Além de focar em trabalhos de prestígio, o novo festival prestigia, principalmente, a arte de uma única pessoa em cena, revelando ao público o que curador e outros profissionais do setor já haviam detectado. “Belo Horizonte é a capital da performance”, afirma Ramon Coelho, que fez questão de focar a programação não só no formato solo, mas no artista mineiro.
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“A oportunidade de mostrar aos turistas o trabalho feito na periferia da cidade, que, geralmente, não ganha espaço, é muito boa”, comemora Eli Costa, coordenador do Arte Favela nos Becos – Olhares de BH, que vai levar para a Praça da Liberdade 30 quadros grafitados por jovens a partir do olhar de becos e vilas das comunidades do Aglomerado da Serra, Cabana do Pai Tomás, Goiânia, Alto Vera Cruz e Conjunto Felicidade. Morador da Vila Presidente Vargas, do Bairro Goiânia, Eli comanda o trabalho que reúne 120 jovens grafiteiros, já mostrado, inclusive, no Museu Abílio Barreto.
Em parceria com o coreógrafo Henrique Rodovalho, o bailarino e coreógrafo Rui Moreira (ex-Grupo Corpo) diz ter encontrado uma maneira muito interessante de colocar a subjetividade no movimento, traduzido em dança. Receita, a coreografia que ele leva ao festival, é uma sequência aleatória com texto que remete o público a uma receita de bolo xadrez. Embalada por música de Ritchie Hawtin, a bem-humorada peça tem 30 minutos e já foi levada do Brasil à França, passando pela Argentina.
Bares da vida Maurício Tizumba, por sua vez, promete retornar ao início de carreira quando, acompanhado apenas de seu violão, conversava muito com a plateia e também cantava. “Trata-se de algo tipo onde eu aprendi tudo. A minha vida toda nasce nos bares”, afirma o cantor, compositor e ator, que vai fazer da apresentação no festival um misto de música e textos, com violão e, claro, tambor. “Fico pensando que a vida inteira eu toquei em bares, sozinho, conversando muito com o público”, avalia Tizumba, cuja trajetória tem início em 1976, nos chamados “bares da vida”. “Na época, a gente nem pensava em performance. Era show, mesmo. Poderia ser um monólogo em que a gente toca e fala sozinho. Não tenho nome para isso, mesmo porque a performance não é apenas solo. Ela também pode ser em grupo”, conclui o cantor.
FESTIVAL ARTE SOLO
Hoje, das 17h às 22h; amanhã e domingo, das 10h às 21h. Apresentação de várias manifestações artísticas em formato solo. Circuito Cultural Praça da Liberdade. Entrada franca. Informações e programação: www.artesolobh.com.br.