UAI

Flávia Alessandra achou que estava 'doida': menopausa afeta a memória?

Atriz de 52 anos relatou esquecimentos na menopausa; especialistas explicam como as mudanças hormonais podem afetar a memória e a concentração

Esquecimentos na menopausa são normais? Entenda o que acontece com o cérebro

Reprodução Instagram
Flávia Alessandra relata falhas de memória na menopausa: por que isso acontece?
Redação Entretenimento clock 11/10/2026 08:30
compartilhe icone facebook icone twitter icone whatsapp SIGA NO google-news

 

Flávia Alessandra brincou que, quando entrou na menopausa, chegou a pensar que estava ficando “doida”. Aos 52 anos, a atriz tem compartilhado de maneira bem-humorada alguns dos efeitos que percebeu nessa fase, entre eles falhas de memória e ressecamento vaginal, além das estratégias que incorporou à rotina para lidar melhor com as mudanças.

Leia Mais

 

A sensação descrita por Flávia tem até um apelido bastante conhecido entre as mulheres: “névoa mental”. Esquecer uma palavra no meio da conversa, entrar em um cômodo e não lembrar o que foi buscar ou perceber que está mais difícil se concentrar são queixas que podem surgir durante a transição menopausal.

 

“É comum que algumas mulheres percebam alterações na memória, na concentração e na capacidade de organizar tarefas. Isso não significa que estejam perdendo sua capacidade intelectual, mas que o organismo está passando por uma mudança importante”, explica a ginecologista Dra. Carolina Arrabal.

 

Nem tudo, porém, pode ser colocado automaticamente na conta dos hormônios. Ondas de calor que interrompem o sono, ansiedade, alterações de humor e cansaço também podem repercutir no funcionamento durante o dia.

 

“Uma mulher que está dormindo mal por causa dos sintomas da menopausa pode naturalmente apresentar mais dificuldade de concentração e memória no dia seguinte. Precisamos olhar para a paciente de forma integral e não tratar cada sintoma isoladamente”, diz Carolina.

 

O corpo inteiro percebe a mudança

 

A queda do estrogênio também produz efeitos que vão além da memória e ajuda a explicar por que sintomas aparentemente desconectados podem aparecer na mesma fase. O ressecamento vaginal citado por Flávia é um deles. Pele, composição corporal e saúde óssea também entram nessa conversa.

 

Segundo o endocrinologista Dr. Renato Reis, a menopausa é inclusive um período importante para começar a prestar mais atenção aos ossos.

 

“O estrogênio participa da manutenção da massa óssea e sua redução pode acelerar a perda de osso. A menopausa é uma fase importante para reavaliarmos o risco ósseo e pensarmos em prevenção, antes que apareça uma fratura”, explica.

 

Atividade física, alimentação adequada, sono e acompanhamento médico passam, portanto, a ter uma importância que vai muito além da estética. Exercícios de força, por exemplo, contribuem para a preservação de músculos e também fazem parte dos cuidados com a saúde musculoesquelética.

 

“Não estou mais dando conta” também merece atenção

 

Talvez um dos efeitos menos comentados da névoa mental seja a insegurança. Mulheres que sempre tiveram uma rotina intensa podem interpretar os esquecimentos como perda de competência ou produtividade.

 

Carolina reforça que menopausa não significa declínio intelectual. “A mulher não deixa de ser produtiva, inteligente ou capaz porque chegou à menopausa. O que pode acontecer é que os sintomas dessa transição estejam interferindo temporariamente na maneira como ela funciona no dia a dia.”

 

Também não existe uma receita única. Dependendo dos sintomas e do histórico da paciente, o tratamento pode envolver mudanças de estilo de vida e outras abordagens individualizadas, incluindo terapia hormonal quando houver indicação médica.

 

A experiência de Flávia Alessandra toca justamente em um ponto que muitas mulheres só descobrem depois que os sintomas aparecem: menopausa não se resume a calorões. Às vezes, ela surge naquela palavra que desaparece no meio de uma reunião, na noite que deixou de ser bem dormida ou na estranha sensação de que o cérebro não está acompanhando o ritmo de antes.

 

“É importante não normalizar o sofrimento. A menopausa é uma fase natural da vida, mas isso não significa que a mulher precise aceitar sintomas que estejam prejudicando sua rotina, seu trabalho ou seus relacionamentos”, conclui Carolina. 

compartilhe icone facebook icone twitter icone whatsapp
x