'Roma' domina Prêmios Platino no México, que tem surpresa paraguaia

Longa de Alfonso Cuarón venceu cinco categorias em celebração dedicada às produções de América Latina, Portugal e Espanha

por Pedro Galvão 13/05/2019 09:17
 
Pedro Galvão/EM
(foto: Pedro Galvão/EM )
Playa Del Carmen - O drama mexicano Roma, de Alfonso Cuarón aumentou sua coleção de prêmios internacionais na noite desse domingo  (12/5). O filme foi o mais premiado na 6ª edição dos Prêmios Platino de Cinema Iberoamericano, realizado na Riviera Maya. "Concorrendo em casa", já que prêmio itinerante, criado em 2014, teve lugar na Riviera Maya mexicana, o longa em preto e branco distribuído pela Netflix ganhou cinco das nove categorias que concorria. No entanto, o cineasta Alfonso Cuarón, premiado nominalmente por sua direção, roteiro e fotografia, não esteve presente. 

A cerimônia foi realizada pelo segundo ano consecutivo no Teatro Gran Tlachco, no complexo turístico e arqueológico do Xcaret, em Playa Del Carmen. A apresentação foi do diretor e roteirista espanhol Santiago Segura, ao lado da atriz mexicana Cecilia Suárez. Em tom bem-humorado, com alguns clichês da cultura mexicana como um lutador de ‘lucha libre’ no palco, além de performances de artistas fantasiados de guerreiros maias.

Em razão da ausência de Cuarón, receberam por ele os produtores Nicolás Celis e Gabriela Rodriguez, que qualificou Roma como “um filme feito com amor que conquistou o mundo” no discurso ao receber o principal prêmio da noite, de Melhor Filme Iberoamericano. A grande surpresa foi na escolha da melhor atriz. Apesar de ser a mais celebrada pelo público e disputada pela imprensa no tapete vermelho, ainda que quase não tenha falado com os  jornalistas,  a mexicana Yalitza Aparicio, de Roma, perdeu a disputa para a paraguaia Ana Brun, de As herdeiras.

Este é o primeiro papel cinematográfico de Brun, que tem 70 anos e também é advogada. Logo na estreia do filme, no Festival de Berlim, ano passado, ela venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz. No discurso de agradecimento, ela dedicou o prêmio aos artistas e cineastas de seu país. Em conversa exclusiva com o Estado de Minas na véspera da premiação, ela disse que se sente surpresa até hoje por toda essa trajetória de prêmios, que inclui ainda um no Festival de Gramado. “Isso coroa algo incrível, porque eu não sou atriz. Estou coroada e estrelada. E emocionada, porque isso me fez muito viajante, não parei de viajar desde que o filme foi lançado. Nunca pensei que ele ia me levar tão longe, até porque eu nem queria aceitar o papel inicialmente” 

No longa ela vive uma mulher rica que conhece uma nova realidade quando cuja a cônjuge vai presa por dívidas. Ela destacou também o protagonismo de uma mulher LGBT. “Essa é uma história muito importante. São mulheres que são um casal,  sempre foram e viviam escondidas. O Paraguai é um país ainda muito homofóbico e conservador. Esperam que com isso abram mente para aceitar e diversidade e a felicidades de cada um”, argumenta.

As herdeiras ainda ganhou outro prêmio, de Melhor Filme com Diretor Estreante, para Marcelo Martinessi. Em seu discurso, ele agradeceu à participação dos outros países que participaram da produção (Alemanha, Uruguai, Noruega, França, Brasil). No tapete vermelho, antes da premiação,  revelou ter expectativas de que o sucesso do filme nas premiações ajude a impulsionar o cinema paraguaio. Sobre ser premiado por sua primeira obra, ele recomendou a outros cineastas estreantes "que sejam honestos, porque histórias honestas transcendem ao tempo". 


Em uma ato para promover a igualdade entre homens e mulheres, as categorias de melhor atuação dos dois gêneros foram apresentadas e anunciadas juntas. Entre os homens, o melhor ator foi o espanhol Antonio De La Torre, por seu papel em El reino. Nos agradecimentos, ele dedicou o prêmio também à equipe de Uma noite de 12 anos e à figura de José Pepe Mujica. 

Na co-produção entre Uruguai, Argentina e Espanha, que estava indicada em seis categorias, mas não venceu nenhuma, ele interpreta o ex-presidente uruguaio. O drama baseado em fatos reais mostra os 12 anos em que Mujica e dois companheiros ficaram presos pelo regime militar de seu país nos anos 1970, por fazerem parte do grupo guerrilheiro Tupamaros. Em conversa com o Estado de Minas após o prêmio, ele defendeu aqueles que “lutam um mundo mais justo, com condições mais igualitárias e postos de trabalho para todos”. “No final a democracia sempre vencerá”, afirmou. 

Com apenas duas indicações (Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Direção de arte, para o português Artur Pinheiro) o único representante brasileiro foi O grande circo místico, de Cacá Diégues, que não levou nenhum prêmio. A atriz Mariana Ximenes, que está no elenco, apresentou uma das categorias. O Brasil teve destaque apenas nos números musicais, com a jovem cantora carioca Malia apresentando uma versão de Bella ciao.

