Blocos que não conseguiram financiamento da PBH saem em busca de recursos

Pelo menos 154 blocos disputam os R$ 600 mil que serão entregues a 96 deles pela PBH para auxiliar nos desfiles. Lista sai na semana que vem. Quem está de fora já procura outras fontes

por Larissa Ricci 11/01/2019 06:00
Marcos Vieira/EM/DA Press
Laila Rodrigues, Vitor Monks e Karol Braga com itens que levam a marca do Beiço do Wando à venda para ajudar nas despesas e garantir a folia (foto: Marcos Vieira/EM/DA Press)
 

Expectativa de 4 milhões de foliões, 590 blocos cadastrados, 700 desfiles e a promessa do maior carnaval visto na capital mineira. Os preparativos estão a todo vapor. Enquanto os foliões já começam a pensar em fantasias, os blocos se preocupam com os recursos para fazer a festa acontecer. Para impulsionar as finanças deles, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Belotur, abriu o edital de subvenção, já em andamento e que entra em etapa decisiva na próxima semana. No dia 4, foi divulgado o resultado da habilitação jurídica dos blocos inscritos. E como o período de recursos foi finalizado na quarta-feira, as expectativas dos blocos para saber se o dinheiro vai sair só aumentam. Para os que não conseguiram o auxílio e decidiram não recorrer, o jeito é contar com os financiamentos coletivos. Este ano, os recursos do município serão destinados a 96 blocos, 16 a mais do que no carnaval do ano passado. O valor total da subvenção é de R$ 600 mil – R$ 200 mil a mais em relação ao ano passado, divididos em quatro categorias, nos valores de R$ 10 mil; R$ 7 mil; R$ 5 mil e R$ 3 mil. 

De acordo com a administração municipal, 200 blocos se candidataram a receber os recursos e 154 passaram na habilitação jurídica. “A primeira etapa é feita por meio da entrega de documentos. Posteriormente, a classificação será apurada por comissão, que avaliará e pontuará os blocos de acordo com critérios previstos no edital. Serão 96 blocos contemplados e o resultado será publicado no Diário Oficial do Município (DOM) na semana que vem”, explicou Gilberto Castro, diretor de eventos da Belotur. No ato da inscrição, o representante do bloco indicou a qual categoria desejava concorrer, de acordo com sua necessidade. O objetivo é proporcionar aos blocos a oportunidade de melhorar a estrutura para ensaios, aprimorar a qualidade do som e a segurança oferecida ao público e aos turistas que acompanharem seu cortejo. No ano passado, foram fornecidos R$ 400 mil para 80 blocos: “Por conta do crescimento do carnaval, a necessidade de estrutura dos blocos é maior agora”, afirma. 

Um dos habitados na primeira fase do processo, o Bloco Afro Angola Janga conta os dias para o resultado final. “Estamos aguardando ansiosos o resultado, uma vez que a verba é essencial para ajudar nas contas. O Angola se cadastrou na categoria A (R$ 10 mil), visto que tem crescido muito desde seu primeiro ano”, contou Nayara Garófalo, cofundadora do bloco. Segundo ela, a questão financeira é um problema para a maioria dos blocos de BH e a falta de verba deverá tirar alguns da rua este ano. “Arrecadar a mesma verba que outros blocos é incompatível com nossa forma de trabalho, já que realizamos ações sociais. Por exemplo, não cobramos ingresso em ensaios nem mensalidades de integrantes e vendemos camisas e figurinos do cortejo a preço de custo”, explicou. Dessa forma, arrecadar dinheiro para o cortejo é uma tarefa “complexa” e o dinheiro da subvenção é um “pequeno respiro” nas contas. “Mas essencial para o nosso planejamento”, completou. 

Entretanto, Nayara avalia que o mercado de BH se atualizou em valores e o edital não. “O movimento de blocos de rua trouxe grande investimento de patrocinadores para a cidade, bem como turistas e movimentação financeira e muito pouco é revertido para os blocos”, afirmou. Para ela, embora esteja aumentando ano a ano e contemplando mais blocos, esse repasse precisa ainda ser mais equilibrado. “Além do mais, o número de blocos que recebem o dinheiro e os valores são muito pequenos”, diz. 

