Antigos Cineclube Savassi e Usina de Cinema estão sendo reformados

Espaços vão dar lugar a equipamentos culturais com bares, restaurantes e espaço para filmes e espetáculos

por Ailton Magioli Mariana Peixoto 03/08/2012 10:21

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Maria Tereza Correia/EM/D. A Press
Robson Brandão, Fernanda Chagas e Fred Garzon, sócios do CCCP, que será inaugurado dia 15 (foto: Maria Tereza Correia/EM/D. A Press)
Muitos temeram pelo futuro. Estacionamento ou igreja eram as maiores apostas. Felizmente, as boas notícias chegam praticamente juntas. Cineclube Savassi e Usina, saudosos cinemas de arte da cidade, renascem com novas propostas. O primeiro, agora com o nome de CCCP, será inaugurado dia 15, com um misto de bar, espaço cultural e cinema. Já o espaço no Santo Agostinho, que será aberto na segunda quinzena de setembro, será o novo Bar Nacional, prometendo a mesma repercussão que teve na década de 1990. 
 
CCCP 
 
A sigla, numa provocação, é a mesma da extinta União Soviética. Mas o significado do CCCP, 21 anos depois do fim do Bloco do Leste é, obviamente, outro: Cult Club Cine Pub. O nome composto remete às várias possibilidades do local. Fechado oficialmente desde 6 de janeiro, o Cineclube Savassi renasce com outra função, mas mantendo um pouco do espírito de um dos mais tradicionais cinemas de arte de Belo Horizonte. “Fazer uma coisa só, apenas com o cinema, seria chover no molhado. Quisemos ampliar para exposição, teatro, shows”, afirma Fred Garzon, um dos cinco sócios do espaço – os outros são Leonardo Soares, Fernanda Chagas, Gustavo Ziller e Robson Brandão.
A negociação para alugar o espaço onde o cineclube funcionou por 23 anos começou no início deste ano. A intenção nunca foi acabar com o cinema. “Recebemos o espaço de portas fechadas, então veio tudo o que a sala tinha”, conta Fernanda Chagas. O projetor de 35mm foi mantido, bem como o tela. “A gente tem que lembrar que nos últimos tempos o Savassi também havia se tornado um ponto conhecido para eventos”, acrescenta Garzon.
É dessa maneira que o CCCP está montando sua programação. O bar vai funcionar como happy hour sempre a partir das 18h (a exceção é o sábado, quando abrirá às 21h). Nas terças, vai promover também eventos culturais (abertura de exposições, lançamentos de filmes etc). Quartas serão reservadas ao jazz (trio formado por Esdra “Neném” Ferreira na bateria, Pablo Souza no contrabaixo e Gustavo Figueiredo nos teclados). Quintas serão de parcerias com projetos e festas da cidade – um deles o Tuba-in, primeiro projeto a fazer festas no antigo cineclube. Sextas e sábados terão mais vocação para baladas, com DJs. O domingo terá sessão de cinema sempre no fim da tarde – a curadoria será de Júlia Nogueira e Gustavo Brandão. “Vamos abrir espaço para diretores daqui”, diz Fernanda Chagas. 
O projeto arquitetônico de Adriana Rezende e Joanna Siruffo “limpou” todo o espaço, que passa a ter capacidade para 250 pessoas. O hall vai contar com bilheteria e lojinha. A parte central, agora sem as antigas poltronas (que estavam em mau estado de conservação), cresceu e ganhou um balcão que avança por toda a área. “É um grande espaço de convivência e a configuração da casa vai mudar de acordo a noite”, explica Robson Brandão. A parte de cima do CCCP será reservada para uma drinkeria. O cardápio foi criado pelo chef Renato Quintino.
 
BAR NACIONAL 
 
A charmosa fachada art déco do prédio principal será mantida, mas o extinto Usina de Cinema passa por uma transformação radical para abrigar a nova versão do Bar Nacional. A partir do próximo mês, Anésia Cambraia e seus cinco sócios, cuja identidade ela prefere não revelar, estarão recebendo o público em um ampliado conceito de casa noturna que, além de música, irá abrigar dança, arte visual e gastronomia, em de 890 metros quadrados de área construída, com capacidade para 600 pessoas.
 
O bar que fez história na Avenida Tereza Cristina, no Barro Preto, entre 1994 e 1997, contribuiu inclusive para engrossar o repertório de bandas como o Skank. O empresário Fernando Furtado recorda que o próprio Chico Amaral, parceiro de Samuel em Garota Nacional, teria admitido que havia se inspirado em uma frequentadora da casa para compor o hit. Há quem aposte, no entanto, que a fonte é mesmo a proprietária Anésia.
 
O Bar Nacional irá abrigar uma casa de shows (350 pessoas), boate (200 pessoas), lounge (80 pessoas) e um pequeno restaurante (40 pessoas), antecedidos de corredor de acesso que irá sediar galeria de arte. “A noite de BH  mudou muito. As casas agora estão deixando os modismos de lado”, constata a empresária, responsável pela crição de casas como a Dominus, Pagã e Drosóphila, entre outras.
 
Com projeto arquitetônico assinado por Luiz Gustavo Vieira de Almeida, da OBJ Design, o Bar Nacional terá isolamento e tratamento acústico elaborado pela Walters-Storyk Design Group (WSDG), com sede em Nova York. Sob a responsabilidade do engenheiro Renato Cipriano, diretor-geral da empresa norte-americana no Brasil, o projeto, pioneiro na cidade, prevê a instalação de molas em paredes e tetos, que impedirão a ocorrência de vibração, além de isolar o som de cada ambiente. “Trata-se de um complexo de salas situado em uma região residencial e que possui demandas de isolamento acústico bastante críticas”, justifica o engenheiro.
 
Anésia Cambraia salienta que se antes ela alugava casas noturnas por um ano, agora ampliou o tempo de contrato para uma década. “Será a primeira casa de Belo Horizonte a oferecer conforto tanto para quem está no seu interior quanto de fora”, garante. Pop-rock, samba de raiz, sertanejo, MPB e jazz são os gêneros musicais que irão movimentar os shows do novo Bar Nacional, que, nos áureos tempos, viu nascer sucessos do Jota Quest, Chico Science & Nação Zumbi e Skank, entre outros.  
 
Vinte anos do belas 
Bravo resistente, o Cine Belas Artes, na Rua Gonçalves Dias, 1.581, hoje o único cinema de rua de Belo Horizonte, está comemorando neste mês 20 anos. Para tal, será lançada série de postais com depoimentos de pessoas da área cultural de BH. Também para comemorar, o cinema vai cobrar meia-entrada de todos durante o Festival Varilux (entre 17 e 23 deste mês). “Dobramos a frequência e agora temos muita responsabilidade, mas não conseguimos dar vazão a tudo. O aumento do público mostrou como estamos carentes de outras ofertas”, afirma Pedro Olivotto, proprietário do Belas Artes. 


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