Cássio Gabus Mendes contracena com Kéfera Buchmann em nova comédia

Dirigida por André Pellenz ('Minha mãe é uma peça'), 'Gosto se discute' conta história de chef em crise que tem que aceitar imposições de uma executiva durona

por Pedro Galvão 09/11/2017 09:01

Agência Febra/Divulgação
Cássio Gabus Mendes e Silvia Lourenço em cena do longa de André Pellenz, que afirma ter se inspirado na própria experiência para escrever o roteiro (foto: Agência Febra/Divulgação)

Com um sobrenome importante na TV brasileira, Cássio Gabus Mendes, de 56 anos, tem pelo menos 35 dedicados à atuação. O tempo na profissão supera em 12 anos a idade da curitibana Kéfera Buchmann, também atriz, mas que se tornou uma das celebridades de maior apelo entre a juventude brasileira graças ao seu canal no YouTube, que tem 11 milhões de inscritos. Com trajetórias tão diferentes, os dois se encontram em Gosto se discute, comédia dirigida por André Pellenz, que estreia nesta quinta-feira (9/11) nos cinemas.

No roteiro – escrito pelo próprio diretor – Cássio é Augusto, um chef de São Paulo que vê seu renomado restaurante cair no ostracismo, enquanto um problemático ex-funcionário se dá bem com um food truck estacionado quase em sua porta. Como se não bastasse, o personagem é acometido por um raro distúrbio que neutraliza totalmente seu paladar. Um completo desastre para o comandante de uma cozinha.

Diante da iminente falência do restaurante, a executiva Cristina (Kéfera Buchmann, em sua segunda investida cinematográfica) é escalada pelos investidores para salvar o negócio, com seu pulso firme e rigor na administração. Com suas propostas para inovar o cardápio e o funcionamento do local e sua atitude irredutível, ela entre em conflito com o chef. A trama ainda é temperada pela presença de funcionários e pessoas interessadas no fracasso de Augusto.

 

Responsável por dois dos maiores sucessos recentes de bilheteria nacional – Minha mãe é uma peça (4,5 milhões de espectadores em 2013) e Detetives do prédio azul - O filme (1,1 milhão neste ano), André Pellenz diz que se inspirou em situações vividas por ele e por pessoas próximas para criar a história. “Nunca perdi meu paladar, mas conheço uma pessoa que perdeu. Queria filmar uma história sobre isso. Também queria fazer um roteiro sobre uma crise profissional pela qual passei, e esse filme acabou juntando as duas coisas.”


A ideia inicial do diretor era que Gosto não se discute fosse um drama, o que acabou não se realizando. “Apesar dos acontecimentos serem dramáticos, não consegui contar como drama. Talvez pela necessidade de resolver essas questões na minha cabeça, decidi fazer um filme leve, até para eu rir dessas coisas que me atormentaram”, afirma. Formado em cinema pela Universidade Federal Fluminense, Pellenz, de 46, começou a trabalhar com cinema aos 21, e passou por hiato atuando na publicidade durante a década de 1990, antes de retornar aos sets nos anos 2000.

O conflito existencial que inspirou André tinha a ver com uma necessidade de se renovar como cineasta – algo que ele demorou a aceitar. A experiência pessoal o ajudou na criação dos personagens e elementos do filme que refletem esse dilema. “Sempre quis fazer um filme com o Cássio. Ele simboliza o clássico, o já estabelecido. É um cara que vem de uma família tradicional na arte (o ator é filho do novelista Cassiano Gabus Mendes e neto do roteirista e diretor Otávio Gabus Mendes). Quando veio a sugestão da Kéfera, vi que ela era o novo, até por essa linguagem que traz do YouTube. E foi perfeito. É exatamente isso que seus personagens representam no filme”, diz Pellenz.

O elenco tem ainda Gabriel Godoy como o dono do food truck, Zéu Britto, Silvia Lourenço e Robson Nunes como cozinheiros, além de uma participação especial de Paulo Miklos como um médico charlatão e beberrão que tenta resolver os problemas de paladar do chef. Apesar dos rostos conhecidos do público, a estrutura do longa é bem modesta. Foi quase todo filmado em uma única locação. Custou R$ 2,7 milhões.

“Esperamos que ele faça um sucesso do tamanho do filme. Não teve um orçamento grande, mas tem suas qualidades. Não é uma comédia rasgada nem um filme cabeça. Com ele posso provar que há um meio-termo e também abrir a cabeça de quem assiste em relação a essa coisa do novo e do antigo, da despolarização, da tolerância, até por isso se chama Gosto se discute”, afirma.

 

Abaixo, confira o trailer de Gosto se discute

 

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