Mulheres mais velhas deixam de aparecer apenas como avós e ganham novos personagens na TV

Seriado 'Grace and Frankie', com Jane Fonda e Lily Tomlin, mostra, em tom de comédia, como duas senhoras enfrentam a vida na temida terceira idade

por Correio Braziliense 04/07/2016 09:19

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Netflix/Divulgação
Cena da série 'Grace and Frankie' (foto: Netflix/Divulgação)
A forma com que a mulher é retratada no cinema e na televisão é um tema polêmico. Enquanto na juventude, as moças lutam para não serem reduzidas a simples objetos sexuais, ao alcançar a fase madura, as mulheres mudam de papel nas produções e passam a ser invisíveis. Porém os diretores e dramaturgos se mostram, aos poucos, mais conscientes do papel da mulher madura e trazem personagem com a idade mais avançada sem perder a personalidade, a força e a sensualidade. Um exemplo é o seriado Grace and Frankie, que conta a história de duas mulheres enfrentando a temida terceira idade.

Outra produção que valoriza o papel da mulher mais velha é Orange is the new black, na qual as personagens mais velhas assumem um papel de grande importância na trama. Já nos longas, diversas produções mostram histórias de grandes mulheres em seus anos mais avançados, como é o exemplo de Para sempre Alice, que mostra o cotidiano de Alice, a protagonista do longa, lutando precocemente contra o Alzheimer. Ou ainda no bem-humorado Elsa & Fred, que nos apresenta a Elsa, senhora cheia de vida, e a Fred, um rabugento. Na comédia dramática eles acabam se aproximando.

Segundo a professora da Universidade de Brasília (UnB) e doutora em comunicação audiovisual, Tânia Siqueira Montoro, o papel da mulher mais velha ainda é muito mal aproveitado na maioria das produções. “O que podemos perceber atualmente é que ainda temos a mulher mais velha invisível nas produções. Ou ela aparece como avó, ou como uma dependente — um estorvo para dentro de casa; ou aparece como alguém que perdeu qualquer tipo de sensualidade”, critica a professora.

Para ela, essa representação é uma consequência social. “Claro que temos produções que retratam bem as mulheres mais velhas, que colocam o idoso como ser humano, como pessoa, como capaz de ter afeto e sexualidade. Porém 95% não são assim e esses filmes refletem a nossa sociedade”, explica Tânia. Ela ainda complementa: “Temos que acostumar o nosso olhar para as várias modalidades de beleza. Como existe a beleza branca e a beleza negra, existe também a beleza da juventude e da maturidade. Nos fomos acostumados a olhar a maturidade como desprovida de qualquer senso estético.”

A professora destaca que a forma de tratar os idosos, tanto nas produções quanto como na sociedade, é especialmente problemática em países como o Brasil. “Nós eramos um país de jovens, porém nossa pirâmide mudou. Agora falta estrutura para atender as pessoas mais velhas —  nossas ruas, nossas estradas, nossa forma de administrar o cotidiano, nada é voltado para essa geração mais velha”, pondera.

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