“Achei mediano. O filme tem menos detalhes para atrair os fãs e mais para o grande público”, observa Ana Carolina Cunha, mestre em HQ pela Universidade Federal de Minas Gerais, funcionária e aluna da Casa dos Quadrinhos de Belo Horizonte. “Tentaram fazer uma história mais densa, pautada nos dramas psicológicos do personagem, mas não funcionou”, completa a bibliotecária Cleide Fernandes, também colaboradora da escola especializada mineira.
Como quase tudo o que envolve personagens do naipe de Homem-Aranha, as adaptações misturam tantos elementos dos quadrinhos que, de fato, nunca alcançam unanimidade. Se isso já se dava com a trilogia, agora a tendência se reforça com novos atores e a volta da trama às origens. “Gostei bastante. O filme tem estrutura de roteiro muito parecida com a do primeiro da série, além de elementos do segundo longa. Mas a grande vantagem é o elenco. Andrew está espetacular: ele é o Peter Parker. Emma também está bem, essa caracterização conta muito”, analisa o desenhista Vitor Cafaggi.
Há um ponto em comum nas opiniões de gente especializada em HQ: a caracterização de Emma Stone como Gwen Stacy. “Parece que a tiraram dos quadrinhos e levaram para a tela. O visual é muito parecido, até os figurinos”, surpreende-se Cafaggi.
Para o quadrinista, o Peter Parker de Andrew Garfield também é muito parecido com a caracterização dada pelo desenhista Steve Ditko, em 1962. “Ele era bem magrelinho, com o cabelo arrepiado, sobrancelha grossa. Na primeira trilogia, toda vez em que ele tirava a máscara eu me incomodava. No novo filme isso não ocorreu, pois o Andrew é muito parecido com o personagem”, diz Vitor.
Está aí uma diferença fundamental entre a HQ e o filme: na tela, a todo momento Peter Parker mostra sua identidade. “Isso me irritou, porque a questão do herói é justamente esconder quem é. Nesse filme, ele revela para todo mundo que é o Homem-Aranha. Isso esvazia um pouco”, critica Cleide Fernandes. “Esse recurso do cinema permite ao ator aparecer mais. Dizem que a máscara limita muito a visibilidade deles. Acho que a personalidade do novo Peter Parker também é mais fiel, ele não ficou tão bobão. Está mais destemido”, observa Caffagi. Eis outra controvérsia na guerra HQ versus cinema.
REPETECO
Autor das tirinhas Puny Parker, inspiradas na infância do herói, Vitor Cafaggi é tão aficionado em Homem-Aranha que já viu o novo filme duas vezes – em 3D e na versão convencional. A tecnologia, um dos diferenciais do longa recém-lançado, não o empolgou. “Gostei mais do 2D. As cores ficaram mais vivas e dá para você entender os movimentos do Homem-Aranha”, compara Vitor.
Para Ana Carolina, o formato 3D não conseguiu agregar emoção à ação. “Achei as cenas fracas. Não dá empolgação vê-lo pulando de prédio em prédio. Não gostei dos momentos em que parecemos estar nos olhos dele. Tive a sensação de jogar videogame com o filme”, criticou ela.
Assista à trecho de 4 minutos do filme:


Assista à trecho de 4 minutos do filme:

