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Em 1939, com 19 anos, casou-se com Frank Charles Wisdom, com quem teve um filho, John, e uma filha, Jean. Ela se divorciou em 1943. Dois anos depois, uniu-se a Gottfried Lessing, um exilado judeu-alemão a quem tinha conhecido em um grupo literário marxista, e com quem teve outro filho, Peter. Depois de divorciar-se de Lessing, em 1949, a escritora se transfere para o Reino Unido com seu filho mais novo, Peter, deixando na África do Sul dois ex-maridos e os outros dois filhos.
Lessing militou no Partido Comunista britânico entre 1952 e 1956 (abandonou o partido por discordâncias com o stalinismo) e participou de campanhas contra as armas nucleares. Sua crítica ao regime sul-africano lhe custou o veto de sua entrada ao país entre 1956 e 1995. Durante as últimas décadas de vida, Lessing viveu na mesma rua do Bairro de West Hampstead, em Londres, cuidando de seu filho inválido, Peter, e sem abandonar sua atividade literária.
Contradições
A obra de Doris Lessing é um retrato do século 20, em suas contradições, conflitos e combates contra diversas formas de opressão. A escritora levou para suas narrativas as questões políticas e existenciais de seu tempo e, descrente do poder do realismo, chegou a escrever uma longa série de ficção científica entre 1979 e 1983, 'Canopus em Argos'. Mas foi com o romance 'Carnê dourado', de 1962, que se tornaria conhecida mundialmente. O livro, mesmo com os protestos da autora, se tornou um marco na luta feminista.
De forte cunho autobiográfico, 'Carnê dourado' conta a história de uma escritora bem-sucedida que tem quatro diários: um negro, para a sua obra literária; um vermelho para suas atividades políticas; um azul, no qual tenta encontrar a verdade por meio da psicanálise; e um amarelo para sua vida particular. No quinto, um caderno dourado, ela busca uma síntese impossível de sua vida.
Os livros mais recentes de Doris Lessing retomam sua preocupação com a política, sobretudo com relação aos jovens; e com a condição feminina, agora centrado nos temas da maturidade e da terceira idade. São livros como 'A boa terrorista', 'As avós', 'Amor de novo' e 'O sonho mais doce'. Com Debaixo da minha pele, de 1997, Doris Lessing começa a escrever suas memórias. O livro trata dos primeiros 30 anos da vida da escritora e de sua luta para romper com as convenções. O segundo volume, 'Andando na sombra', se passa em 1949 e começa com a chegada de Doris Lessing a Londres, com o filho e seu primeiro livro inédito. Em clima de pós-guerra, a escritora fala dos momentos marcantes de sua formação como artista, mulher e militante.
Seu último livro, 'Alfred e Emily' explora a vida dos pais e como eles a influenciaram. Doris Lessing divide o livro em duas partes. Na primeira, imagina a vida dos pais sem o trauma da Primeira Guerra; em seguida, narra em tom realista a difícil existência do casal na Rodésia. Como em grande parte de sua obra, a ficção era apenas um instrumento para falar de suas verdades íntimas. Doris Lessing sempre foi a personagem central de seus livros.
A escritora, que em 1999 rejeitou o título de Dama do Império Britânico concedido pela rainha Elizabeth II, porque “já não há nenhum império”, trabalhou até o fim de sua vida escrevendo artigos, romances, relatos e poesia. Seu carnê dourado, a síntese impossível de uma vida atribulada e corajosa, finalmente está completo.