Filme Diamantino faz sátira envolvendo jogador na Copa do Mundo

Loga de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt mistura refugiados, mutações genéticas, fluidez de gênero e política na história de um jogador de futebol

por Mariana Peixoto 20/12/2018 08:30

Syndrome Films/Divulgação
(foto: Syndrome Films/Divulgação )


Estranho, excêntrico, absurdo. Tais adjetivos caem como uma luva para Diamantino, longa-metragem de estreia da dupla luso-americana Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt. Sua ousadia acabou levando, em maio, o prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes.

“Ficamos muito surpreendidos com o prêmio, pois é um filme arriscado e o júri de um festival (nesta edição, presidido pelo cineasta norueguês Joachim Trier) nem sempre opta pela produção mais louca da competição”, afirma Abrantes. Coprodução entre Portugal, Brasil e França, o filme estreia nesta quinta (21) no Cine Belas Artes.

Crise dos refugiados, fluidez de gênero, xenofobia e questões urgentes do mundo contemporâneo são alguns dos temas tratados nesta fantasia satírica centrada na figura do personagem-título, interpretado por Carloto Cotta – ator português tanto conhecido no cinema independente quanto em produções televisivas de seu país.

Diamantino é claramente inspirado em Cristiano Ronaldo, inclusive fisicamente. Tal qual o jogador da Juventus, ele é o ídolo máximo do futebol lusitano. Só que as semelhanças terminam por aí. Infantilizado, o personagem é dependente do pai, desconhece as más intenções das irmãs gêmeas – que o escravizam, tal qual as irmãs malvadas da Cinderela – e, absurdo dos absurdos, tem visões com cachorros fofos e enormes quando está numa decisão de campeonato.

O jogador cai em desgraça quando perde o pênalti que daria o título a Portugal na Copa do Mundo. Deprimido em casa, decide adotar um “refugiadinho” depois que assiste a imagens da crise pela TV. Mas acaba, por obra das irmãs, parando em um centro de experiência genética mais do que suspeito que vai tentar cloná-lo. Enquanto isso, ainda se torna alvo de uma dupla de agentes secretas lésbicas.

 

 

 

Informação de mais, não? Mas a condução da dupla de diretores – que se conheceu quando estudava cinema na Universidade de Nova York e assinou alguns curtas experimentais – acaba por fazer com que a narrativa tenha unidade.

“Começamos o roteiro pensando em fazer uma história emocional, baseada nas comédias românticas, mas o mais inesperada possível. Em volta disso, colocamos as coisas que estavam acontecendo no mundo. Brexit, crise dos refugiados, atuam como um espelho da realidade”, afirma Abrantes.

O longa foi iniciado em 2010, porém rodado cinco anos depois. A montagem e a pós-produção, com muitos efeitos especiais, demandaram bastante tempo. “Foi nesta hora que começamos a brincar”, continua Abrantes, filho de portugueses, mas nascido e criado nos EUA. Há pouco mais de uma década, ele passou a viver em Lisboa.

Com a coprodução brasileira da produtora carioca Syndrome Films, o som foi todo feito no país – houve também uma consultoria na montagem. Diamantino chega ao circuito comercial brasileiro depois de participar do Festival do Rio e da Mostra de Cinema de São Paulo. Em Portugal, o longa só estreia em maio de 2019.

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