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Anafilaxia: a reação alérgica grave que pode matar em minutos

Quadro pode ser desencadeado por alimentos, medicamentos e insetos; reconhecimento rápido dos sintomas e uso de adrenalina são essenciais para salvar vidas

Reação alérgica grave: sinais de anafilaxia que exigem atenção imediata Magnific
O que é anafilaxia e por que ela pode ser fatal
Redação Entretenimento clock 16/06/2026 12:06
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A anafilaxia é considerada uma das formas mais graves de reação alérgica e exige atenção imediata. Sem tratamento rápido com adrenalina, o quadro pode evoluir de forma acelerada e colocar a vida em risco. Entre os principais gatilhos estão medicamentos, alimentos, picadas de insetos e o contato com látex, explica a médica Marisa Rosimeire Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

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Trata-se de uma resposta alérgica sistêmica que se manifesta de maneira súbita e costuma envolver diferentes sistemas do organismo ao mesmo tempo, o que aumenta sua gravidade e dificulta o reconhecimento inicial em alguns casos.

 

As manifestações clínicas podem variar em intensidade, mas geralmente surgem poucos minutos após a exposição ao agente desencadeante. A pele e as mucosas estão entre as áreas mais frequentemente afetadas, com coceira, vermelhidão, placas, manchas e inchaço na face, sintomas que muitas vezes aparecem primeiro.

 

O sistema respiratório também é comumente atingido, com sinais como congestão nasal, espirros, sensação de aperto na garganta, rouquidão, tosse, chiado no peito, falta de ar e, em situações mais severas, risco de parada respiratória.

 

No sistema gastrointestinal, podem ocorrer náuseas, vômitos intensos, cólicas abdominais e diarreia. Já as manifestações cardiovasculares incluem queda de pressão arterial, tontura, alterações no ritmo cardíaco e até parada cardíaca.

 

Em alguns casos, o sistema neurológico também é afetado, com sintomas como confusão mental, dor de cabeça, tontura e convulsões. Outras manifestações possíveis incluem sensação de mal-estar intenso, visão turva, zumbido, incontinência urinária ou fecal e contrações uterinas.

 

Apesar da gravidade, a anafilaxia ainda é subdiagnosticada no Brasil, o que dificulta a mensuração real dos casos e o planejamento de estratégias de prevenção. Diante desse cenário, a ASBAI criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), iniciativa que reúne dados nacionais sobre pacientes atendidos com a condição.

 

O levantamento mais recente do registro mostra que os alimentos representam a principal causa das reações (42,1%), com destaque para leite de vaca, mariscos, ovo, trigo e amendoim. Em seguida aparecem os medicamentos (32,4%), incluindo agentes biológicos, anti-inflamatórios e antibióticos. As reações provocadas por insetos correspondem a 23,9% dos casos, com destaque para formigas, enquanto o látex foi identificado em um número menor de ocorrências.

 

O estudo também aponta diferenças por faixa etária e sexo: entre crianças, há predominância do sexo masculino (55,5%), enquanto entre adultos a maioria dos casos ocorre em mulheres (59,2%). No total, o registro reúne 318 pacientes, com idade média de 27 anos, variando de 2 a 81 anos, distribuídos em 20 estados brasileiros, com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste.

 

Segundo a médica Mara Morelo, diretora de Pesquisa Adjunta da ASBAI e coordenadora do estudo ao lado do professor Dirceu Solé, o objetivo do registro é ampliar o conhecimento sobre a doença no país.

 

"A ASBAI criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o perfil da doença entre os brasileiros para que políticas públicas possam ser implementadas no que diz respeito à prevenção e ao tratamento da anafilaxia, considerada a reação alérgica mais grave e que pode levar à morte", explica.

 

Um dos pontos críticos destacados pelo levantamento é o acesso ao tratamento de emergência. Apenas uma pequena parcela dos pacientes (8,2%) possuía kit de adrenalina autoinjetável, dispositivo considerado fundamental para a resposta imediata em casos de crise. Atualmente, o produto ainda não é amplamente disponível no Brasil e depende de importação, com custo elevado, enquanto aguarda aprovação regulatória.

 

Apesar disso, a maior parte dos pacientes recebeu algum tipo de tratamento, e a adrenalina foi utilizada em 50,3% dos casos — muitas vezes administrada em ambiente hospitalar por profissionais de saúde. Em situações mais graves, 15 pacientes precisaram de intubação e 10 foram reanimados.

 

"A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicada assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa a óbito, sem tempo mesmo para chegar ao pronto-atendimento", alerta Mara.

 

A ASBAI também destaca a importância de avanços regulatórios e legislativos para ampliar o acesso ao tratamento. Entre as propostas em discussão, estão projetos que tratam da notificação obrigatória da anafilaxia e da disponibilização gratuita da adrenalina autoinjetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para uso em casa e em ambientes escolares, com o objetivo de reduzir o risco de desfechos fatais. 

 

 

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