lhes oferece para a homenagear nestes 120 anos

por Renan Damasceno , Ana Clara Brant Mariana Peixoto 12/12/2017 08:07

Cantinhos especiais de Belo Horizonte inspiram o canto de Aline Calixto, Sérgio Pererê, Coral Lírico de Minas Gerais e da banda Tianastácia. A convite do Estado de Minas, eles se apresentaram nesses locais para homenagear os 120 anos da cidade,  comemorados nesta terça-feira. Todos garantem: a música está no ar, seja na Praça da Estação, no antigo campinho do Bairro Novo Glória, junto dos passarinhos do Parque Municipal e também na Praça do Papa, aos pés da Serra do Curral.  


O campo de meditação


Para Sérgio Pererê, voltar ao campo do Danúbio, no Bairro Novo Glória, Região Noroeste de BH, significa mais do que volta às origens. É um reencontro com a sua própria música. Foi naquele campo de terra batida, ouvindo os ventos e observando pássaros e urubus, que o cantor e multi-instrumentista desenvolveu a identidade de suas composições.


“Aqui era o meu campo de meditação. Vinha para cá à tarde, vivenciava esse vento falante. Ele fala. Quem acompanha minha carreira, minha escrita, vai perceber que alguns elementos são fundamentais: falo muito do voo, do velho, do menino e das estrelas. O vento também aparece muito na minha música”, explica Pererê.

Enquanto observa o horizonte, ele explica o movimento dos urubus, que diariamente faziam o percurso entre o Novo Glória e a região do Bairro Castelo. “Aqui é como se fosse o alto da montanha. Se a gente for procurar culturas milenares – incas, maias, povos africanos... No Brasil, os africanos fizeram quilombos no alto da serra. Então, subir a serra é muito forte, é vida, resistência”, conta.

Coordenador da Associação Cultural Tambolelê, Sérgio acaba de lançar Viamão, seu quinto disco autoral. A carreira começou na década de 1990, sempre marcada pela cultura afro-brasileira. A casa de Pererê sempre foi uma referência no bairro por causa de sua mãe, a benzedeira dona Fininha, que morreu em setembro do ano passado. “Ela benzia todas as crianças – quebranto, vento virado… Minha mãe era uma grande xamã dessa região. Todo mundo do bairro passou por nossa casa”, revela.

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Sérgio Pererê no campo do Danúbio, no Bairro Novo Glória. (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)



O palco político

A cantora Aline Calixto, de 37 anos, nasceu no Rio de Janeiro. Porém, como se mudou bem pequena para Belo Horizonte, não tem dúvida: é mineira. “Só nasci lá. Meu pai é carioca e minha mãe é de Catas Altas da Noruega, perto de Conselheiro Lafaiete. BH é a minha cidade”, afirma ela, que também morou em Viçosa, onde fez faculdade.

A Praça da Estação é um canto especial para Aline. “É um espaço muito importante pra mim, pra BH e pra Minas. E é um palco político, onde todo mundo transita”, frisa. Movimentos sociais, como o Praia da Estação, estão sempre na agenda dela. Nessa ocupação urbana, foliões e ativistas que lutam pela democratização dos espaços públicos vestem maiôs, biquínis e calções para curtir a “praia de BH”, com direito a música e jatos de água.

“Sem contar que já fiz alguns shows na Praça da Estação. Um deles, em 2012, marcou muito. Foi a primeira vez que cantei ao lado do Milton Nascimento e ainda teve a participação do Carlinhos Brown. Foi lindo”, recorda.

A Praça da Estação é o canto escolhido por Aline para mostrar seu amor pela cidade. Ao lado do percussionista Robson Batata, com quem se apresenta há oito anos, ela cantou Tudo que sou (Toninho Geraes e Toninho Nascimento), gravada em um de seus discos. A letra diz: “Nada de ser mais ou menos/ Eu sou sempre tudo que sou/ Não sou de pegar sereno/ Eu me molho é na chuva de amor”.

Para Aline, essa canção tem muito a ver com o belo-horizontino e com o mineiro. “A gente é o que é. Quis prestigiar os compositores, a música daqui. Temos que valorizar o que é nosso porque temos muita coisa boa”, afirma.

 

Leandro Couri/EM/D.A Press
Robson Batata e Aline Calixto na Praça da Estação. (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press )
 


O ‘Berço’ do Rock

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Beto, Podé, Maurinho e Antônio Júlio Nastácia na Praça do Papa. (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Bondosa
Era tão
Longe. Tão longe
Ouro distante.

        Distante todas as serras
        Num Belo Horizonte (2x)

Hoje o sonho longe
Onde moro é perto
Realizo a vida,
Indo aonde quero
Zoando quem não sabe,
Onde sol se esconde
Nada disso importa,
Tudo é horizonte
Eu vou descendo a serra


Fica claro, numa leitura rápida, que Bondosa (Beto, Podé e Maurinho Nastácia) é uma canção sobre Belo Horizonte. Mas preste atenção na primeira e na terceira estrofes. As iniciais de cada verso formam a palavra Belo Horizonte. Em 2003, o acróstico foi registrado pela banda Tianastácia no álbum Na boca do sapo tem dente.

A letra fala de serra, sol e distância. Não há como não relacioná-la à Serra do Curral. E foi aos pés dela que os irmãos Beto (baixo) e Antônio Júlio (guitarra), então garotos mal entrados na adolescência, decidiram ser músicos.

“A gente estava andando de bicicleta na Praça do Papa quando resolveu ter uma banda de rock”, conta Beto Nastácia, que mora no Bairro das Mangabeiras. Essa história já vai para quase 30 anos – só de trajetória oficial, o Tianastácia tem 21.

A banda, que conta ainda com os vocalistas Podé e Maurinho e o baterista Alexandre Vermelho, já fez uma série de shows na Praça do Papa. Dessa maneira, não poderia escolher outro local para homenagear a capital.

Vizinho dos pássaros
Beto Novaes/EM/D.A Press
Maestrina Lara Tanaka e o Coral Lírico no Parque Municipal. (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)

Dividir a vizinhança com o canto dos pássaros vindo do Parque Municipal é parte da rotina do Coral Lírico de Minas Gerais, que ensaia no Palácio das Artes sob regência da maestrina Lara Tanaka.

“É um prazer estar aqui neste canto, o parque, do lado da nossa casa de trabalho. Somos privilegiados por ter esse lugar maravilhoso, arborizado. Isso nos estimula a fazer música todos os dias, da melhor forma”, conta Lara. Ela preparou um repertório de composições mineiras para o vídeo gravado a convite do Estado de Minas.

“Somos privilegiados, pois estamos no centro de um estado com tradição em canto coral. Temos grandes solistas, uma grande qualidade. Minas é polo de excelentes cantores”, lembra a maestrina. “Há grandes compositores nascidos aqui em BH, como o Clube da Esquina. Há dois anos, participamos de um show do Milton Nascimento. Foi gratificante fazer a música que é nossa. A cada canto a gente se identifica com os cantos de Minas”, conclui. 

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