Indicado ao Oscar, Philomena estreia em BH nesta sexta-feira

Com charme e calor humano, Stephen Frears conta história de mãe que procura o filho

por Walter Sebastião 14/02/2014 06:00

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Paris Filmes/Divulgação
Judi Dench e Steve Coogan dão um show de interpretação em Philomena (foto: Paris Filmes/Divulgação)
Tem um filme em cartaz que é uma delícia: 'Philomena', de Stephen Frears. A trama mostra a busca da enfermeira Philomena Lee (Judi Dench) pelo filho que foi “doado” por freiras quando tinha 3 anos, depois de ela ter sido rejeitada pela família e enviada grávida ao convento. O parceiro na busca da criança, 50 anos depois do desaparecimento do menino, é o jornalista Martins Sixmith (Steve Coogan). É história dramática, inspirada em fato real, contada com graça, que consegue o que parece impossível: somar crítica ácida com olhar irônico sobre a situação. O resultado é um filme leve e divertido, que, entrelaçando dois mundos – anos 1950 e 80 –, coloca questões que merecem consideração.

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Muito do charme do filme vem da dupla que dá um show: os atores Judi Dench e Steve Coogan. Ela como uma irlandesa católica, simples, amante de livros românticos; ele, um jornalista cético, granfino e culto. Relação movida por contraste entre mundos socioculturais, mas também por visões distintas diante do drama, assim como das pessoas envolvidas nos fatos e até com relação ao que descobrem. O jogo de perspectivas sinaliza extenso arco de questões. Como a evidência de crueldades e hipocrisias de anteontem e de ontem, movida por conservadores e conservadorismo, que, naturalizadas, tornam-se “compreensíveis” e até hoje são evocadas com nostalgia. Ou populismo midiático explorando e manipulando situações em proveito próprio. Há muito mais ao longo de todo o filme.

O modo espontâneo como todos os aspectos se articulam, criando conversa fluente com o público sobre temas importantes, chama a atenção para algo que se tornou raro no cinema: o prazer de curtir a habilidade e a sensibilidade de um diretor maduro, senhor de seu ofício, que não é apenas um técnico. O nome do herói do filme é, de fato, Stephen Frears, britânico de 73 anos. Às voltas com o audiovisual desde o fim dos anos 1960, fez séries para a televisão e programas para a BBC e, a partir de 1984, dedicou-se ao cinema. É de 1985 um clássico dele do cinema dos anos 1980: 'Minha adorável lavanderia'. A estreia em Hollywood foi com o filme 'Ligações perigosas' (1988), que ganhou três Oscars em sua carreira ‘‘dourada’’: Palma de Ouro (em Cannes), Urso de Ouro (em Berlim) e indicação para Leão de Ouro (Veneza).

Deve-se ao diretor a delicada harmonia que conjuga atenção ao real, afeto e mordacidade surpreendente. Tudo no filme é engenhosamente tramado, desperta interesse. Até o discutível. Como orquestras tocando temas musicais melodramáticos, o que soa como chantagem sentimental em filme que não precisa disso. Mas até esse aspecto acaba criando questões interessantes: seja evocação, voluntária ou involuntária, a filmes norte-americanos dos anos 1950 (especialmente à elegância de um Billy Wilder) ou flerte dos contemporâneos com o melodrama. Uns e outro cortejados talvez por carregarem algo que desapareceu do mundo (e do cinema) contemporâneo: calor humano.

SAIBA MAIS
PAPO COM O PAPA
O filme de Stephen Frears é uma adaptação do romance The lost child of Philomena Lee Martin Sixsmith. A irlandesa Philomena Lee, de 80 anos, que inspirou a história, foi recebida pelo papa Francisco. Ela coordena projeto dedicado a ajudar outras mães a encontrarem os filhos desaparecidos.

OSCAR
Philomena concorre a melhor filme, melhor atriz (Judi Dench), trilha sonora e roteiro adaptado

 

Confira o trailer do filme:

 

 

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