A dramaturgia televisiva latina também foi celebrada com três categorias dedicadas a essas produções.  Assim como nos cinematográficos, as melhores atuações individuais foram apresentadas ao mesmo tempo. Os prêmios foram para a estrela mexicana Cecília Suárez, de A casa das flores, e Diego Luna, de Narcos, que por sua vez não esteve presente para receber o prêmio. Já a Melhor série Iberoamericana de TV foi Arde Madri. 

 
Confira a lista de vencedores (em negrito): 

 

Melhor Filme

Roma, de Alfonso Cuarón (México)

Pájaros de verano, de Cristina Gallego y Ciro Guerra (Colômbia)

Campeones, de Javier Fesser (Espanha)

Uma noite em 12 anos, de Alvaro Brechner (Uruguai)

 

Melhor Direção

Alfonso Cuarón, por Roma

Alvaro Brechner, por Uma noite em 12 anos

Cristina Gallego y Ciro Guerra, por Pájaros de Verano

Javier Fesser, por Campeones

 

Melhor Atriz

Ana Brun, por As herdeiras

Marina de Tavira, por Roma

Penélope Cruz, por Todos lo Saben

Yalitza Aparicio, por Roma

 

Melhor Ator

Antonio de la Torre, por El reino

Javier Bardem, por Todos lo saben

Javier Gutiérrez; por Campeones

Lorenzo Ferro, por El ángel

 

Melhor Roteiro

Alfonso Cuarón, por Roma

Alvaro Brechner, por Uma noite em 12 anos

David Marqués y Javier Fesser, por Campeones

Marcelo Martinessi, por As herdeiras

 

Melhor Música Original

Chico Buarque y Edu Lobo, por O Grande Circo Místico (Brasil)

Federico Jusid, por Uma noite em 12 anos

Oliver Arson, por El Reino

Alberto Iglesias, por Yuli

 

Melhor Longa de Animação

La casa lobo, de Joaquín Caciña y Cristóbal León (Chile)

Memorias de un hombre en pijama, de Carlos Fernández de Vigo (España)

Un día más con Vida, de Raúl de la Fuente y Damián Nenow (Espanha)

Virus tropical, de Santiago Caicedo (Colômbia)

 

Melhor Documentário

Camarón, Flamenco y Revolución, de Alexis Morante (Espanha)

O silêncio de outros, de Robert Bahar y Almudena Carracena (Espanha)

La libertad del diablo, de Everardo González (México)

Yo no me llamo Rubén Blades, de Abner Benaim (Panamá)

 

Melhor Filme de Diretor Estreante

Carmen y Lola, de Arantxa Echevarría (Espanha)

La familia, de Gustavo Rondón (Venezuela)

As herdeiras, de Marcelo Martinessi (Paraguai)

Viaje al cuarto de una madre, de Celia Rico Clavellino (Espanha)

 

Melhor Montagem

Alberto Del Campo, por El Reino

Alfonso Cuarón y Adam Gough, por Roma

Guillermo Gatti, por El ángel

Miguel Schverdfinger, por Pájaros de verano

 

Melhor direção de Arte

Artur Pinheiro, por O Grande Circo Místico (Brasil)

Angélica Perea, por Pájaros de verano (Colômbia)

Benjamín Fernández, por El Hombre que mató a Don Quijote

Eugenio Caballero, por Roma (México)

 

Melhor Fotografia

Alfonso Cuarón, por Roma

Carlos Catalán, por Uma noite em 12 anos

David Gallego, por Pájaros de verano

Luis Armando Arteaga, por As herdeiras

 

Melhor Som

Carlos E. García, por Pájaros de verano

José Luis Díaz, por El Ángel

Roberto Fernández y Alfonso Raposo, por El reino

Sergio Díaz, Skip Lievsay, Craig Henighan y José García, por Roma

 

Prêmio Educação em Valores

As herdeiras, de Marcelo Martinessi (Uruguai)

Campeones, de Javier Fesser (Espanha)

Carmen y Lola, de Arantxa Echevarría (Espanha)

Uma noite em 12 anos, de Alvaro Brechner (Uruguai)

 

Confira os finalistas em TV:
 
 
Melhor Minissérie ou Telessérie

Narcos: México, de Josef Kubota Wiadyka, Andrés Baiz, Amat Escalante y Alonso Ruizpalacios (México)

Arde Madrid, de Paco León. Andy Joke (España)

El marginal II, de Luis Ortega, Mariano Ardanaz, Javier Perez, Javier Pérez, Alejandro Ciancio e Adrián Caetano (Argentina)

La casa de las flores, de Manolo Caro (México)

 

Melhor Atriz

Anna Castillo, por Arde Madrid

Cecilia Suárez, por La casa de las flores

Inma Cuesta, por Arde Madrid

Najwa Nimri, por Vis a vis

 

Melhor Ator

Diego Boneta, por Luis Miguel: La serie

Diego Luna, por Narcos: México

Javier Rey, por Fariña

Nicolás Furtado, por El marginal II


*O repórter viajou por convite dos Premios Platino 

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