Fãs especializados em quadrinhos se dividem em relação ao novo filme do Homem-Aranha

Só o casal protagonista, formado por Andrew Garfield e Emma Stone, consegue escapar da crítica rigorosa dos aficionados

por Carolina Braga 09/07/2012 09:24

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Divulgação
Emma Stone e Andrew Garfield interpretam Gwen Stacy e Peter Parker (foto: Divulgação)
Ainda que os números da estreia de O espetacular Homem-Aranha sejam expressivos – lucro de US$ 140 milhões em seis dias –, o chamado reboot da trama de Peter Parker, dirigido por Marc Webb, não tem impactado tanto quanto a primeira trilogia do super-herói protagonizada por Tobey Maguire. Na verdade, o que marca a produção estrelada por Andrew Garfield e Emma Stone é o racha na opinião de fãs, principalmente aqueles especializados em quadrinhos. Confira as salas e horários de exibição de O espetacular Homem-Aranha em BH
“Achei mediano. O filme tem menos detalhes para atrair os fãs e mais para o grande público”, observa Ana Carolina Cunha, mestre em HQ pela Universidade Federal de Minas Gerais, funcionária e aluna da Casa dos Quadrinhos de Belo Horizonte. “Tentaram fazer uma história mais densa, pautada nos dramas psicológicos do personagem, mas não funcionou”, completa a bibliotecária Cleide Fernandes, também colaboradora da escola especializada mineira. 
Como quase tudo o que envolve personagens do naipe de Homem-Aranha, as adaptações misturam tantos elementos dos quadrinhos que, de fato, nunca alcançam unanimidade. Se isso já se dava com a trilogia, agora a tendência se reforça com novos atores e a volta da trama às origens. “Gostei bastante. O filme tem estrutura de roteiro muito parecida com a do primeiro da série, além de elementos do segundo longa. Mas a grande vantagem é o elenco. Andrew está espetacular: ele é o Peter Parker. Emma também está bem, essa caracterização conta muito”, analisa o desenhista Vitor Cafaggi. 
Há um ponto em comum nas opiniões de gente especializada em HQ: a caracterização de Emma Stone como Gwen Stacy. “Parece que a tiraram dos quadrinhos e levaram para a tela. O visual é muito parecido, até os figurinos”, surpreende-se Cafaggi.
Para o quadrinista, o Peter Parker de Andrew Garfield também é muito parecido com a caracterização dada pelo desenhista Steve Ditko, em 1962. “Ele era bem magrelinho, com o cabelo arrepiado, sobrancelha grossa. Na primeira trilogia, toda vez em que ele tirava a máscara eu me incomodava. No novo filme isso não ocorreu, pois o Andrew é muito parecido com o personagem”, diz Vitor.
Está aí uma diferença fundamental entre a HQ e o filme: na tela, a todo momento Peter Parker mostra sua identidade. “Isso me irritou, porque a questão do herói é justamente esconder quem é. Nesse filme, ele revela para todo mundo que é o Homem-Aranha. Isso esvazia um pouco”, critica Cleide Fernandes. “Esse recurso do cinema permite ao ator aparecer mais. Dizem que a máscara limita muito a visibilidade deles. Acho que a personalidade do novo Peter Parker também é mais fiel, ele não ficou tão bobão. Está mais destemido”, observa Caffagi. Eis outra controvérsia na guerra HQ versus cinema.
Rodrigo Clemente/Esp.EM/D.A Press
Ana Carolina Cunha e Cleide Fernandes ficaram decepcionadas com o filme (foto: Rodrigo Clemente/Esp.EM/D.A Press)
“O Peter Parker é nerd, mas isso ficou falho. É mais um adolescente normal, incompreendido, que está aquém da imagem clássica do personagem”, afirma Ana Carolina Cunha. Para ela, mais grave que Peter Parker, a mancada de O espetacular Homem-Aranha é a caracterização do vilão Doutor Connors/ Lagarto. “Nos quadrinhos, ele só fica mau quando vira Lagarto. Essa dualidade não está clara no filme. Virou um personagem obcecado por ciência, por melhorar a espécie humana”, reclama a fã.
REPETECO Autor das tirinhas Puny Parker, inspiradas na infância do herói, Vitor Cafaggi é tão aficionado em Homem-Aranha que já viu o novo filme duas vezes – em 3D e na versão convencional. A tecnologia, um dos diferenciais do longa recém-lançado, não o empolgou. “Gostei mais do 2D. As cores ficaram mais vivas e dá para você entender os movimentos do Homem-Aranha”, compara Vitor. 
Para Ana Carolina, o formato 3D não conseguiu agregar emoção à ação. “Achei as cenas fracas. Não dá empolgação vê-lo pulando de prédio em prédio. Não gostei dos momentos em que parecemos estar nos olhos dele. Tive a sensação de jogar videogame com o filme”, criticou ela. Assista à trecho de 4 minutos do filme:


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