Rodrigo Pitta se inspira nos ritmos de São Paulo para o álbum 'Estados alterados'

Processos que levam à alteração dos sentidos são base na criação de faixas do artista

por Kiko Ferreira 22/07/2013 00:13

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Marcos Ribas/Divulgacao
(foto: Marcos Ribas/Divulgacao)
Disco de estreia do compositor, cantor e produtor Rodrigo Pitta,' Estados alterados' foi gravado no Rio de Janeiro e masterizado no Japão. Mas tem toda a cara (e som) de São Paulo. Produzido por Arto Lindsay, o mais pernambucano dos americanos, exibe como tema capital 'Sambas alterados', incluída na trilha da novela global 'Amor à vida'. Não por acaso, a faixa, que ganhou eficiente clipe gravado na Ponte Estaiada, na capital paulista, traz intervenção de Edi Rock, dos Racionais MCs, recitando a letra de 'Sampa', de Caetano Veloso.

Lançado com um “show-experiência” com 10 horas de duração, o trabalho é assim definido pelo autor: “São diversas as químicas que nos levam a estados alterados. O amor é uma delas. A dor também”. Há também música para dançar, temas do candomblé, drogas e suas alterações de consciência e senso de realidade. E a própria vida urbana com seus variados estados de ser, estar, permanecer e ficar.

As bases do trabalho de Pitta podem ser ouvidas no disco 'Modernidade', de Lulo Scroback, lançado em 2001. Diretor, aos 22 anos, do bem-sucedido musical 'Cazas de Cazuza', Rodrigo Pitta compôs a maior parte das músicas e ajudou a moldar a sonoridade do disco, que não vingou como produto, mas chamou a atenção da crítica para o autor de temas de pegada pop muito acima da média nacional.

Simultaneamente à chegada de 'Estados alterados', Pitta criou e produziu mais três clipes, rodados em espaços emblemáticos de São Paulo, como o Edifício Copan, a linha amarela e o metrô, usado como metáfora para a música underground que corre pelos subterrâneos da cidade.

A “melancolia urbana, às vezes árida, às vezes suave e melódica” de que fala o autor foi traduzida com felicidade num trabalho que teve dois anos de gestação, entre março de 2011 e março de 2013. Entre os músicos, o multi-instrumentista Rodrigo Coelho (guitarra, baixo, teclados, programações, sequenciadores), o baixista Bruno Di Lullo (que toca com Gal Costa) e o baterista e percussionista Rafael Rocha (banda Tono), além de participações dos DJs Cuca e Carlomagno e do tecladista Alberto Continentino. E ainda tem a cantora cult Cibelle em dueto com o autor em Água tudo. O DJ Mau Mau é responsável pelo remix de Metrô, que encerra o álbum.

Da morbidez romântica de 'Blue tuesday', única canção em inglês, ao mix de house e rock de 'Caos', o álbum traz a brasilidade nordestina de 'Água tudo' e 'Eletroquímico' e as climáticas e autoexplicativas 'Estados alterados', 'Bad trip' e 'Minha cabeça, meu avião' como sintomas de que as viagens de Rodrigo Pitta mostram um autor seguro de suas rotas e (des)ilusões.

 

Assista ao clipe de 'Metrô':

 

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