Cinemundi, em outubro, quer atrair parceiros internacionais para coproduções

Evento que ocorre junto ao CineBH - Mostra de Cinema de BH começa no dia 20. Em sete anos ele contribuiu para que 11 projetos se tornassem filmes

por Eduardo Tristão Girão 27/09/2016 08:10
Tania Anaya/Reprodução
Animação Nimuendajú, de Tânia Anaya, foi selecionado para o Cinemundi (foto: Tania Anaya/Reprodução)
A décima edição do CineBH – Mostra de Cinema de Belo Horizonte começa dia 20 de outubro. Paralelamente, a organização realizará na capital mineira seu evento de mercado, o Cinemundi, que anualmente reúne profissionais de vários países em projetos de cooperação, intercâmbio, capacitação e apoio a novos projetos de longas brasileiros. Essa plataforma de contatos e negócios do audiovisual, que chega ao sétimo ano, já contribuiu para que 11 produções se tornassem filmes.


“Um dos principais gargalos do mercado de cinema no Brasil se deve ao desconhecimento do formato de coprodução, que envolve mais o produtor que o diretor. Nos debates, sentimos que não se sabe como chegar aos coprodutores, como se dá a coprodução. Apostamos na fase do desenvolvimento, pois é quando há muito mais chance de arranjar interessados em colaborar. O distribuidor, por exemplo, geralmente não quer negociar com você depois que o filme está pronto”, observa Raquel Hallak, coordenadora do Cinemundi.

Na opinião dela, a percepção internacional sobre a produção cinematográfica nacional é de que se trata de cena “autoral e com linguagem ousada, como um motor de ideias”. Como as coproduções são o foco do evento, ela acrescenta que, no caso brasileiro, o país tem outra vantagem: “Temos política audiovisual consolidada, com dinheiro para o setor, e fica mais fácil apostar em projetos, já que o coprodutor estrangeiro não terá de bancar tudo. Muitas vezes, o filme já é apresentado com financiamento”.

Para esta edição, além de representantes brasileiros virão 21 convidados da Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, França, Itália, México, Portugal, Suíça e Uruguai para conhecer novos projetos do cinema brasileiro, participar de debates, consultorias, agenda de relacionamentos e encontros de negócios. “O cinema é uma caixinha de surpresa. Se der certo, ganha-se dinheiro, e muito. E quando se tem produtores associados, a possibilidade de entrar no mercado internacional é muito maior”, diz Raquel.

Ao todo, foram selecionados 18 projetos de longas-metragens brasileiros em fase de desenvolvimento ou pré-produção, de um total de 118 inscritos, fora um projeto convidado (16% a mais em relação ao ano passado). Eles estão organizados nas categorias CineMundi, DocBrasil Meeting, Foco Minas (uma das novidades deste ano, com três contemplados) e Cinélatino. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia e Paraná são os estados representados.

A comissão de seleção foi formada pelos produtores Paulo de Carvalho (Alemanha), Gudula Meinzolt (Suíça) e Séverine Roinssard (França), pelo crítico Pedro Butcher (Brasil) e por Raquel Hallak e Cecília Gabrielan (Universo Produção). Na categoria Cinélatino, a indicação veio do Festival de Toulouse (França), parceiro do programa. Toda a programação é gratuita e  – mesmo sendo este um evento de mercado – aberta ao público, que poderá assistir a filmes e participar de debates e oficinas.

PARCERIAS “Estamos lidando com desafios muito grandes na perspectiva de um longa de animação. Não há em Minas Gerais uma experiência anterior como a nossa para nos servir de guia. Participar de um evento com este pode trazer visibilidade para nossa produção e ainda podemos discutir com produtores de outros lugares sobre essa perspectiva”, avalia Bruno Hilário, um dos produtores executivos de Nimuendajú, que tem direção de Tania Anaya e foi selecionado no Foco Minas. Orçado em R$ 2,3 milhões, o projeto já tem captados 86% desse total.

