PEAD: o que é o tubo que ganha espaço nas redes de água e esgoto do país

Material flexível e resistente avança no saneamento, e as normas da Sabesp ajudam a comprovar seu desempenho nas obras

Ele fica enterrado e quase ninguém repara nele, mas faz diferença para que a água e o esgoto sigam pela rede sem vazar no caminho. O PEAD (polietileno de alta densidade) é um tipo de plástico usado na fabricação de tubos e conexões e vem ganhando espaço nas redes de água e esgoto do Brasil.

Entre os fabricantes que trabalham com esse material está a Asperbras, de Penápolis (SP), com mais de 40 anos de mercado, que tem PE de esgoto e PVC coletor (tubos e conexões), além de conexões e ramais prediais em PEAD, no portfólio de saneamento.

Por que o PEAD virou aposta

Três características explicam o interesse pelo material: flexibilidade, resistência química e estanqueidade nas uniões, que é a capacidade de as juntas não deixarem o líquido escapar. Combinadas, essas características estão associadas a menor risco de vazamento e de infiltração e a maior durabilidade da rede.

Existe, porém, um detalhe importante. Essas vantagens só se confirmam quando o produto atende às normas que comprovam o desempenho em campo. Sem essa comprovação, a qualidade do material fica só na promessa.

O barato que pode sair caro

Em obra de saneamento, o preço do tubo na hora da compra é só uma parte da conta. Vazamentos, infiltrações e trocas antes do prazo geram gastos com reparo, interrupção do serviço e perda de eficiência que, em geral, ficam bem acima da economia feita na aquisição. Por isso, o que mais conta é o custo ao longo da vida útil da rede.

A norma que comprova a qualidade

É aqui que entra a certificação. As NTS (Normas Técnicas Sabesp) definem requisitos de material, dimensões, desempenho e ensaios para tubos, conexões e componentes. Produto que não comprova conformidade fica fora das licitações da companhia. E, como a Sabesp é referência técnica no setor, outras concessionárias, construtoras e gestores públicos usam os mesmos parâmetros nas suas compras.

Na prática, isso vale para os dois lados. Quem compra corre menos risco, porque o produto já foi aprovado pelos critérios da companhia que é referência no setor. Quem fabrica precisa manter esse padrão o tempo todo na linha de produção, e não só na hora de montar uma proposta para uma concorrência. É essa diferença que separa o fornecedor qualificado do fornecedor eventual.

A Asperbras atende à NTS 0048, para tubos de polietileno PE 80 e PE 100 usados em ramais prediais de água de 20 mm e 32 mm de diâmetro externo, à NTS 0194, para tubos de polietileno em redes de distribuição de água, e à NTS 0187, complementar às normas de tubos de PVC. Cumprir esse conjunto envolve ensaios e controles da matéria-prima ao item acabado, com rastreabilidade em cada etapa.

Mais obras a caminho

A procura deve aumentar. Pelo Marco Legal do Saneamento, a Lei 14.026/2020, 99% da população precisa ter água potável e 90% coleta e tratamento de esgoto até 2033. Com a desestatização da Sabesp, concluída em 2024, a companhia se comprometeu a antecipar a universalização em sua área, e leilões em outros estados vão na mesma linha. Para quem fabrica, o desafio passa a ser produzir mais sem abrir mão da conformidade técnica. De olho nesse ciclo, a Asperbras concluiu uma ampliação de R$ 50 milhões em sua capacidade produtiva e integra o ranking Valor 1000.

Resumindo, o PEAD é o tubo de polietileno de alta densidade que ganhou espaço nas redes de água e esgoto por ser flexível, resistente e estanque nas uniões. Para que essas qualidades valham na prática, o produto precisa atender às normas técnicas, como as da Sabesp, sinal de que passou pelos testes exigidos pelo setor. É por isso que fabricantes como a Asperbras mantêm as normas da companhia paulista incorporadas à produção.