Concerto 'Árias e canções' reúne repertório lírico no Palácio das Artes

Os solistas Dom, Cristian Lanza e Silvia Rampazzo se apresentam com a Sinfônica de MG nesta quarta-feira, 22, no Grande Teatro

por Pedro Galvão 22/11/2017 08:20
FCS/Divulgação
Com carreira na música sertaneja em dupla com seu irmão, Juan, o tenor Dom exercita suas habilidades no canto lírico em apresentação no Grande Teatro do Palácio das Artes. (foto: FCS/Divulgação)

Natural de Varginha, Roberval Cardoso ficou famoso como Don, parceiro do irmão, Juan, na dupla sertaneja e no programa exibido aos sábados pela TV Alterosa – Don & Juan e sua história. No entanto, ele assume outro nome artístico (Dom, trocando a letra “n” pelo “m”) para uma atuação musical bem diferente. Don também é tenor, com formação erudita e concertos realizados no exterior. Nesta quarta-feira (22), o público de BH terá a oportunidade de conhecer essa faceta do artista, no Palácio das Artes. Além de Dom, os cantores líricos italianos Cristian Lanza e Silvia Rampazzo também se apresentam, ao lado da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico de Minas Gerais, sob a regência do maestro convidado Igor Budinstein (Alemanha), em mais uma edição da Sinfônica em Concerto.


Na ativa oficialmente como dupla desde 2004, Don & Juan passaram a ocupar um lugar de destaque no cenário da música sertaneja de Minas Gerais. Embalados por sucessos como Diga sim pra mim, se tornaram presença constante em festivais e exposições pelo interior e na capital. Influenciados pelo pai, os dois se interessaram cedo pela música e começaram a cantar juntos ainda na infância. Com um problema nas cordas vocais no fim da adolescência, Don foi encaminhado por seu médico para a maestrina Neide Ziviani, professora de canto clássico no Palácio das Artes. O que seria um tratamento acabou se transformando na descoberta de um talento a mais na voz do jovem.

 

 

“Eu nunca tive contato com música clássica antes. Fazia preparação vocal com ela, que identificou em mim uma voz de tenor. Não havia nenhum outro tenor entre os alunos dela, e olha que a turma era boa – tinha o Samuel Rosa e o Rogério (Flausino), do Jota Quest. Então, comecei a fazer os estudos, desenvolver técnicas e, aí, tomei paixão pela coisa”, conta Don, que ingressou no Palácio em 1998 e continuou os estudos de canto lírico e piano clássico na Alemanha. Foram seis anos de especializações e apresentações, mas a música clássica foi deixada de lado em razão do convite feito pelo irmão Rogério Cardoso, o Juan, para formar a dupla, que logo virou sucesso, impondo uma movimentada agenda de ensaios, shows e gravações.

PARCERIA Nos últimos anos, com a trajetória sertaneja consolidada, CDs e DVDs lançados e parcerias com produtores de outros países, como no clipe de La vida, gravado em Los Angeles, em 2013, Don está expandindo sua atuação na música. Neste ano, ele gravou o CD solo Dom clássicos, cantando algumas das canções mais conhecidas da MPB. Em maio, surgiu o convite da parceria entre o consulado alemão no Brasil e o consulado brasileiro em Dusseldorf para a turnê lírica na Europa. Por lá, ele interpretou canções brasileiras e árias de ópera, ao lado de orquestras locais. Dom se apresentou com a solista Silvia Rampazzo e o também tenor Cristian Lanza, sob regência de Budinstein. Dois meses após o tour pelo Velho Continente, os consulados trazem o concerto Árias e canções à capital mineira.


Depois de uma exibição gratuita de trechos do repertório no Sinfônica ao Meio-Dia de ontem, eles voltam ao palco do Grande Teatro hoje à noite para apresentar o programa integral. Formado majoritariamente por clássicos como O sole mio (de Di Capua) e La donna è mobile (de Rigoletto), a apresentação de cerca de uma hora inclui Garota de Ipanema e Aquarela brasileira, que serão interpretadas por Dom. O mineiro ainda participa em algumas das árias estrangeiras.
“Enche-me de orgulho estar numa apresentação tão grandiosa como essa, a preços populares. Silvia e Cristian são dois dos principais intérpretes líricos do mundo. Esse maestro alemão já regeu grandes orquestras de vários países e se impressionou com a qualidade da nossa orquestra de Minas Gerais. As pessoas falam que não temos cultura de música clássica no Brasil, mas é porque ela não é acessível. Concertos costumam custar R$ 200, R$ 300, R$ 400, e esse espetáculo, graças a essa parceria com os consulados, é totalmente acessível, por R$ 20”, afirma.


Apesar da retomada da carreira lírica, o cantor garante que a dupla sertaneja segue em frente. Ele até acena com a possibilidade do casamento entre os dois estilos. “Minha formação musical é clássica, mas minha origem é sertaneja. Hoje em dia, não temos mais grandes fronteiras entre os ritmos. Em 2014, ainda sem nenhuma pretensão de voltar a cantar ópera, gravamos Don e Juan e orquestra, que são clássicos sertanejos dos anos 1950, 1960 e 1970, com arranjos de orquestra. É um projeto lindo, que ainda não lançamos. Estamos esperando o momento, e o CD vai sair junto com um DVD”, adianta Roberval, o “Don” ao lado das violas e “Dom” acompanhado pelas orquestras.

 

SINFÔNICA EM CONCERTO
Com Orquestra Sinfônica e Coral Lírico de Minas Gerais. Solistas: Dom, Cristian Lanza e Silvia Rampazzo. Regência: Igor Budinstein. Quarta-feira, 22, às 20h30, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Mais informações: (31) 3236-7400

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