A animação trata do alemão Curt Unckel, que veio para o Brasil no começo do século passado para estudar e conviver com comunidades indígenas. “Ele sistematizou grande estudo sobre o tema que até hoje é reconhecido como dos principais”, conta ele. O diário dele serviu de base para filmagens que inspiraram os animadores do projeto, acrescenta: “É um processo parecido com o de Valsa com Bashir, que parte de um extrato documental”. Atualmente, está em fase final de pré-produção.

 

“Produtos de animação brasileira têm ganho muito espaço no mercado externo. É um momento bom, de reflexão e no qual estamos sistematizando o processo de produção para diferenciar do que é uma produção de live action. A partir dessa nossa primeira experiência, queremos discutir sobre mecanismos de incentivo para esse tipo de produção, com orçamento condizente. Normalmente, animação tem produção muito demorada e isso traz consequências para o desenvolvimento do projeto, do ponto de vista financeiro”, afirma ele.

Já Isaac Donato, roteirista e diretor de O sino, selecionado para a categoria CineMundi, virá da Bahia só para participar do evento. “O principal desafio é ultrapassar a barreira da viabilidade comercial da produção e ela vem sendo vencida com inciativas como esta. O encontro com estrangeiros em terras brasileiras significa uma abertura mais expressiva e esses laços com o mercado internacional só potencializam a nossa projeção.” Seu longa de ficção tem estética de filme de guerra e aborda três crianças que ajudam os pais ao trabalharem numa fábrica de fogos de artifício do interior.

Um júri oficial, composto por três profissionais do audiovisual, elegerá o melhor projeto da categoria CineMundi e os produtores brasileiros que participarão de eventos de mercados internacionais. Os vencedores serão anunciados e premiados no encerramento da programação do CineMundi, dia 24 do mês que vem, no Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte.

 

PROJETOS SELECIONADOS PARA O 7º  BRASIL CINEMUNDI

CATEGORIA CINEMUNDI

 A MÃE

    De Cristiano Burlan (Bela Filmes/SP)

 A SOMBRA DO CÃO
    De Carla Saavedra Brychcy (Filmes da Garoa/SP)

AMORES MODERNOS

    De Julia Sondermann (Cosmonauta/RS)

CASA VAZIA

    De Giovani Borba (Panda Filmes/RS)

 DESCALÇA

    De Sônia Procópio (Tambor Multiartes/PR)

 FILME DE SEREIA

    De Indira Dominici (Duas Mariolas Filmes/RJ)

 JERÔNIMO

    De Ailton Krenak e Mariana Fagundes Azevedo (Noctua/MG)

 MESOPOTÂMIA

    De Andy Malafaia (3 Moinhos Produções Artísticas/RJ)

 NATAN

    De Victor Costa Lopes e Luciana Vieira (Tardo Filmes/CE)

 O SINO
    De Isaac Donato (Movie Ações Audiovisuais/BA)

CATEGORIA PARCERIA CINéLATINO


 O FILHO PLANTADO

    De Thais Fujinaga (Avoa Filmes/SP)

CATEGORIA DOC BRASIL MEETING


 A QUESTÃO PRISIONAL

    De Alice Riff (Estúdio Riff/SP)

 AMÉRICA ARMADA

    De Alice Lanari e Pedro Asbeg (Palmares/RJ)

 ARQUIVOS DE LAVA

    De Felipe Chimicatti e Pedro Carvalho (Trem Chic/MG)

 BARRAGEM

    Eduardo Ades (Imagem-Tempo/RJ)

 BEM VINDOS DE NOVO
    De Marcos Yoshi (Montanha Russa Produções Audiovisuais/SP)

CATEGORIA FOCO MINAS

 CORPO PRESENTE

    De Leonardo Barcelos (Tandera Filmes/MG)

 NIMUENDAJÚ
    De Tania Anaya (Anaya Produções/MG)

 VELHOESTE
    De Thiago Taves Sobreiro (Cento e Oito Filmes/MG)

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