Prodígios mineiros se preparam desce cedo para a carreira artística

Com o apoio dos pais, jovens estudam canto, fazem teatro, gravam discos e lutam por espaço no mundo do espetáculo

por Ana Clara Brant 22/07/2013 00:13

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Eleuza Ribeiro/Divulgacao
Isa Santana: aos 14 anos, carreira como cantora e compositora já começa a decolar (foto: Eleuza Ribeiro/Divulgacao)
Nenhum deles sonhou ser médico, engenheiro, advogado ou jogador de futebol. Desde pequeninos, encantaram-se pelos palcos e estão decididos, por iniciativa própria, a seguir a árdua carreira. Os pais dão um apoio incondicional.


“Lembro-me de passear no shopping com a minha filha quando ela era criança. Em vez de entrar numa loja de brinquedos, ela ia direto para a loja de instrumentos. Com apenas 5 anos, pediu um violão que era até o dobro dela”, conta Adelvar Salvador, pai da adolescente Isa Santana, de 14 anos. Cantora, violonista e compositora, ela se prepara para lançar o primeiro CD comercial.

Nem Adelvar nem a mulher, Rosângela, são artistas. O casal apoia e entende a escolha da filha. Ele se tornou empresário da garota e brinca que tem garantido o “paitrocínio”. “Sempre percebemos a aptidão da Isa e ficamos muito felizes e realizados. Mas sem esquecer que ela tem de estudar, descansar e brincar com as amigas. Há hora para tudo, mas vamos fazer o possível para ajudá-la a seguir essa trajetória. É o que ela quer, então temos que apoiar”, assegura Adelvar.

Isa Santana começa a despontar no meio sertanejo. Ela tem se apresentado em TVs e rádios mineiras e do interior paulista. Com 10 anos, compôs sua primeira canção (letra e melodia) e, a cada dia, procura se aperfeiçoar. Além das aulas de canto e interpretação, é acompanhada por fonoaudióloga.

A menina começou a se apresentar em festinhas e na escola. A “carreira” decolou quando Isa participou como representante de Minas Gerais do programa 'Cantando no SBT', do SBT/Alterosa, ao lado de jovens de vários estados. Desde então, passou a fazer shows ao lado de sertanejos mineiros e até de duplas de prestígio nacional, como Jorge e Matheus.

“Ainda espero sair rodando o Brasil em turnê. As pessoas ficam muito impressionadas pelo fato de eu ser tão jovem e cantar, tocar e compor. O melhor é que meus pais sempre estão comigo. Isso ajuda muito. Não vou deixar a escola, estudo muito, mas quero mesmo é continuar no palco”, assegura a adolescente.

 

Isa Santana canta 'Pra te fazer lembrar':

 

 

Delmo Domingos Barbosa/Divulgação
Sofia del Prado: cantora, dançarina e atriz de teatro musical aos 12 (foto: Delmo Domingos Barbosa/Divulgação)
Já está no sangue

O perfil de Sofia del Prado, de 12 anos, na rede social já dá uma ideia de sua paixão: “Cantora, atriz e bailarina, dedico meu tempo ao estudo das artes fazendo cursos, workshops e masterclasses. Nas minhas horas livres, adivinha o que eu faço?? Cantoo!!!!”.

Sofia tem DNA artístico – o que, acredita, pode ter determinado a sua opção. A mãe, Simone Tomé, é bailarina. O pai, o norte-americano Roger del Prado, é ator, apesar de não atuar mais. O casal se conheceu em Nova York, onde a menina nasceu. “Está no sangue mesmo. A Sofia cresceu nesse meio, com 7 anos entrou na escola de canto da Babaya. Sempre tive muito cuidado, até porque ela ainda é muito nova. Faço questão de estar sempre presente nas apresentações e selecionar o que vale a pena ela participar”, explica Simone.

Além de cantar, Sofia faz aulas de balé e teatro musical – área que a interessa cada vez mais. A garota integra o elenco fixo das peças A pequena sereia e Simplesmente Natal e já gravou um disco promocional. Quando solta a voz, impressiona pela potência, afinação e o belo timbre. “Tem gente que se espanta muito quando me ouve. Acham até que estou dublando. Sou muito tímida, mas quando subo no palco me solto e me realizo. Quero muito continuar estudando música e teatro, acho que vou ser atriz de teatro musical e cantora”, revela.

Orgulhosa da filha, Simone conta que um dos momentos mais marcantes se deu na abertura do Campeonato Sul-americano Masculino de Vôlei, em maio, na Arena Vivo. “Foi algo ímpar, emocionou todo mundo. Ainda mais porque ela cantou o Hino Nacional”, relembra.

 

Veja performance de Sofia para 'Essa moça tá diferente':

 

MEMÓRIA
Prodígios do pop

Não é de hoje que artistas começam a trilhar a carreira ainda crianças. No Brasil, o exemplo clássico vem dos filhos do sertanejo Xororó. A dupla Sandy e Júnior, em quase duas décadas de carreira, vendeu 17 milhões de discos. Ela começou a cantar aos 7 anos, o irmão estreou aos 6. Atualmente, eles seguem carreiras solo. No exterior, o ícone do estrelato infantil é Michael Jackson (1958 – 2009). Ele e os irmãos fizeram sucesso mundial como o grupo Jackson Five. Na década de 1980, Michael apostou na carreira solo e se tornou astro do pop.

 

Jair Amaral/EM/D.A Press
Vitor Monnerat: aos 14 anos, talento como cantor, ator de teatro e violonista (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

 

Vitor Monnerat interpreta 'Tico-tico no fubá':



Estreia de Gala

Apesar das dificuldades financeiras, a família Monnerat nunca deixou de incentivar Vitor, de 14 anos, o artista da casa. Ao notar a vocação no menino quando ele se apresentava nas festas de fim de ano, as tias ajudaram a bancar os estudos de canto. Quando venceu o concurso Talentos Mirins do Sesc, em 2010, interpretando Tico-Tico no fubá, o garoto passou a chamar a atenção de muita gente, como o compositor e instrumentista Marcus Viana.

Ao lado de Marcus, aliás, Vitor viveu um momento inesquecível. Acompanhado pelo músico ao piano, ele cantou o Hino Nacional na solenidade de inauguração do Sesc Palladium, em agosto de 2011. “Foi muito legal, porque logo depois o pessoal do Clube da Esquina se apresentou e eles mesmos contaram ter ficado impressionados com meu filho. Lembro-me da Fafá de Belém, sentada na minha frente, elogiando muito o Vitor e pedindo para tirar foto com ele”, diz Simone Monnerat, mãe do garoto.

Dona de um salão de beleza nos fundos de sua casa, Simone conta que Vitor, ainda pequeno, encantava as clientes a ponto de elas organizarem uma “vaquinha” para comprar o violão para o jovem artista.

Fã de samba, chorinho e de música clássica, o garoto se sentia inibido no palco. Por isso, acatou a sugestão de ingressar no teatro, para se soltar mais. Atualmente, concilia a música com as artes cênicas – e ainda consegue se destacar nos estudos, aproveitando a bolsa que ganhou do Pitágoras depois de se apresentar em congresso internacional realizado no colégio.

“A música tem me dado muitas oportunidades bacanas. Ganhar bolsa para estudar e curso de inglês é apenas uma delas. Gosto de cantar de tudo um pouco, o importante é passar emoção. Apesar de não ser fácil, ainda mais porque sou de família mais humilde, meus pais sempre disseram para escolher o que gostava de verdade”, diz Vitor. E foi isso que ele fez.

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