'Prima' da feijoada, a cachupa será apresentada aos mineiros na Casa Kubitschek

O prato é típico de Cabo Verde, arquipelágo no Oceano Atlântico, e será servido no lançamento do livro Santiago-Fogo

por Cecília Emiliana 03/11/2017 08:20
e.motion/Divulgação
(foto: e.motion/Divulgação)

Em 2011, era certamente farto o banquete de vivências que esperava pelo fotógrafo Felipe Chimicatti, no arquipélago de Cabo Verde, onde ele morou por alguns meses a trabalho. Mas apenas uma temporada naquela região não foi suficiente para saciar o apetite aventureiro do rapaz. Em 2014, ele voltou, desta vez acompanhado do amigo e colega de profissão Pedro Carvalho. Juntos, fizeram uma travessia curta, mas singular: 50 quilômetros de avião sobre o Oceano Atlântico – o trajeto entre Santiago, capital cabo-verdiana, e a Ilha do Fogo.

Com todos os seus ingredientes, a viagem foi registrada pela dupla em 50 fotografias no livro Santiago-Fogo, que será lançado sábado (4), a partir das 10h, no Museu Casa Kubitschek, na Pampulha. O cardápio do evento inclui uma experiência gastronômica. Ao meio-dia, os visitantes serão convidados a participar do almoço em que será servida a cachupa, prato típico de Cabo Verde.

Preparada pelo pesquisador Pedro Matos, nativo da Ilha do Fogo que mora há cinco anos em Belo Horizonte, a iguaria será servida gratuitamente. No sábado, o livro também será distribuído de graça. Depois, poderá ser adquirido por R$ 44 no site da editora Chão da Feira (http://chaodafeira.com/loja).

PORTUGUÊS

“Essa confraternização celebra não só a cultura cabo-verdiana, mas a sua relação com o Brasil. Os dois países falam português, por exemplo. Por isso chamei o Pedro Matos, acadêmico da área de relações internacionais que conheci quando estava me mudando para Cabo Verde. Ele cozinha muito bem e vai trazer esse traço da cultura dele para as pessoas daqui. Depois, conversará sobre isso com elas”, conta Felipe Chimicatti.

Símbolo da gastronomia de Cabo Verde, a cachupa tem características que remetem à culinária brasileira. Quem vê o prato tem a sensação de estar diante de um “elo perdido” entre a feijoada e o feijão-tropeiro. Porém, o principal ingrediente do ensopado é a fava.

São tantas as carnes listadas na receita africana que a feijoada chega a soar “light”. A cachupa contempla todas as alas do açougue: frango, charque, carne bovina, bacon, chouriço, orelha de porco e até atum. Some-se a isso a variedade de legumes, hortaliças e tubérculos: mandioca, inhame, batata, milho, repolho, couve, abóbora, abobrinha e cenoura.

“É um prato completo, que dispensa acompanhamentos. A origem da cachupa é muito semelhante à da feijoada. É uma criação de comunidades que não tinham muito acesso a ingredientes caros. Quando surgiu, era comum que fosse preparada com muito mais peixe, o que chamamos hoje de cachupa pobre. Como Cabo Verde é um arquipélago, os pescados eram muito mais acessíveis à população do que outras proteínas”, explica Pedro Matos.

Preparar a receita original em BH não exige adaptações ou a substituição de itens. “Todos os ingredientes são encontrados aqui com muita facilidade. Até mesmo a fava se acha pelos mercados”, informa Pedro.

“Rainha da gastronomia” de Cabo Verde, a cachupa emplacou o arquipélago no Guinness World Records, o famoso livro dos recordes. Em agosto deste ano, a nona edição do festival Badja Ku Sol, realizado na cidade da Praia, ao Sul de Santiago, serviu a maior cachupa do mundo. Foram distribuídas 6,3 mil toneladas da iguaria para cerca de 30 mil pessoas.

SANTIAGO – FOGO
• Livro de Felipe Chimicatti e Pedro Carvalho
• Editora Chão de Fronteira
• 96 páginas
• Lançamento sábado (4), a partir das 10h. Museu Casa Kubitschek, Av. Otacílio Negrão de Lima, 4.188, Pampulha
• Almoço às 12h, em que será servida a cachupa, seguido de bate-papo com o pesquisador Pedro Matos
• Informações: (31) 3277-1586

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