Selton Mello, Rodrigo Santoro, Cauã Reymond e Seu Jorge chegam juntos às telas nesta véspera de carnaval. Mas não espere os galãs e clássicos de sempre. Selton é um agente da CIA que fala como se tivesse sido mal dublado em uma série americana antiga. Rodrigo Santoro aparece sujo, com cabelo fedido, sem dentes e com o belo rosto destruído por sujeiras e maquiagem. Cauã Reymond, a “antena russa”, é um radialista paspalhão que recebe mensagens telepáticas e entra na sauna com toalhas no cabelo. Seu Jorge é um marinheiro comuna e revolucionário.
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Todos esses personagens integram a trama de Reis e ratos, filme de Mauro Lima que traz várias características do cinema pouco vistas em produções nacionais, como o fato de ser comédia e também noir. Apesar de todo o suspense, da trama policial e de tratar de fatos reais que antecedem ao golpe militar de 1964, como os comunistas, os agentes da CIA, seus parceiros infiltrados e a tentativa de derrubar o presidente em exercício, história e personagens – todos inventados – beiram o absurdo.
O agente da CIA Troy Somerset está mais interessado em cerveja e em brigar com o vizinho do que em resolver qualquer problema ou voltar para os Estados Unidos. Sua relação com a esposa, interpretada por Paula Burlamaqui, também faz referência assumida aos clichês americanos. A mocinha, cantora de boate, interpretada por Rafaela Mandelli, também vive atentados absurdos e constantes, sempre salva pelo personagem de Cauã, Hervê Gianini. E o ator Otávio Muller interpreta Esdras, major da Aeronáutica que só se interessa em puxar o saco de Troy.
O diretor já havia feito algo semelhante em 1996, quando rodou A loura incendiária, trash movie em preto e branco, com orçamento de R$ 10 mil, na época da retomada. A ousadia e a tentativa de apresentar algo pouco usual estão de volta em Reis e ratos. Mas, desta vez, com orçamento maior: R$ 7,3 milhões.
Filmado em 17 dias – os atores, quando convidados, tiveram cerca de 10 dias para preparar personagens –, o longa reafirma uma certeza: estamos bem preparados para fazer cinema de qualidade em tempo recorde. Temos bons atores, bons diretores e produção superprofissional.
Mauro Lima também é o nome que assinou a direção de Meu nome não é Johnny e Tainá 2, entre outros trabalhos. A produção do novo longa ficou por conta de outro nome de peso, Paula Lavigne. Na trilha sonora, o filme ganhou faixa inédita de Caetano Veloso, gravada na voz de Bebel Gilberto e do próprio Caetano.
Apesar de trazer o novo, transformar galãs em monstros e contar com elenco de peso, Reis e ratos deixa algo a desejar. A comicidade é leve, o suspense pequeno e a história, narrada pela personagem de Rafaela Mandelli, Amélia Castanho, é dispensável. E ainda por cima apresentada de forma incoerente. Por vezes, é possível pensar que o diretor se esqueceu da narração. Assim como chegamos a acreditar que ele se esqueceu do público. Em determinados momentos, o filme perde o timing e é possível dar umas cochiladas no cinema.
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