Arte EM
(foto: Arte EM)


CONTRAPARTIDA
 Apesar da crítica sobre os valores, Nayara destaca que o processo de financiamento tem se aperfeiçoado ao longo dos anos, especificamente na questão do retorno social dos blocos. Neste ano, o edital lançado pela prefeitura trouxe uma novidade: exigirá pela primeira vez uma contrapartida dos blocos contemplados com os recursos. Como compensação social, os beneficiados se comprometem a oferecer gratuitamente um cortejo, um show, uma oficina de percussão ou qualquer outra atividade relacionada ao carnaval. Essa compensação deverá ser realizada durante ações de cidadania promovidas pela Secretaria de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania. 

Puderam participar da disputa pelos recursos pessoas físicas maiores de 18 anos e moradoras de Belo Horizonte, ou pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, com sede e foro em BH e que tenham como finalidade atividades de cunho artístico ou cultural. Dos 200 cadastrados, 46 foram inabilitados. Entre os problemas estava a falta de certidão de débitos trabalhistas e de cópia de CPF. “O processo de cadastro é muito tranquilo. É o terceiro ano e os mesmos requerimentos. A falta de documentos foi o maior motivo de inabilitação. Mas todos tiveram o prazo de três dias para entrar com recursos. Outros não conseguiram porque perderam o prazo”, explicou o diretor de eventos.

 

Em busca da ajuda dos foliões


Seis blocos fizeram a inscrição fora do período do edital. O tradicional Beiço do Wando foi um dos que tiveram o cadastro indeferido por esse motivo. “Em um primeiro momento, a gente não ia participar do edital. Preferimos fechar outro tipo de patrocínio, por questões ideológicas do bloco. E estávamos com um patrocínio particular para fazer carnaval. Estava quase certo, mas não foi pra frente, nas vésperas do fim do prazo para inscrição dado pelo edital. Tivemos que correr, mas nos atrasamos e perdemos”, contou o organizador do bloco, Rodrigo Zavagli. 


Mas para tudo tem um jeito e o bloco, que já arrasta cerca de 30 mil pessoas, vai sair: “Estamos nos virando pra fazer dinheiro e contando com público grande nos ensaios abertos e com ingressos esgotados. Estamos ainda negociando patrocínio”. Ele acredita que o auxílio financeiro da prefeitura é mais essencial para os blocos menores. “Nós, que somos um bloco maior, temos maior visibilidade. É importante dar acesso a eles e fazer um carnaval democrático”, completou. Para ajudar nas despesas, o bloco já coloca sua marca nas ruas. Vendendo itens como camisas, bonés e chinelos, integrantes como Laila Rodrigues, Vitor Monks e Karol Braga dão uma força na preparação da festa. 

O Bloco Arrasta Favela não desistiu e entrou com recurso, como outros quatro na mesma situação. Não foi possível conseguir a regularidade fiscal no âmbito federal com o documento apresentado. Álvaro Zulú, gestor responsável pelo bloco, não perdeu a esperança de colocar o batuque na rua pelo terceiro ano e fez críticas ao processo de seleção. 

FINANCIAMENTO COLETIVO
 Para quem não conta com o recurso, o financiamento coletivo é uma das formas de ajudar os blocos de carnaval a ir para a rua em 2019. De folião em folião, o dinheiro é arrecadado. No ano passado, por exemplo, o Então, Brilha! conseguiu colocar o bloco na rua com “crowfunding” pela plataforma Evoé. Com a planilha aberta, o bloco mostrou os gastos e explicou que precisava de R$ 50 mil para arcar com assessoria de imprensa (11%), decoração e enfeites (11%), custos da campanha (18%), equipamento de sonorização (40%), alimentação (6%) e diversos (14%). Este ano, está marcado o evento “Sonoriza”, na Serraria Souza Pinto, no Centro de BH, que une Então, Brilha!, Juventude Bronzeada, Havayanas Usadas, Bloco Garotas Solteiras, Pena de Pavão de Krishna (PPK) e Tchanzinho Zona Norte para arrecadar dinheiro.

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