90 anos de Tom Jobim são lembrados em gravações de novos cantores

Novos trabalhos de Júlia Vargas, Alice Caymmi e a portuguesa Carminho atualizam o repertório do maestro

por Cecília Emiliana 01/11/2017 08:36
ANA LONTRA JOBIM/DIVULGAÇÃO
(foto: ANA LONTRA JOBIM/DIVULGAÇÃO)
“Toda pessoa muito conhecida como você é, no fundo, o grande desconhecido. Qual é a sua face oculta?”, pergunta Clarice Lispector (1920-1977) a Antônio Carlos Jobim (1927-1994). Publicado na extinta revista Manchete, o diálogo é de setembro de 1968. Clarice foi a jornalista eleita para aquela edição do semanário, que, entre 1960 e 1970, trouxe uma série de entrevistas conduzidas por personalidades da cultura e da política.


“A música. Essa é a minha face oculta”, respondeu o maestro à escritora. “O piano no quarto escuro me ofereceu um mundo insuspeitado de ampla liberdade. As notas eram todas disponíveis, e eu antevi que se abriam os caminhos, que tudo era lícito e que se poderia ir a qualquer lugar”, disse o compositor, então com 41 anos.

Quase cinco décadas depois, as numerosas e inventivas facetas de Tom Jobim seguem levando artistas de diversas gerações a lugares inusitados. É o que dizem aqueles que decidiram homenageá-lo neste ano – o nonagésimo de seu nascimento. Ao menos quatro projetos foram lançados em 2017 em referência à data. São trabalhos que envolvem desde artistas que chegaram a trabalhar ao lado do célebre compositor, como o maestro Mário Adnet e o cantor Danilo Caymmi, ao jovem cantor Luiz Pié, de 27 anos.


O mais recente lançamento, Jobim - orquestra e convidados, composto de CD e DVD, é assinado por Mário Adnet e Paulo Jobim (filho de Tom) e conta com a participação de nove jovens músicos convidados, como Alice Caymmi, Júlia Vargas,Vicente Nucci e o já citado Pié.

Quase todo o set list de 13 faixas foi montado com as canções mais conhecidas do maestro brasileiro, como Chega de saudade, Águas de março, Desafinado e Eu te amo. Segundo Adnet, a escolha por esse repertório foi guiada pelo frescor que essas canções, mesmo interpretadas incontáveis vezes, ainda carregam.

“É uma maravilha mexer nas partituras do Tom. À medida que a gente vai mexendo, vai descobrindo coisas. Parece que ele deixou uns tesourinhos escondidos. Sempre tem uma sonoridade, uma harmonia ali, que, de repente, parece que ‘salta’. Tom nunca parou de compor a própria obra. Por exemplo, se você pegar um Desafinado, que ele fez em 1957, muita coisa mudou de lá pra cá. As harmonias foram evoluindo. E, ao longo dos anos, ele ia acrescentando acordes novos, passagens novas, mais modernas, de maneira que, quando ele morreu, em 1994, deixou um legado muito fresquinho”, observa Adnet.

As novas caras musicais convidadas para participar do disco contribuíram com o objetivo de dar às canções vigor extra. Voz da faixa Chega de saudade, o fluminense Alfredo Del-Penho considera Tom Jobim uma de suas maiores referências. “Não tem como ser músico brasileiro e não se debruçar sobre a obra dele, que, além de ser moderna, é eterna. Fiquei muito honrado com o convite do Adnet”, diz.

Parceiro de Adnet em Jobim sinfônico, disco orquestral com músicas de Tom Jobim lançado em 2003, Paulo Jobim aprova o fôlego que artistas jovens têm acrescentado ao trabalho de seu pai. “É tanta gente legal, afinada e, além de tudo, tão acolhedora à obra dele chegando no mercado. Acho que ele ficaria feliz de ver isso, assim como eu fico”, afirma o arranjador.

FADISTA BOSSA-NOVA Aos 33 anos, a cantora portuguesa Carminho – que já figurou em duetos de ícones brasileiros da MPB como Chico Buarque, Marisa Monte e Maria Betânia – também registrou em disco a admiração por Tom Jobim. Lançado no fim de dezembro de 2016, Carminho canta Jobim traz 14 faixas do repertório do maestro. Tendo desembarcado no mercado brasileiro por meio da novela global Novo Mundo, cujo tema era Meu amor marinheiro, Carminho não derramou a tristeza do fado sobre o cancioneiro jobiniano. Ela manteve o tom da bossa nova, mas, ao mesmo tempo, deu uma identidade bem peculiar a composições como O que tinha de ser, Sabiá e Wave.

Com participação especial de Ivan Lins, o álbum Piano, voz e Jobim, dos cantores e compositores Augusto Martins e Paulo Malaguti Pauleira, lançado no início de outubro, traz um tom mais singelo, com um toque de improviso. Estrada do sol, parceria de Tom e Dolores Duran, e Demais estão no repertório.

Live in Italia – Omaggio a Jobim
é o tributo do casal de músicos Paula e Jaques Morelenbaum, lançado em setembro. Íntimo do repertório de Tom, o casal chegou a tocar com ele por mais de 10 anos. Gravado ao vivo na Itália, conforme indica o título, o disco nasceu de outra reverência feita ao maestro durante o Padova Jazz.

TRIBUTOS

Jobim – orquestra e convidados

Artistas: Mário Adnet e Paulo Jobim, com participação de Alfredo Del-Penho, Alice Caymmi, Antônia Adnet, Daniel Jobim, Dora Morelenbaum, Júlia Vargas, Luiz Pié, Vicente Nucci e Yamandu Costa
Gravadora: Biscoito Fino
Preço sugerido: R$ 51,90

Piano, voz e Jobim


Artistas: Augusto Martins e
Paulo Malaguti Pauleira
Gravadora: Biscoito Fino
Preço sugerido: R$ 26,90

Carminho canta
TOM Jobim


Artista: Carminho
Gravadora: Biscoito Fino
Preço sugerido: R$ 27,90

Danilo Caymmi
canta Tom Jobim

 

Artista: Danilo Caymmi
Gravadora: Universal
Preço sugerido: R$ 29,90

Live in Italia – Omaggio a Jobim


Artistas: Paula e Jaques Morelenbaum –
Gravadora: Biscoito fino
Preço sugerido: R$ 29,90

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