'Maria Madalena' mostra a força da mulher que acompanhou Jesus Cristo

A produção dirigida por Garth Davis lança olhar humanizado para os personagens bíblicos

por Mariana Peixoto 15/03/2018 08:00

Universal Pictures/Divulgação
A atriz Rooney Mara tem atuação no papel-título do longa, que estreia hoje em 16 salas (foto: Universal Pictures/Divulgação)
Maria Madalena, que estreia hoje no Brasil, é mais uma vítima do escândalo Harvey Weinstein. Em 2017, antes da série de denúncias de abuso sexual e estupro contra o produtor virem à tona, muitos anteciparam que o longa inspirado em personagens bíblicos faria bonito no Oscar.

A produção britânico-australiana dirigida por Garth Davis – seis nomeações ao Oscar de 2017 com seu filme anterior, Lion: Uma jornada para casa – e estrelada por Rooney Mara e Joaquin Phoenix, que se tornaram um casal durante as filmagens, seria distribuída pela The Weinstein Company.

Com o escândalo, que paralisou as atividades da TWC, outros estúdios entraram em jogo para distribuir o filme, adiando o lançamento nos Estados Unidos, que, inclusive, ainda não foi marcado. Dessa maneira, Maria Madalena se tornou o filme da Quaresma em boa parte do mundo – além do Brasil, o filme chega neste mês aos cinemas da Europa, América Latina e Ásia.

Para além dos bastidores da indústria do cinema, Maria Madalena é o filme que tenta colocar por terra um velho conceito: a da prostituta arrependida que se torna seguidora de Cristo. A ideia, que vem do século 6, através do papa Gregório I, foi ratificada pelo próprio cinema, em filmes como A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese (1988) e A paixão de Cristo, de Mel Gibson (2004).

Apoiado no Novo Testamento – e também no Vaticano, que em 2016 elevou a data de 22 de julho como o Dia de Santa Maria Madalena –, o filme narra a história de uma mulher que estava à frente de seu tempo.

Maria, nascida em Magdala, aldeia no Mar da Galileia, não era como suas irmãs. No início da narrativa, assistimos a uma Rooney Mara atormentada com o destino que seu pai lhe reserva: casar com um homem viúvo escolhido pela família. Recusa-se a tal, o que faz com que muitos o considerem “possuída”. A chegada de Jesus e seus seguidores a Magdala a transforma. Torna-se a única mulher a seguir com o grupo até Jerusalém. Contra o domínio patriarcal, decide fazer seu próprio caminho.

A partir daí acompanhamos a trajetória do grupo até o fim que todos sabemos qual é. Garth Davis humanizou as personagens bíblicas. O Jesus Cristo de Joaquin Phoenix é um homem atormentado. Prevendo o seu próprio final, vai salvando os que estão em seu caminho, mas mantendo uma distância considerável do resto do mundo.

A dinâmica do grupo de seguidores, com a chegada de Maria, muda bastante. O filme destaca os apóstolos Pedro (aqui vivido por Chiwetel Ejiofor) e Judas (Tahar Rahim). O primeiro perde a liderança com a chegada da mulher e sente considerável ciúme da aproximação de Maria e Jesus. O segundo é apresentado como um jovem meio alucinado por ter perdido a família.

Apoiado por locações de encher os olhos – as filmagens foram realizadas no Sul da Itália – e pela atuação de Rooney Mara (firme e etérea ao mesmo tempo), Garth Davis, no entanto, não consegue fazer o filme decolar. A caminhada de Cristo e seus apóstolos, por vezes morosa, domina boa parte das duas horas de duração do filme.

A chegada em Jerusalém, a última ceia (que não chega a ter os 12 apóstolos reunidos), a traição de Judas, a paixão de Cristo até sua crucificação são apresentados rapidamente. Esta pressa tira o peso que tais situações deveriam ter.

Com uma introversão que vai contra as ideias que a história propõe, o filme vai perdendo seu vigor, tornando-se um tanto solene. Consequentemente a reinvenção da “apóstola dos apóstolos” – o conceito que a narrativa se apoia – não chega a ser devidamente convincente. Veja o trailer:

 

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