Dez turbinas submersas aproveitam a força da água do mar para abastecer uma cidade e limpar uma baía poluída. Localizada na costa oeste da Coreia do Sul e gerida pela estatal K-water, a Usina Maremotriz do Lago Sihwa transformou um desastre ambiental em um marco de energia renovável.
Por que a força da maré consegue girar turbinas pesadas sem queimar combustível?
Imagine uma caixa d’água gigante no quintal conectada ao mar por um cano longo. Quando a maré sobe, o oceano fica mais alto que a caixa d’água, criando uma pressão imensa que empurra a água para dentro com muita força.
É exatamente essa diferença de altura que aciona o sistema. Conhecida como geração por maré enchente de sentido único, a água do Mar Amarelo passa com grande velocidade por turbinas do tipo bulbo instaladas no dique. Essa passagem mecânica faz girar geradores elétricos, convertendo a energia cinética da água em eletricidade para a rede nacional.

Quais são as especificações e capacidades técnicas da Usina de Sihwa?
Construída em um trecho do dique costeiro de 12,7 quilômetros, a obra exigiu o assentamento de blocos de concreto no fundo do mar para suportar turbinas e comportas de grande porte.
Capacidade instalada total: gera 254 megawatts de potência, superando os 240 megawatts da usina francesa de La Rance.
- Conjunto gerador de turbinas: dez turbinas submersas do tipo bulbo com capacidade de 25,4 megawatts cada.
- Comportas de escoamento: oito comportas de controle tipo comporta vagão com dimensões de 12 por 12 metros.
- Volume diário de troca de água: movimenta cerca de 160 milhões de metros cúbicos de água a cada ciclo de maré.
- Geração anual estimada: produz 552,7 gigawatts-hora de eletricidade, suficiente para uma cidade de 500 mil habitantes.
Como a usina gera energia e limpa o lago ao mesmo tempo?
Na década de 1990, o fechamento do dique estagnou a água do lago, acumulando esgoto industrial. A solução foi abrir o dique e instalar turbinas para forçar a circulação marinha contínua.
Durante a maré alta, a água entra gerando energia através das turbinas. Na maré baixa, as oito comportas de escoamento se abrem totalmente, soltando a água do lago de volta para o oceano. Esse fluxo contínuo oxigena o reservatório e reduz a poluição orgânica de forma natural.
Quais normas e padrões técnicos orientam projetos de usinas maremotrizes?
O projeto de estruturas marinhas de geração exige o cumprimento de especificações internacionais rígidas, como as normas do International Electrotechnical Commission (IEC 62600) para energia das marés e a ASCE 7 para cargas marítimas.
No Brasil, obras de contenção hidráulica e usinas costeiras seguem as diretrizes da ABNT NBR 6118 para estruturas de concreto armado expostas à névoa salina e as regulamentações da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Quando um especialista em engenharia hidráulica deve ser consultado?
Projetos que envolvem o barramento de corpos d’água marítimos ou fluviais exigem a atuação direta de um engenheiro hidráulico e de um engenheiro especialista em estruturas de concreto marinho.
A avaliação de erros de escoamento e a corrosão por sulfatos e cloretos evitam falhas catastróficas nas comportas. Intervenções sem modelagem hidrodinâmica podem causar assoreamento e destruir ecossistemas locais.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro hidráulico ou engenheiro especialista em estruturas marinhas, especialmente em contextos de risco de erosão costeira, corrosão salina e alteração de vazão.

