Tom Cruise encarna astro do rock farofa oitentista no musical Rock of ages

Baseado em musical da Broadway, filme oferece diversão sem culpa para cantar junto

por Mariana Peixoto 24/08/2012 11:02

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David James/Divulgação
Tom Cruise entendeu o espírito da coisa e se esbalda como Stacee Jaxx, inspirado em Axl Rose (foto: David James/Divulgação )
 
A música pop é repleta de canções que amamos odiar (ou odiamos amar, dependendo do ponto de vista). Para muitos, a década de 1980 produziu a maior quantidade delas. E no topo da lista se encontram hits de Poison, Journey, Def Leppard, Foreigner, alguns dos protagonistas do hard rock comercial que dominou as paradas roqueiros do período (o rock farofa, para quem ainda não entendeu o recado). E é a reunião dessas canções que fazem de Rock of ages – O filme diversão pura, sem medo do ridículo. 
 
 
Musical baseado em espetáculo que está em cartaz desde 2005 nos Estados Unidos (há alguns anos chegou à Broadway) e que já teve versões em outros países, chega aos cinemas em grande estilo, com Tom Cruise como chamariz. Ele é a cereja do bolo, mas é a música o que move as duas horas de duração. A direção é de Adam Shankman, que no cinema também assinou a versão contemporânea de Hairspray – Em busca da fama
Sobre a história, esqueça. A dramaturgia é digna de um romance de quinta: moça do interior (Julianne Hough, que interpreta Sherrie) chega a Los Angeles para tentar ser alguém na vida. O visual é puro Farrah Fawcett, já que o ano é 1987, quando a cidade era o centro do mundo dos exageros do hard rock. Ela logo conhece e se apaixona por Drew (Diego Boneta, então mais conhecido pelo infame grupo RBD), garçon do Bourbon Room, “o” lugar na Sunset Strip, onde as principais casas de show e boates se concentravam na época, que sonha ser um rock star. Ela, que também sonha com uma carreira de cantora, começa a trabalhar como garçonete do lugar.
O universo que os cerca é muito mais interessante, talvez pelo elenco de coadjuvantes. Alec Baldwin, que se deu muito melhor quando assumiu a canastrice, está impagável como o dono do Bourbon, com seu fiel escudeiro, vivido por Russell Brand, com uma peruca que faria inveja a qualquer integrante do Kiss. Paul Giamatti, como um empresário inescrupuloso, é sempre irrepreensível e Catherine Zeta-Jones, como a mulher de um prefeito com passado nebuloso que quer acabar com o rock, exagera nos cacoetes a la Chicago. 
É Tom Cruise com um papel que cresceu no cinema se comparado com a versão teatral, que garante os melhores momentos. A inspiração clara é Axl Rose. Na primeira cena em que ele aparece, está afundando num camarim em meio a quatro ou cinco mulheres nuas. Surge quase irreconhecível com um modelito de couro com uma imagem demoníaca brilhante que esconde as devidas partes. As cenas vão num crescendo, e o senso de loucura do personagem (Stacee Jaxx, vocalista da banda Arsenal) parece concentrar todos os clichês dos grandes astros do rock.
A música domina toda a narrativa. O repertório traz somente hits do período oitentista, de Paradise city (Guns n’roses), Wanted dead or alive (Bon Jovi), Don't stop believin' (Journey, aqui num registro que lembra muito o já batido cover da série Glee). O melhor vem nos mash-ups, com dois personagens duelando canções, como We built this city e We're not gonna take it!, defendidas por Russell Brand e Zeta-Jones. O interessante é que as letras, todas como foram gravadas, 30 anos atrás, caem como uma luva para a narrativa, conduzindo a história. É para cantar e se divertir, sem nenhuma culpa. 
 
Assista ao trailer do filme:


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