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Lilia Cabral expõe feridas do passado e aponta dor ao romper com os pais

Atriz relembrou a falta de apoio da família para seguir a carreira artística, os conflitos com o pai e como encontrou forças para conquistar a própria liberdade

Lilia Cabral Reprodução Instagram
Lilia Cabral relembrou os conflitos familiares que enfrentou no início da carreira e revelou como precisou superar a falta de apoio dos pais
Redação Entretenimento clock 10/10/2026 16:00
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Lilia Cabral abriu o coração ao recordar uma das fases mais difíceis de sua vida: o afastamento dos pais por causa do sonho de se tornar atriz. Aos 69 anos, a artista contou que deixou São Paulo e se mudou para o Rio de Janeiro, em 1984, sem o apoio da família, para investir na profissão. Em entrevista ao jornal O Globo, ela descreveu o ambiente em que cresceu como rígido e revelou que enfrentava muitas restrições dentro de casa.

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"Dentro da minha casa havia uma repressão forte. Eu não podia nada. Se fosse na festinha, precisava voltar cedo. Não sei se, de repente, minhas atitudes eram muito duras. Sou extremamente perfeccionista", afirmou.

 

A resistência à escolha profissional partia principalmente de seu pai, e o desentendimento provocou um distanciamento que se estendeu por anos: "Meus pais não aceitavam eu querer ser atriz, principalmente meu pai. Mudei-me para o Rio sozinha em 1984, sem família, sem apoio, e precisei "me fazer" em todos os sentidos. Foi duro."

 

A atriz também revelou que, em algumas ocasiões, era impedida de entrar na casa da família quando voltava a São Paulo. Sua mãe, então, recorria à madrinha de Lilia para conseguir encontrá-la. O retorno definitivo aconteceu quando a mãe adoeceu, mas, segundo a artista, a atitude do pai não representou uma reconciliação verdadeira.

 

"Só voltei para casa mesmo quando minha mãe ficou doente. Meu pai me perdoou? Não! Ele pensou: 'Ah, não vou cuidar sozinho, ela vai sofrer'. Era uma forma de me castigar mais um pouco", disse.

 

O peso emocional dessa relação levou Lilia a buscar ajuda para compreender o que havia vivido e deixar de se responsabilizar pela rejeição: "Quando você está no ringue, como faz para entender que não merece todos esses socos? Era injusto. Foi muita análise até perceber que era um problema dele. Mas por muito tempo essa indignação andou comigo."

 

Anos depois, uma sequência da novela "Páginas da Vida", em que sua personagem expulsava a própria filha de casa, contribuiu para que a atriz elaborasse os sentimentos ligados à história familiar. A cena foi exibida justamente no aniversário de seu pai e despertou reflexões importantes sobre o passado: "A cena em que a Marta, de "Páginas da vida", expulsa a filha de casa foi ao ar em 25 de julho, aniversário do meu pai. Tudo o que senti ao gravar, isso me ajudou a entender... E trouxe uma resposta. Eu tinha resolvido."

 

Outra experiência marcante foi a perda da mãe, quando Lilia tinha apenas 29 anos. A atriz contou que a ausência materna deixou uma sensação profunda de desenraizamento, mas afirmou não carregar arrependimentos por ter precisado construir a própria independência: "Ela era muito submissa. Tenho a consciência de que fiz tudo o que podia. E não mudaria minha vida. Sempre fui corajosa, mas sofri muito, e sozinha, para me libertar."

 

A maternidade, vivida aos 39 anos com o nascimento de Giulia Bertolli, trouxe uma nova perspectiva para sua vida. Lilia destacou que aprendeu a exercer o papel de mãe ouvindo a filha e respeitando suas necessidades. Sobre o casamento de mais de 30 anos com o economista Iwan Figueiredo, ela ressaltou que a cumplicidade também se transforma com o passar do tempo: "O sentimento de cumplicidade sempre é algo novo. O olhar que temos um para o outro não é o mesmo de cinco anos atrás."

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