Trombose venosa profunda e embolia pulmonar: o que devemos saber

Trombose venosa é a formação de trombos (coágulos) nas veias. Sua manifestação clínica depende da extensão do trombo e das veias acometidas, podendo ocorrer em qualquer veia do corpo, sendo os membros inferiores o local mais frequente.

03/04/2017 13:57
Biocor Instituto/Divulgação
Josualdo Euzébio da Silva, cirurgião vascular do corpo clínico do Biocor Instituto (foto: Biocor Instituto/Divulgação)
O diagnóstico precoce e a localização do trombo são muito importantes para o tratamento adequado, assim como para definir os riscos e as complicações mais comuns. Alguns sinais e sintomas que podem levar à suspeita de trombose venosa de membros inferiores são: dor, inchaço, endurecimento da musculatura do membro afetado e dificuldade para andar. Nesses casos, recomenda-se uma consulta imediata com um especialista.
 
Cirurgião vascular do corpo clínico do Biocor Instituto, Josualdo Euzébio da Silva (CRM 26.128) explica que alguns fatores aumentam o risco de trombose venosa sendo os mais comuns cirurgias de grande duração, fraturas com imobilizações prolongadas, viagens longas, câncer, predisposição genética, idade acima de 40 anos, obesidade e gravidez. “Em muitas dessas situações, temos medidas e medicamentos que podem prevenir uma trombose venosa profunda, sendo aconselhável um exame (check up) vascular”, diz.
 
“Hoje em dia, aplicamos uma escala de estratificação de risco de trombose em pacientes a serem internados ou submetidos a cirurgia, com o objetivo de rastrear os pacientes de maior risco e iniciar a prevenção nesses casos”, ressalta Josualdo Euzébio. Segundo ele, o especialista fará um exame clínico minucioso e utilizará alguns exames para definir o diagnóstico, podendo ser realizado através de equipamentos com alto índice de precisão – muitas vezes no próprio consultório ou em clínicas especializadas.
 
De acordo com o médico, a complicação mais temida é a embolia pulmonar, que consiste no deslocamento do trombo da veia acometida até o pulmão. A incidência nos Estados Unidos e Europa do tromboembolismo venoso e embolia pulmonar fica em torno de um a três casos por 1 mil habitantes por ano e uma mortalidade de 50 mil pessoas/ano, sendo a terceira doença cardiovascular mais comum.
“É importante ressaltar a insuficiência venosa crônica, outra grave complicação da trombose venosa, não mortal, que pode causar ulcerações nas pernas, dor crônica, inchaço, pigmentações e cicatrizes que levam à redução da mobilidade dos membros”, diz Josualdo Euzébio, acrescentando que o tratamento, dependendo do caso, poderá ser realizado em domicílio, com uso de medicamentos orais ou injetáveis, ou em casos mais graves exigindo internação hospitalar. “Existem hoje novos anticoagulantes modernos que minimizam os riscos de sangramento, apresentando menor interferência com outros medicamentos e facilitando o controle clínico.”
 
Josualdo Euzébio, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular e membro da Society for Vascular Surgery, esteve em um congresso na cidade de Leipzig, na Alemanha, no início deste ano. Ele conta que no evento foi muito discutido novas técnicas para remoção do trombo através de cateteres específicos, visando uma recuperação mais rápida e minimizando as sequelas que podem advir de uma trombose, sendo algumas vezes realizado o implante de stent para manter a veia aberta e com seu calibre normal.
 
“Em casos selecionados, em que não é possível o tratamento com anticoagulantes, quando apresenta alto risco de embolia pulmonar, embolia pulmonar com o tratamento adequado, ou mesmo durante a extração de trombos, pode ser usado um dispositivo metálico (filtro de veia cava). O filtro de veia cava é implantado através de um cateter e posicionado em uma veia de grande calibre para evitar que o trombo se desloque até o pulmão.”
 
 
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