Com apenas 8 anos, Wiranu Tembé encanta como estrela de Tainá - A Origem

O papel já foi da paraense Eunice Baía, que faz faculdade de moda e quer se tornar estilista

por Ana Clara Brant 02/03/2013 08:40

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Estevam Avellar/divulgação
Eunice Baía e Wiranu Tembé, as cunhantãs que levaram para a tela o país dos índios e da floresta amazônica (foto: Estevam Avellar/divulgação )
Foi praticamente uma busca ao tesouro. A operação envolveu várias pessoas, levou meses e percorreu cidades, vilas e aldeias. Em 1998 e 2010, o produtor e preparador de elenco Claudio Barros enveredou pelos estados do Pará e do Amazonas atrás da menina com características indígenas, de olhar puro e curioso, que daria vida à personagem Tainá.

Em cartaz desde o carnaval, o filme Tainá – A origem, dirigido por Rosane Svartman, é estrelado pela carismática Wiranu Tembé, de 8 anos. O papel da indiazinha corajosa caiu como luva: na época da pré-seleção, ela tinha apenas 5 anos. Concorreu com nada menos de 2,2 mil crianças.

“Wiranu era a única candidata fora da faixa etária e também a única que não falava português. Mas nos impressionou pela semelhança física com a Eunice Baía (protagonista do primeiro filme da série). Desde que a vi dançando nos Jogos Indígenas, fiquei encantado. Ela nos surpreendeu em tudo: nadava melhor, andava de canoa e subia em árvore com uma presteza surreal”, conta Claudio Barros.

Wiranu significa ema branca. Tembé é a etnia à qual a menina pertence. A pequena artista mora com os pais e os quatro irmãos na aldeia Tekohaw, perto de Paragominas, no interior do Pará. Até entrar no set, ela não conhecia TV, ignorava o cinema e nunca havia viajado de avião.

No início da conversa com o Estado de Minas, por telefone, Wiranu demonstrou certa timidez. De vez em quando, atrapalhava-se com o novo idioma. “Faço aniversário no Dia das Crianças. É 12 de outubro, né? Meu aniversário sempre vai ser dia das crianças?”, perguntou. A estrela de Tainá – A origem tem participado de eventos para divulgar o longa, que atraiu 243,4 mil espectadores nas duas primeiras semanas de exibição.

A menina vivenciou experiências inusitadas, como assistir a uma partida com o tenista espanhol Rafael Nadal, em São Paulo. “Até falei com ele, achei muito legal. Mas toda hora alguém me chamava pra tirar foto e eu queria prestar atenção no jogo”, reclamou. Wiranu foi também paparicada pela presidente Dilma Rousseff. “Gostei muito dela. É simpática”, disse.

A indiazinha desfilou pela Imperatriz Leopoldinense, cujo enredo homenageava o Pará. Tutor provisório da menina, Claudio Barros cuidou dela até a volta à aldeia. Wiranu se impressionou com a Marquês de Sapucaí. “Ela ficou em silêncio na concentração, observando e tentando assimilar aquilo tudo. A Sapucaí impressiona qualquer um, imagina uma criança indígena”, diz Claudio. Antes do desfile, ela visitou o barracão e foi a ensaios técnicos. “Muito inteligente e sapeca, a Wiranu se apresentou direitinho na avenida. Quando acabou, ela comentou: ‘Tio, fiz direito? Fiquei até com vontade de sambar’”, revela o tutor.

A caçulinha do cinema nacional gostou de dar autógrafos. Mas reclamou: “Tem que ficar muito tempo em pé”. Longe de casa há quatro semanas, sentia falta da família. Dia sim, dia não comunicava-se com os pais, que atendiam seus telefonemas no orelhão perto da aldeia. Wiranu não via a hora de voltar a nadar no rio, passear de canoa, subir em árvore e andar de bicicleta.

“Os pais lidaram bem com isso e ela também. De volta ao Pará, ela vai estudar, porque está no segundo ano. A produção custeia a educação dela e das outras crianças da série Tainá, como Eunice Baía e Arilene Rodrigues (a indiazinha Catiti, em 'A aventura continua'), até a faculdade. Durante as filmagens, houve o preparo não só delas, mas dos familiares. Criamos um vínculo para toda a vida”, informou o tutor.

PIONEIRA

A paraense Eunice Baía, de 22 anos, foi a primeira Tainá. Convidada para acompanhar as gravações do filme de Rosane Svartman, ela conheceu Wiranu Tembé. “Quando a vi, falei: ‘Essa sou eu’. Foi emocionante e incrível vê-la passando pelas mesmas coisas que eu. Como é esperta e se solta!”, comenta Eunice, que há 14 anos mora em São Paulo com a mãe adotiva, a atriz e produtora Noêmia Duarte.

Descendente de índios e mãe do pequeno Antônio, de 9 meses, Eunice tinha 7 anos quando começou a filmar Tainá – Uma aventura na Amazônia. Insistiu muito para que os pais a deixassem trabalhar no set. “Nem entendia essa coisa de cinema, mas sempre tive vontade de aparecer na TV”. Depois, ela atuou em atrações da Rede Globo como O Sítio do Picapau amarelo e Amazônia – De Galvez a Chico Mendes.

Agora, Eunice planeja ser estilista. Quer trabalhar com figurinos para teatro e frequenta a faculdade de moda. “Pretendo ter a minha própria grife. Gosto muito do estilista André Lima, paraense como eu”, comenta. A primeira Tainá tem carinho especial por Claudio Barros. Até hoje é o preparador de elenco quem vai buscá-la quando ela desembarca no aeroporto de Belém para visitar a família, que mora na cidade de Barcarena.


Downtown Filmes/divulgação
(foto: Downtown Filmes/divulgação)
“Claudio é o meu segundo pai, peço conselhos a ele. 'Tainá' revolucionou a minha vida. Morava numa casa de madeira com meus pais e irmãos. De repente, me vi em São Paulo e me adaptei superbem. Meus pais não quiseram sair do Pará, mas consegui dar uma vida melhor para eles. Só tenho a agradecer”, conclui Eunice.

BRINQUEDO

Claudio Barros diz ter encontrado Wiranu Tembé “aos 45 minutos do segundo tempo”, depois de procurá-la por dois anos e meio. Na última etapa da seleção do elenco, as 11 finalistas ficaram isoladas em um hotel na floresta amazônica, na companhia de parentes, numa espécie de “Big brother”. Cada menina levou seu brinquedo preferido. Em vez de boneca ou ursinho, Wiranu preferiuo arco e a flecha – os mesmos que aparecem no filme.
 
Confira o trailer do filme:
 

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